26 Nov 2020
PS4

Análise Street Fighter V

Uma luta de rua que perde o seu charme na primeira ronda.

Street Fighter é um nome que muitas empresas vêm como uma referência. A obra de Yoshinori Ono e da Capcom tornou-se num dos nomes de maior impacto no género dos jogos de luta. É por isso que, quando descobrimos que um novo jogo da serie será lançado, acabamos por nos entusiasmar com a ideia de ver que novidades é que poderão ser apresentadas.

Analise-StreetFighterV-1

Neste caso, algumas das novidades são mais óbvias, outras nem por isso. A que muitos irão reparar é o desaparecimento da Ultra Gauge e da EX Bar, que neste caso foram substituídas pelos V-Gauge e CA Bar, respetivamente. A CA Bar, ou Critical Arts Bar, funciona do mesmo modo que a EX Bar de Street Fighter IV, onde o jogador, ao fazer movimentos ofensivos irá encher a barra, para poder fazer ataques especiais mais fortes e o seu Critical Art Attack. A V-Gauge introduz uma nova mecânica, que acabou por substituir o Focus e a Ultra Bar. Quando o jogador leva dano, vai enchendo a sua V-Gauge, que depois permitirá o jogador utilizar a sua V-Skill, V-Reversal e V-Trigger. A V-Skill é uma habilidade única, de personagem para personagem, sendo o substituto do Focus (MP+MK). A V-Trigger ativa uma propriedade na personagem que lhe aumenta alguma propriedade, como por exemplo, o Birdie, dá mais dano com a sua V-Trigger ativa, enquanto que o Charlie apenas lhe permite extender os seus combos ou ganhar algum algum terreno em relação ao oponente. Por fim, a V-Reversal é uma reencarnação do Alpha Counter, que existia na série Street Fighter Alpha.

Outras novidades incluem alterações nos parâmetros do Chip Damage (dano que o jogador recebe quando está a bloquear), sendo que agora já não é possível ganhar um combate com este tipo de dano, a não ser que seja com um Critical Art. Agora também é mais fácil os Links entre os ataques, o que significa que o jogador agora terá mais facilidade em fazer combinações de ataques, visto ter uma janela de frames maior para os fazer.

Analise-StreetFighterV-2

De um ponto de vista técnico, Street Fighter V é um jogo muito mais acessível e fácil de se jogar que o Street Fighter 4. Os jogadores novos até têm direito a uma demo/tutorial quando iniciam o jogo pela primeira vez.

Visualmente, não posso negar que o jogo mantém o nível artístico que já os tinha sido apresentado no título anterior. Desta vez contamos com uns efeitos aguados, dando a ideia de ser Ki da personagem a fluir à sua volta. As personagens têm o aspeto realista, mas estilizado, que também já tinha sido apresentado em Street Fighter 4.

Continuando a falar de pontos positivos do jogo, temos a banda sonora. A Capcom continua a produzir excelentes faixas de audio para cada personagem, sendo que neste título algumas a que deverão dar uns minutos para ouvir serão a do Nash e da Laura

Agora a nível de conteúdo é quando começamos a ver as falhas do jogo. Para começar, temos alguns conteúdos que estão bloqueados, como é o caso do modo Challenge e da Shop, que, segundo o jogo, estarão disponíveis a partir de Março num update gratuito. Honestamente, se isto era o caso, mais valia adiarem o jogo até Março, porque o conteúdo é pouco, simplesmente para dizer quase nenhum.

O modo história é capaz de ser o maior desperdício de tempo que alguma vez foi introduzido num jogo de luta. Em qualquer um, no modo Arcade/História, o jogador escolhe uma personagem e luta com uma série de oponentes, recebendo no início e no fim uma pequena cinemática sobre a personagem escolhida. Qualquer coisa que explique a existência da mesma naquele jogo. No entanto, no Street Fighter V, as Histórias de cada um tornam-se tão ridículas, que se o jogador não perder o interesse em fazer mais nenhum, simplesmente faz o resto sem prestar atenção. Um exemplo disto, é a do Ken, que não explica o novo visual, apenas demonstra que está casado e tem um filho, e que numa noite onde vai jantar fora com a família, ele cruza-se com algumas pessoas que o desafiam para um combate… incluindo a dona do restaurante… sim, vocês leram bem. O modo história não contextualiza nada, não nos apresenta as personagens nem o seu passado. Resume-se basicamente a uma história pequena, representada em três combates de uma ronda, e em alguns casos, apenas dois.

