17 Jul 2019
PS4

Análise – Middle-Earth: Shadow of Mordor

Eis a nossa análise de Shadow of Mordor.

Middle-Earth: Shadow of Mordor é um jogo de ação e aventura com elementos de RPG, baseado no mundo da Terra Média criado por J.R.R. Tolkien. Foi produzido pela Monolith Productions, conhecida por jogos como F.E.A.R, Condemned e Gotham City Impostors, sendo distribuída pela Warner Bros. Interactive Entertainment para a PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One e PC. O jogo, embora seja baseado neste mundo, não faz parte do lore das obras do autor, e os acontecimentos ocorrem durante o intervalo entre as obras The Hobbit e The Lord of the Rings.

Analise

Enfrentem os perigos de Mordor

No jogo encarnamos Talion, um ranger que vê a sua família a ser morta pelo exército de Sauron, seguindo pouco depois o mesmo destino. Contudo, a morte é lhe negada e Talion ressuscita, descobrindo que tem poderes semelhantes aos de um Wraith. A partir daqui, Talion irá procurar respostas sobre o porquê de lhe ter sido negada a morte e também descobrir a identidade e a razão pela qual o Wraith que o possuiu, atravessando Mordor, antes de esta ser a paisagem de destruição que conhecemos de The Lord of the Rings. Ficamos a saber que o Wraith não é um espectro qualquer, mas sim Celebrimbor, que no jogo é retratado como o melhor ferreiro da Second Age e o criador dos anéis do poder, que foi traído por Sauron, procurando assim vingança contra ele. Talion encontra aqui um objetivo em comum e ajuda Celebrimbor a procurar artefactos que revelam fragmentos de memória do seu passado.

Analise

Talion e Celebrimbor como um só

Embora joguemos com Talion, a personagem mais aprofundada acaba por ser Celebrimbor, pois passamos a narrativa toda a descobrir memórias esquecidas do seu passado, enquanto com Talion apenas sabemos o que nos foi mostrado no início da estória. Iremos encontrar caras conhecidas na nossa aventura, sendo uma delas a de Gollum, que irá representar um papel essencial na narrativa. Todas as outras personagens criadas de propósito para o jogo acabam por representar bem o papel que lhes é dado, mas acabam todas por sofrer um pouco do mesmo que Talion. O rol de vozes conta com grandes nomes, como o de Troy Baker (Talion), Nolan North (Black Hand of Sauron), Liam O’Brien (Gollum), Alastair Duncan (Celebrimbor) e Laura Bailey (Ioreth), estando muito bem recriado o mesmo tipo de diálogo que podemos ver em nos filmes The Hobbit e The Lord of the Rings.

Analise

Conta-me os teus segredos

Mordor está repleto de lugares para explorar, onde o jogador pode procurar artefactos, que revelam um pouco da história do mundo, e “Ithildin” que são símbolos antigos, sendo ambos apenas visíveis por Wraiths. Mas o jogador não é livre de explorar sem perigo, pois terá de enfrentar Orcs, Uruks, Caragors, Graugs e Ghuls. Os primeiros são os inimigos mais fáceis de derrotar, visto serem apenas umas criaturas que deambulam na escuridão, mas podem tornar-se um problema quando se juntam em massa. Caragors são monstros que vagueiam os terrenos de Mordor em constante procura do próximo alvo. São animais extremamente agressivos que costumam andar sempre em grupos para caçar alvos maiores. O jogador pode montar Caragors para navegar por Mordor mais depressa ou até mesmo para atacar e intimidar inimigos. De um ponto de vista mais furtivo, o jogador pode atrair Caragors para bases inimigas disparando uma seta contra carcaças que se encontram espalhadas pelas mesmas. Graugs são monstros gigantes com feições de trolls, garras enormes e dentes afiados para poderem desfazer as suas vítimas. Tal como os Caragors, os Graugs podem ser dominados e montados por Talion. Por fim temos os Uruks, uma raça avançada de Orcs, que poderão ser encontrados em todos os cantos de Mordor. O jogador irá encontrar quatro tipos de Uruks em Shadow of Mordor: arqueiros, soldados, defensores e berserkers. Cada um deles tem uma maneira específica ou ordem para serem derrotados, levando a que o jogador tenha de planear as suas batalhas.

