12 Nov 2019
PS4

Análise – Call of Duty: Black Ops III

Mais um ano, mais um Call of Duty. Será que a Treyarch regressa em boa forma?

Abandonando por completo a Segunda Guerra mundial e a guerra fria, a Treyarch traz-nos mais um título futurista. O enredo passa-se em 2065, numa altura onde robots dominam os campos de batalha e humanos estão a receber implantes cibernéticos que aumentam a capacidade física e mental, criando assim super-soldados. Ao iniciarmos a campanha somos presenteados com um menu de escolha do sexo e da aparência do nosso personagem, mas a customização é muito limitada, tendo apenas 6 caras disponíveis e não as podemos modificar. A história não é memorável como os anteriores, nem tem personagens tão bons como Mason, Woods ou Menendez, mas tem os seus momentos e aborda o tema dos implantes cibernético de forma bastante interessante. Não se preocupem, as explosões e a acção de fazer inveja a B.A Baracus e companhia continuam presentes. A campanha pode ser jogada a solo ou em modo cooperativo até 4 jogadores, tanto local (limitado a 2 jogadores) como online.

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Como o nosso personagem sofreu implantes, temos habilidade motoras superiores que nos permitem correr nas paredes e dar saltos duplos e longos com a ajuda de thursters. Em Black Ops 3 podemos nadar, mecânica introduzida na série em Advanced Warfare, havendo assim zonas com água onde nos podemos esconder dos inimigos. As novas mecânicas estão disponíveis tanto na campanha como no multiplayer, sendo que na primeira terão de ser equipadas no loadout.

Não é das melhores histórias em Call of Duty, mas a componente co-op e os desbloqueáveis vão levar à sua repetição.

A forma de como jogamos a história é totalmente diferente do habitual, a começar pelo facto de termos as missões todas desbloqueadas de inicio, podendo então começar logo pela conclusão da história se assim o quisermos. Também temos um sistema de níveis semelhantes ao online: armas para desbloquear e extras para as mesmas, equipamento, fatos e objectos para customizar o nosso quarto. Este quarto encontra-se no “hub” onde podemos visitar os quartos dos nossos companheiros caso estejamos em co-op, iniciar missões, alterar os loadouts e adquirir ou actualizar habilidades. As habilidades denominadas CyberCores, estão divididas em 3 categorias: Control, Martial e Chaos, podendo apenas uma uma categoria ao mesmo tempo.

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A campanha tem muito replay value, pois agora podem desbloquear dezenas de calling cards através do modo de história. Outra adição ao jogo foi a dificuldade Realistic, que como o próprio nome indica, torna o jogo mais realista, pois morremos só com uma bala ou pancada. Apesar de achar o modo bastante injusto também o acho bastante divertido jogado em com amigos, pois requer grande estratégia e coordenação em equipa.

Foi adicionado também o modo Freerun, que consiste numa série de 4 desafios parkour, e é inevitável não fazer comparação com Mirror’s Edge. Somos postos num circuito com obstáculos e temos como objectivo chegar ao final do percurso o mais rápido possível. Não existem inimigos neste modo, mas é uma forma de aperfeiçoarmos as nossas habilidades de parkour.

O modo online continua rápido, divertido e com carradas de coisas para desbloquear.

O regresso da Treyarch ao mundo de Call of Duty marca também o regresso de alguns pontos característicos do multiplayer, tais como criação de emblemas e scorestreaks, que ao contrário dos Killstreaks são chamados através do número de pontos, incentivando assim o jogador a ajudar no objectivo da partida. Uma das mudanças mais notórias no multiplayer é o facto de termos que escolher um specialist, que vai servir de avatar para usar nas partidas, e cada um dos 9 specialists tem uma habilidade e uma arma única (só podemos escolher a arma ou a habilidade) que estarão disponíveis para usar quando o indicador das mesmas estiver carregado. À medida que vamos completando desafios com eles, os nossos Specialists podem receber roupa, capacetes e provocações novas. Estas “taunts” serão exibidas no fim de cada partida, caso tenhamos ficado nos 3 primeiros lugares do leaderboard, muito ao estilo de Destiny. No inicio só temos 4 specialists disponíveis e iremos desbloquear os restantes ao subir de nível.