Já agora, no mapa do Brasil, em vez de terem o Cristo Rei no topo da montanha, têm o troféu da Copa do Mundo. Não sei porquê, mas pareceu-me relevante falar sobre isto.

Analise-StreetFighterV-4

Quanto às personagens, contamos com o regresso de algumas e a estreia de outras. Laura, Rashid, Necalli e F.A.N.G são as quatro personagens que se estreiam na série, enquanto que Nash, Karin, Birdie e R. Mika voltam à luz do dia, após terem desaparecido durante uns anos. De resto, podem contar com os de costume, como o Ryu, Ken, Chun-Li, Dhalsim, M. Bison, Cammy, Vega e Zangief. Um total de 16 personagens no lançamento. Vergonhoso, visto que até o Street Fighter 4 teve 25 personagens no seu lançamento, tenho subido para as 45 na última versão, Ultra Street Fighter 4.

Analise-StreetFighterV-6

O modo online é mais um caso problemático neste jogo. Os servidores estão longe de estarem perfeitos, o que leva a que muitas vezes fiquemos entre quatro a cinco minutos a tentar encontrar um adversário. As lobbies têm sempre problemas de coneção quando tentamos entrar numa. A única vez que consegui entrar numa foi quando me juntei à de um amigo. Dentro das lobbies podemos alterar alguns parâmetros, como por exemplo, fazer um combate à melhor de três, à melhor de cinco, definir o tempo, e mais algumas funções. As Casual Matches são um bom lugar para fazermos umas lutas sem a preocupação de perdermos pontos, enquanto que nas Ranked Matches, lutamos para ganhar o máximo de League Points possíveis, para subirmos no escalão.

Analise-StreetFighterV-3

Tanto o jogador, como as personagens, têm um nível que vai evoluindo à medida que jogamos. O nível do jogador vai indicar a sua experiência em geral, enquanto que a de uma personagem indica a experiência que o jogador tem com ela. De momento não parece haver nenhum fator que seja afetado por isto, mas presume-se que futuramente será para melhorar o matchmaking, de modo a que um jogador novo não apanhe um jogador experiente.

Por fim, o que nos sobra, é o modo Survival, onde podemos escolher quatro dificuldades diferentes e tentar aguentar o máximo de combates possível. Os combates são de uma ronda e entre cada um deles podemos comprar, com pontos, algumas habilidades que nos ajudam a aguentar mais tempo.

Em suma, Street Fighter V encontra-se numa situação muito precária que só vai ser resolvida com muitos Gigabytes de updates ao longo dos próximos meses. Um dos elementos mais importantes, que neste caso é o Challenge Mode, não está presente, visto ser o modo ideal para os jogadores perceberem como funcionam os combos de cada personagem, e como os hão-de executar. Uma tarefa que se torna difícil ao irmos para o modo de treino e “inventarmos”. Os servidores ainda estão longe de estarem optimizados, mas é mau de todo. Diria que um em cada cinco combates era capaz de ter uns problemas de coneção. A quantidade de personagens é deplorável, principalmente para um jogo de 2016. Olhamos para o Naruto Ultimate Ninja Storm 4 ou para o Super Smahs Bros. e estes jogos trazem um leque de personagens enorme, em comparação. Até mesmo o Mortal Kombat X, um dos jogos concorrentes a este saiu com um total de 25. O modo história foi uma oportunidade perdida de nos apresentar às personagens novas e aos acontecimentos do jogo. Isto se é que haja algo.

Analise-StreetFighterV-5

De momento o jogo encontra-se longe de estar bom. A única razão que terão para comprar o jogo é a fluidez dos combates e pelo quão é divertido jogar com as personagens, porque de resto, pouco terão para fazer. Futuramente o Foxbyte fará um ponto de situação para vos informar como o jogo tem evoluído, visto que a Capcom tem partilhado nas redes sociais que andam a trabalhar nos problemas que a comunidade anda a pedir que sejam vistos com urgência.

Agora numa análise, lanço uma questão: Estará Street Fighter V bom até à EVO 2016? A equipa irá acompanhar o jogo para vos informar disso.

Related posts