13 Nov 2019
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Keyforge – “Novo” jogo de Richard Garfield

Do criador de Magic: The Gathering.

Nos últimos meses voltei-me a meter em jogos de cartas, começando pelo meu regresso a Magic The Gathering, seja no arena como no formato fisico, e Pokémon TCG Online. Pelo caminho cruzei-me com Keyforge, que apesar de ser da autoria de Richard Garfield, criador de Magic e publicado pela Fantasy Flight Games, tem um conceito bastante diferente. Keyforge marca a diferença pelo facto do objectivo ser forjar chaves em vez de matar alguém, e dos baralhos serem únicos e não se pode mexer neles.

Os baralhos de Keyforge custam entre 10 e 12,5€, e são gerados aleatoriamente. Segundo eles, é virtualmente impossível existirem dois iguais. Cada baralho é composto por 3 casas, 12 cartas para cada uma delas, o que faz um total de 36 cartas, mais a carta mãe que apenas serve para identificar o baralho. Esta carta tem um nome único e a lista de cartas e casas que o compõem, e cada uma das cartas do baralho tem no canto e na traseira o nome da “mãe”, para evitar que se misturem cartas.

O objectivo do jogo é forjar chaves, e para isso é necessário adquirir Aember. A cada 6 Aembers, forjamos uma chave no inicio do nosso turno, para dar uma janela de oportunidade para o nosso adversário nos atrasar, e ganha o primeiro jogador a conseguir forjar 3. Para isso temos que jogar criaturas, artefactos e cartas de acções. A cada turno temos que ter sempre 6 cartas na mão e declaramos uma casa. Durante esse turno apenas podemos baixar e utilizar cartas dessa casa, a não ser que exista em campo alguma carta que nos ajude a contornar essa regra. Por exemplo, se tivermos em campo cartas Brobnar e Shadow e decidimos declarar Logos, durante esse turno as cartas das restantes casas não poderão ser usadas. No fim de cada turno, biscamos cartas até termos no total 6 na mão, a não sei que exista algo que nos impeça ou nos permita ter mais cartas na mão. Ao contrário de Magic The Gathering, durante o nosso turno, os nossos oponentes não conseguem reagir.

No total existem 7 casas (9 se contarmos com a próxima expansão, mas essas duas ficam para um próximo artigo): Brobnar, Logos, Shadows, Sanctum, Mars, Dis e Untamed. Cada uma delas tem as suas formas de jogar e objectivos, por exemplo, Shadows consiste em criaturas fracas, mas que roubam o Aember do adversário e Brobnar são mestres em combate, e as suas habilidades são mais focadas em causar dano a outras criaturas.

Keyforge é um jogo de 2018, uma era em que as apps tomam conta das nossas vidas, e neste jogo existem algumas a ter em conta. A primeira é a oficial, onde temo acesso ao nosso perfil e todos os decks que adquirimos. Cada baralho vem com um QR code que ao fazermos scan, adiciona esse baralho à nossa conta e ficamos com acesso à nossa lista de cartas a qualquer momento. Podemos também partilhar com o mundo os baralhos que descobrimos, e podemos registar o número de vitórias e derrotas que temos com cada um deles. KeyMake é a segunda app essencial para jogar Keyforge, isto claro, se não tiverem um set de marcadores e chaves. Esta app tem marcadores virtuais para nos auxiliarem em jogo. Se preferirem em formato fisico, existem marcadores que podem comprar ou imprimir em casa. O mais comum são pequenas gemas de várias cores que se adquire nos ebays da vida. São uma solução barata mas muito útil. Vão precisar de muitos pois o nosso tabuleiro de jogo pode ficar inundado de criaturas e certamente vão ter marcadores de dano, poder e Aember em cima. Rankey é outra aplicação third party que é obrigatória de ter no telefone. Esta aplicação faz uma leitura dos nossos baralhos e atribui-lhes uma pontuação de 0 a 100, de acordo com a sinergia das cartas que o constituem. Estes valores vão alterando à medida que são descobertos novos baralhos e os números não são absolutos, mas dão uma ideia de quais são os nossos melhores e piores baralhos. Por fim temos o crucible. Este site foi criado por fãs e permite combater online com os nossos baralhos. O site ainda é muito primitivo, mas o motor funciona lindamente. É sem dúvida uma boa forma de jogar Keyforge quando não conseguimos faze-lo fisicamente, ou pelo menos para testar os nossos decks. Enquanto a Fantasy Flight não se decide em lançar uma app oficial com esse efeito, é o melhor que temos. Para os mais corajosos, o Table Top Simulator tem mods para jogar Keyforge, mas requer que os jogadores saibam trabalhar minimamente com o motor. É das melhores formas de jogar Keyforge no computador, já que tal como o Crucible, ele permite-nos fazer upload dos nossos decks, mas não é tão user friendly e temos que fazer tudo manual, o que poderes chato para quem está no inicio.

Keyforge conquistou-me por completo por vários motivos. É um jogo que ao fim de 3 ou 4 partidas já não precisamos de ajudar para o jogar, é extremamente simples de aprender. O facto de não termos que construir baralhos tornam as coisas mais justas. Claro que temos que ter alguma sorte nos baralhos que nos calham, mas é sempre divertido de jogar. Um dos métodos que pessoalmente adoro, é pegar em dois baralhos de forma aleatória e combater com eles.

Keyforge já conta com duas expansões: Call of the Archons (a base) e Age of Ascension, que adicionou novas cartas e novas mecânicas. A próxima chama-se Worlds Collide, e irá adicionar duas novas casas e meter de parte Sanctum e Mars, que voltaram numa futura expansão. Será lançada no nosso território ainda este ano.

Existem várias lojas em Portugal onde já se joga Keyforge, incluindo em Lagos no Karma Clan Gaming Lounge. Se forem da zona e tiverem curiosidade em experimentar, dêem um saltinho pelo espaço. Podem também consultar as regras de forma gratuita no site da Fantasy Flight.

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