18 Mai 2021
Wii U

Retrospectiva: Earthbound

 

EartboundExistem jogos com um seguimento intenso da parte dos fans. Isto geralmente deve-se a uma série bastante jogada, um jogo que influenciou dezenas de outros, ou algo que tenha impressionado o suficiente para subsequentes ports, ou remakes do mesmo. Earthbound não é nenhum destes.

Originalmente lançado no Japão como o segundo jogo da série Mother, é algo invulgar e original, jogado por poucos no seu pequeno lançamento nos Estados Unidos, nunca sendo oficialmente lançado noutros países ocidentais. Talvez por falta de vendas, ou mesmo por achar que o jogo era demasiado “niche” para outros públicos, os três jogos Mother permaneceram no Japão, tendo apenas esta pequena estreia na época da Super Nintendo como introdução ao seu mundo. Mas de alguma maneira, o que era um jogo no qual ninguém depositou esperança, tornou-se num fenómeno.

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Uma legião de fans que o jogou continua a apoiar os jogos Mother, a criar novo conteúdo, a expressar o desejo de um lançamento oficial da parte da Nintendo. Com material que vai desde traduções não-oficiais para os jogos que não foram lançados em territórios ocidentais, a guias ilustrados com lançamento online e impresso. E anos depois, quando ninguém estava à espera, Earthbound é finalmente relançado no serviço Nintendo Store da Wii U. Mas qual é a razão da popularidade e seguimento de um jogo tão desconhecido? Como é que a sua reputação chegou a tal ponto?

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Earthbound é um RPG japonês, que se desvia completamente de todas as normas, passadas ou futuras. Tomando lugar num cenário americano dos anos 90, com pequenos toques clássicos a imitar filmes de invasões alienígenas e pequenas cidades ocidentais. As personagens principais são Ness e os seus companheiros, crianças numa jornada , descobrindo o uso de poderes psíquicos, e destinados a salvar o mundo da ameaça de Gygas. O cenário é totalmente invulgar num jogo deste género, assim como o rol de personagens bastante originais. Mas o que realmente se destaca, é a escrita. Desde a história com uma narrativa coerente e inovadora, até à interacção com quase qualquer peça no cenário de muitas maneiras diferentes, o charme e o humor do jogo contagiam qualquer um. Em vez do típico combate por turnos ser guiado através de dano e mudanças de status repetitivas, cada inimigo tinha estratégias diferentes, com acções como dançar, ou começar a chorar, ou um rol gigantesco de movimentos distintos que espantavam cada pessoa à espera de apenas “mais um RPG“. Nunca mais nenhum jogo do tipo tentou algo tão arrojado para a época, e tão revolucionário. A surpresa era constante, e a tradução das mecânicas do japonês para o inglês funcionava na perfeição, de um modo a que todos os pequenos toques de cultura se preservavam.

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Todo o mundo tomava uma perspectiva clássica, “boys will be boys”. Uma aventura entre crianças, com lições sobre a coragem, a amizade e a responsabilidade. Mais do que qualquer outro jogo, procurava ligar o jogador ao que acontecia. O pai do personagem principal ligava frequentemente através de um telefone, a enviar-lhe dinheiro, com muitos abraços e saudades. Bandas referentes aos Blues Brothers eram uma constante aparição. Civilizações amigáveis, comunidades diferentes, um mundo de oportunidade no cenário de pequena cidade americana, com miúdos a serem miúdos, a fazerem coisas de miúdo, e a agirem com base no seu coração. E com um final que consegue aterrorizar e apaixonar mesmo a mais cínica das pessoas. É um jogo que muitas pessoas acharam que valia a pena seguir, recomendar, e amar. E graças ao esforço destas pessoas, esta obra-prima intemporal voltou a ser finalmente relançada, após muitos anos.

Talvez nos dê uma esperança para os restantes títulos terem por final um lançamento oficial. Para isso, teremos de esperar.

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