29 Out 2020
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Será que os 4.5Gb da PS4 chegam para os jogos?

Tanto na PS4 como na Xbox One, os rumores indicam que os Sistemas Operativos vão ocupar uma boa quantidade de memória, deixando para os jogos uma quantidade muito menor do que os 8GB anunciados.

A questão na cabeça de muita gente é sobre se a memória que sobra é o suficiente para os jogos da próxima geração, ou se isto vai limitar a qualidade e detalhe dos jogos.

A primeira coisa a considerar e que muita gente, menos conhecedora de hardware não sabe é que a quantidade de memória não aumenta o desempenho de uma consola. A quantidade de memória apenas aumenta ou diminui a quantidade de dados que a consola pode aceder. O que isto significa é que, dependendo da sua quantidade, podemos ter mais ou menos detalhe dentro dos jogos. Um bom exemplo disto, são as texturas de um jogo pois quanto maior for a resolução destas, mais espaço vão ocupar, mas existem muitas outras coisas que podem beneficiar da quantidade de memória, como geometria mais detalhada, animações mais complexas, sons e músicas de maior qualidade, etc. No entanto, há uma questão a considerar, seja um CPU ou um GPU, existem limites concretos e reais da quantidade de dados que estes podem processar num certo período de tempo. O que isto significa é que se a quantidade de dados for demasiado grande, o CPU e o GPU podem começar a ter problemas em processar tudo num tempo satisfatório, resultando num frame rate mais baixo.
Mais uma vez, pegando no exemplo das texturas, estas têm de ser calculadas várias vezes por frame, antes de serem aplicadas. A cada pixel será plicado um conjunto de cálculos, para lhe dar um conjunto de efeitos diversos que passam por coisas como cor, posição, transparências, luzes, refracções, sombras, bump mapping, etc. Se tivermos uma textura com uma resolução demasiado elevada, teremos demasiado pixeis para serem calculados de cada vez e o resultado é uma perda de desempenho.

Se tivermos em conta que o GPU da Playstation 4 não é particularmente potente, mesmo nos dias de hoje, não será de esperar este possa processar quantidades imensas de vram. No caso do GPU da Xbox One, a situação torna-se ainda pior, pois o seu GPU é ainda mais fraco, incluindo na quantidade de TMUs, as unidades de processamento do GPU responsáveis pelas texturas.

Ainda é preciso considerar que a memória de qualquer sistema tem de ser mapeada e gerida e isso requer que alguns ciclos do CPU e do GPU sejam gastos a gerir o que a memória tem, mesmo que esteja sem dados. O que isto significa é que quanto mais memória tivermos, mais tempo do CPU e GPU será gasto a gerir esta mesma memória. A pesar de isto requerer poucos recursos, com o aumento de memória, podemos começar a acumular perdas cujas melhorias por termos mais memória, não se justificam. Por isso não se pode pensar que basta colocar memória, sem que hajam consequências.

Muitas das pessoas quando olham para a quantidade de memória da Playstation 4 e da Xbox One e comparam logo com a quantidade de memória que os PCs actuais usam. Sendo normal que um PC venha equipado com 8GB ou 16GB de DDR3, para o sistema, ao que se junta mais 2 a 3GB de GDDR5 para a memória gráfica, é claro que esta quantidade de memória parece muito maior do que os 8GB que equipam a Playstation 4 e a Xbox One. A situação piora ainda mais se tivermos em conta os rumores que indicam que o Sistema Operativo da Xbox One vai gastar 3Gb e que o da Playstation 4 vai gastar entre 2.5 a 3GB. Ou seja, para os jogos sobra muito menos memória, 5Gb para os jogos da Xbox One e 4.5 a 5Gb para a Playstation 4.
No entanto, é preciso considerar que o PC usa duas pools de memória, uma para o sistema e outra para a gráfica e isso significa que parte dos dados terão de ser duplicados em ambas as pools de memória, pois têm de ser acedidos e processados tanto pelo CPU como pelo GPU. A situação piora um bocado quando consideramos que é preciso manter uma coerência entre estas duas pools de memória e isso significa que quando os dados são modificados numa pool, têm de ser actualizados na outra, o que implica um esforço extra nos busses internos do sistema, especialmente na ligação PCI-Express.
No caso destas consolas, não há necessidade de duplicar estes dados, o que significa que a memória total destas consolas vai render mais do que o total da memória de um PC.

Por fim, há a considerar que a memória também pode servir para cache de certos dados, permitindo em alguns casos loadings mais rápidos de níveis de um jogo ou até o manter de um mundo de jogo maior, que  será carregado de acordo com o avanço do jogador por esse mesmo mundo. Jogos do tipo sandbox podem beneficiar da memória extra, para poder ter um stream de dados constantes que alimenta o universo de jogo.

A utilização de uma quantidade tão grande por parte desta nova geração de consolas acaba por ser sinonimo da quantidade de funções extra que, tanto a Microsoft como a Sony querem oferecer aos seus consumidores. A adição destas funções, mantendo a suavidade do sistema, implica que muitos dados sejam mantidos dentro da memória do sistema e isso acaba por significar que os recursos disponíveis para jogos são alocados noutra funções. Se os rumores que circulam agora forem verdade, de que a quantidade de memória disponível para jogos foi reduzida drasticamente e que dois dos núcleos são reservados para o sistema, significa que os criadores de jogos terão de fazer ainda mais concessões ao criar os seus jogos. Resta saber se as funcionalidades extra destas consolas vão compensar, aos olhos dos jogadores.

 

 

 

 

 

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