Analise

Inimigos extremamente detalhados e com várias variantes

Qualquer Uruk pode ser especial em Shadow of Mordor graças ao sistema Nemesis. Como devem ter visto, a Monolith e Warner Bros. Deram grande foco a esta mecânica de jogo, pois ela instala um sistema hierárquico no jogo. Este sistema vai definir a hierarquia do exército inimigo, indicando os warchiefs e os capitães, bem como as afiliações de cada um. Torna-se essencial, pois à medida que o jogador avança e vai eliminando os capitães e warchiefs, é preciso alguém para substituir aos que foram mortos. O sistema Nemesis faz isto de duas maneiras: aleatoriamente, ou, caso o jogador seja morto por um Uruk, esse Uruk será automaticamente promovido a capitão. Mas não é só o jogador que influencia a hierarquia. Os Uruks são uma raça que está em constante guerra entre si mesma para provar quem é o mais dominante, por isso iremos ver alguns capitães a batalhar entre si constantemente. Os capitães têm um nível de poder que vai definir a dificuldade que o jogador terá em matá-lo, com valores que variam entre um e vinte, mas um capitão nível vinte pode ser mais fácil de matar que um nível um, devido às suas fraquezas. O jogador pode interrogar Uruks para saber mais informação sobre os seus capitães, descobrindo as suas fraquezas e pontos fortes. Este é o elemento mais importante do sistema Nemesis, pois se o jogador não prestar atenção aos atributos dos inimigos, poderá ser apanhado desprevenido. O sistema Nemesis nunca para durante o decorrer do jogo, mesmo após a morte do jogador. Isto dá a oportunidade ao jogador de se poder vingar de um capitão que o tenha morto. Mas o mais interessante é esse capitão lembrar-se do conflito e estar mais forte que antes. Este sistema traz uma “vida” diferente ao jogo, uma imersão totalmente diferente. Se quiserem outra prova disso, têm aqui um pequeno artigo de opinião do meu colega Luís Magalhães, que acabou por criar um arqui-inimigo. Será que ele se safou?

Analise

O sistema Nemesis é o verdadeiro ponto alto do jogo

Por muito que seja aparente que o jogo use mecânicas de Assassin’s Creed e da série Batman Arkham, estas funcionam melhor do que nunca, e justificam o seu uso de forma exímia. Quem for fã dos outros dois títulos, Shadow of Mordor ser-lhe-à muito familiar e fácil de habituar. Em nota pessoal, adoraria ver o sistema Nemesis a ser usado noutros jogos. Conseguiram criar uma jogabilidade sólida e agradável, mas ainda podemos encontrar algumas falhas, principalmente quando o jogador está a passar perto de uma parede, onde parece que o boneco fica preso. Não é grave, mas torna-se incomodativo.

Analise

Os próprios Uruks estão em constante guerra entre si

O jogo, sendo do género de mundo aberto, tem muito para o jogador explorar, e isso inclui missões secundárias. Estas missões secundárias envolvem salvar humanos que estão a ser escravizados por Uruks, ou então conflitos entre estes inimigos. Estes são as missões secundárias mais divertidas, pois podem variar entre emboscadas, onde o jogador intervém na emboscada que um capitão faz a outro. Temos duelos, onde os capitães lutam uns contra os outros numa batalha por poder, à qual o jogador pode manipular o resultado da batalha derrotando os dois ou derrotando um para beneficiar o outro. Nos recrutamentos o jogador interrompe uma sessão de recrutamento de um capitão, podendo escolher entre uma abordagem furtiva ou agressiva. E por fim temos as vinganças, onde temos a oportunidade de vingar os nossos amigos online, derrotando capitães que os mataram nas suas experiencias de jogo.

