13 Nov 2019
PC e Mac

Revisitando Vampire: The Masquerade – Redemption

Com o anúncio de Bloodlines 2, decidimos voltar atrás no tempo e revisitar o clássico que deu origem à série.

Com o hype em torno de Bloodlines 2 e pelo facto de ser um orgulhoso detentor de uma big box desta pérola, lá decidi jogar Vampire The Masquerade – Redemption. Na verdade, já o tinha jogado há poucos anos, mas parei muito perto do início pois a jogabilidade não me estava a cativar muito. Desta vez decidi ultrapassar esse “preconceito”, e terminei esta fantástica obra de 2000.

Estamos no ano de 1141em Praga e assumimos o controlo de Christof Romuald, um cruzado francês que é ferido em batalha, o que o leva a ser tratado pela freira Anezka, freira essa por quem Christof se apaixona. Ao saber da existência de uma mina repleta de criaturas demoníacas, Christof embarca numa expedição para acabar com esta ameaça, o que faz com que os seus atos heróicos sejam notados por vários clãs de vampiros da zona. Ecaterina the Wise, uma vampira do clã Brujah acaba por transformar Christof num dos seus vampiros, e fazendo com ele lute pela sua causa, ao mesmo tempo que se vê numa luta mental contra os seus ideais cristãos.

 Numa primeira fase, Christof terá de resolver vários problemas relacionados com vampiros, para ajudar o “seu” clã, mas nunca perdendo o foco em procurar Anezka, que acaba por desaparecer depois de tentar ajudar o protagonista a resolver a sua nova condição. É esta obsessão por Anezka que acaba por leva-lo a Viena, onde acaba por descobrir que existe algo mais por trás. Evento puxa evento, e num enorme plot twist, acabamos em 1999 dentro de um caixão em Londres. Esta mudança altera completamente o tom do jogo, dando novas vestimentas e armas de fogo aos personagens. Depois de Londres, o enredo leva-nos finalmente até Nova Iorque, onde a história vê o seu desfecho.

Vampire The Masquerade – Redemption é um RPG, baseado no jogo de tabuleiro da saga, que por sua vez tirou inspiração de Dungeon & Dragons. A diferença aqui é que não podemos criar o nosso próprio personagem, apenas modificar o existente (Christof) à nossa medida. Os stats que podemos escolher são exatamente os mesmos das folhas de personagem do jogo de tabuleiro, e cada stat que subimos, dá acesso a especializações nesse ramo. O combate parece bastante datado, mas utiliza o sistema de Dungeons & Dragons. Provavelmente foi isso que me fez conseguir termina-lo desta vez, pois agora que sei jogar D&D, compreendo que falhar muito uma ação, significa que os dados virtuais de 20 lados não estão a ajudar em nada.

As 4 cidades representadas no jogo não são muito grandes, mas adequa-se para o conteúdo de história presente no jogo. Não existem side-quests, trata-se de um jogo bastante linear, por isso não fazia sentido ter mapas gigantescos. Trata-se de um jogo de 2001 por isso não existe um “GPS” que nos aponte na direção certa, o que faz com que tenhamos de estar muito atentos às indicações dos personagens.

Como vampiros, sangue é a fonte de energia dos nossos personagens. Podemos recuperar esse sangue através de frascos (sacos de sangue na era moderna), ou mordendo inimigos e até mesmo companheiros ou inocentes, mas cuidado! Se matarmos inocentes perdemos humanidade, e se Christof perder toda a sua humanidade, a besta que tem dentro de si apodera-se do seu corpo e obviamente, perde o controlo. Existem também 3 finais que são desbloqueados com base no nível de humanidade que temos no final do jogo, e também são influenciados por algumas decisões chave que tomamos ao longo da narrativa.

Outro pormenor a que temos de estar atentos, é ao inventário. A gestão de inventário é semelhante a RPGs do género, dando como exemplo mais famoso a série Diablo. Foi um dos pontos que mais dores de cabeça me dava: decidir o que trazia ou deixava para trás, mesmo com a hipótese de todos os personagens da partyconseguirem carregar coisas. Pergaminhos com habilidades, poções e frascos de sangue são sempre objetos essenciais, mas que ocupam espaço, tendo que deixar para trás dezenas de armas e armaduras, que me podiam dar uns bons trocos na cidade. Na era moderna isso ainda fica mais caótico, pois existem vários tipos de armas de fogo, o que é sinónimo de mais slots ocupados por munição.

A premissa da história é simples, mas o loreacaba por ser bastante rico, com todos os clãs, origens e conflitos. Os diálogos são escritos num inglês antigo, o que dá um certo charme ao jogo.

Joguei a versão da GoG(Good old Games), que faz sempre um excelente trabalho em optimizar jogos antigos nos sistemas mais recentes, mas Vampire The Masquerade – Redemption é demasiado antigo para ter um aspeto aceitável nos monitores de hoje em dia, e é aqui que entram os mods. Quem se quiser aventurar neste clássico nos dias de hoje, tem obrigatoriamente que instalar um mod que para além de melhorar a resolução base do jogo, dá um jeitinho ao HUD e na iluminação, que por vezes tornava impossível a navegação de algumas dungeons.

Se vale a pena joga-lo hoje em dia? Se são fãs do estilo D&D e se querem saber mais sobre o universo Vampire The Masquerade – Redemption é sem dúvida um título obrigatório. Compreendo que algumas mecânicas estão datadas, mas é um jogo que faz um excelente trabalho em atirar para o jogador lore deste fantástico universo. Mas claro, não se esqueçam de instalar o mod, porque caso contrário, desinstalam logo na primeira dungeon.

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