Shadow of Mordor é um título de ação e aventura, com vários elementos RPG. O jogador ganha experiência para subir de nível, garantindo pontos para comprar habilidades novas, temos uma barra de poder, que desbloqueia níveis novos na árvore de habilidades. O jogador ganha poder derrotando capitães e warchiefs, somando o poder do inimigo à sua barra de poder. A árvore de habilidades não tem muita complexidade e permite ao jogador obter todos os upgrades da mesma, ao contrário de um RPG complexo, onde o jogador terá ou poderá escolher as habilidades que melhor se adaptem ao seu estilo de jogo. Contudo, somos compensados com habilidades interessantes.

Graficamente o jogo mostra-nos uma boa representação de Mordor, excelentes texturas e níveis de detalhe muito impressionantes. Já começamos a ver nos jogos next-gen um maior nível de detalhe a nível de design de personagens e em neste título, notamos esta particularidade maioritariamente nos Uruks. O mundo também é extremamente detalhado, o que por vezes me levou a parar o que estava a a fazer, subir a um ponto alto e admirar a paisagem. A nível de performance o jogo corre sem grandes problemas, por isso podem contar com um grafismo fluido e sem quebras. Shadow of Mordor corre à resolução de 1080p com 60 frames por segundo desbloqueados, por isso poderão contar com um ou outro frame drop em casos muito esporádicos.

Analise

Inimigos extremamente detalhados e com várias variantes

O audio do jogo também está muito bem trabalhado, especialmente para quem gosta de um bom toque de autenticidade. O metal a bater nas armaduras de ferro, nos escudos de madeira, os efeitos sonoros e as já referidas vozes estão muito bem-feitas. A sensação de lutar contra hordas de inimigos e ouvirmos um constante barulho de espadas e escudos chocar, cordas a esticar, o barulho da multidão e as ordens dos comandantes inimigos dão uma enorme tensão e imersão no combate do jogo.

Em conclusão, Shadow of Mordor foi um dos melhores jogos que tive o prazer de jogar este ano. O jogo colou-me de início ao fim, principalmente porque consegue puxar ao máximo a minha obsessão de estar constantemente a matar generais Uruks, pelo simples prazer de me provar mais forte e tático que eles. Dei por mim horas e horas sem fazer missões da campanha pois estava ocupado a derrotar e possuir capitães inimigos. Relativamente à campanha, é um jogo que não entra no “canon” das obras de J.R.R. Tolkien por criar algumas inconsistências no mesmo, mas não vejo o jogo a ser “banido” do clube de fãs das obras do autor. A campanha manteve-me interessado durante a duração total do jogo, excepto o último boss que me desiludiu por completo. É um inimigo que não faz sentido lutarmos contra ele, nem a facilidade que temos em derrota-lo. Dou um 90/100 em vez de um 95/100 principalmente por causa do último boss. Contudo não é isso que vai estragar a experiência do jogador, pois até o jogador chegar a este ponto irá ter cerca de dez a quinze horas de distração pela frente. O jogo pega no bom de outros jogos, mistura tudo com as suas mecânicas novas e traz-nos uma experiência nova e interessante, juntando a essa experiência efeitos sonoros e vozes muito bem trabalhadas.

Shadow of Mordor entra assim na minha lista de top 5 jogos deste ano (por agora), e será certamente um jogo a considerar quando for a votação para os melhores do ano.

Resta saber se esta será a nova série que a Warner Bros. Interactive Entertainment irá seguir, após a trilogia Batman Arkham.

[display_label style=success]Pontos Positivos[/display_label]

  • Sistema Nemesis
  • Audio e voice acting
  • Mundo aberto sempre em evolução
  • Detalhes das personagens
  • Boa implementação de mecânicas de jogo já conhecidas pro outras séries de jogos
  • Poderes interessantes
  • Desafiante
  • Relações entre o jogador e inimigos
  • Execuções

[display_label style=negativo]Pontos Negativos[/display_label]

  • Protagonista desinteressante
  • Final
A cópia analisada foi a da versão PlayStation 4, cedida pela distribuidora do jogo.

Related posts