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Como referi acima, a criação de emblemas está de volta, mas a equipa de David Vonderhaar foi mais longe e implementou um editor de pinturas para as armas, que funciona da mesma forma que o editor de emblemas. Grande parte das formas para o editor são desbloqueados através de desafios que teremos de completar nas partidas ou subindo de nível. O desbloqueio dos calling cards é feito da mesma forma.

Os modos de jogo do antecessor estão quase todos presentes, pelo menos os mais importantes estão lá: Team Death Match, Free for allcapture the flag, kill confirmed, hardpoint, search & destroy e domination, com variantes de Core e Hardcore. Como modos novos temos Safeguard que já tinha aparecido em Ghosts e Uplink que foi introduzido em Advanced Warfare.

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O sistema de progressão online é bastante semelhante ao de Black ops 2: subimos de nível para desbloquear armas, equipamento e perks mas temos de usar tokens para os “comprar”. Existe também um Black Market onde trocamos Crypto Keys por Supply Drops com itens cosméticos e taunts. As Crypto Keys são ganhas à medida que vamos jogando, não estando relacionadas com a EXP nem o número de frags que acumulamos.

Os mapas continuam a ter um tamanho adequado a batalhas rápidas sem que tenhamos de andar metade do jogo à procura de inimigos. A grande diferença na arquitectura dos mapas em relação aos antecessores, é a inclusão de elementos apelativos ao uso dos thursters, tendo então várias paredes para subir e fendas entre edifícios para usar o wall running. Podemos disparar enquanto corremos nas paredes, por isso preparem-se para tiroteios épicos à la Matrix.

O modo mais amado pelos fãs da Treyarch também está de regresso. Call of Duty Zombies apresenta-se na nova geração com dois mapas, Shadows of Evil e The Giant. Não tive acesso a The Giant, pois isso só vou falar de Shadows of Evil. A única coisa que posso adiantar sobre The Giant é que é um remake de um dos mais famosos cenários de Zombies em Call of Duty: Der Riese.

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Shadows of Evil leva-nos aos anos 40 para a cidade fictícia de Mogg City, onde acompanhamos Nero Blackstone (Jeff Goldblum), Jessica Rose (Heather Graham), Jack Vincent (Neal McDonough) e Floyd Campbell (Ron Perlman) por um reino de sombras, infestado de Zombies. Shadow Man atirou este 4 indivíduos para uma versão demoníaca da cidade, por castigo pelos pecados que eles cometeram, deixando-os assim à mercê de um destino previsível. A mecânica deste modo é a mesma: sobreviver a infinitas vagas de inimigos num mapa repleto de segredos, zonas para abrir e as clássicas máquinas que nos auxiliam na chacina de mortos vivos e outras criaturas. Temos também a possibilidade de entrar em Beast Mode, onde nos podemos transformar numa criatura permitindo ao jogador fazer upgrade às máquinas e matar zombies em grande estilo.

Existem também as GobbleGums, que são pastilhas que podem encontrar em máquinas de venda espalhadas nos mapas. Podem criar pacotes personalizados antes de cada partida. Estas pastilhas permitem ao jogador ganhar diversos bónus. Liquid Divinium pode ser usado na Dr. Monty’s Factory para criar versões Mega das GobbleGums. O Liquid Divinium é encontrado in-game ao executar diferentes acções e a Dr. Monty’s Factory encontra-se no menu principal do modo Zombies.

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O som mantém-se no ponto. Aquele ambiente sonoro cinemático continua ser um dos pontos de qualidade da franchise. Graficamente está bom, mas tem algumas falhas. Algumas texturas estão muito bem conseguidas e destaco o trabalho de iluminação que está fantástico, mas por vezes encontramos texturas a renderizar. As caras dos personagens principais estão muito boas, mas os personagens secundários parece que não tiveram metade da atenção. Nunca tive quebras de Frame Rate, mas senti um peso enorme na consola caso fosse para o menu dela com o jogo a correr, nada de preocupante que me estragasse a experiência de jogo.

Em suma, Call of Duty: Black Ops III marca a entrada da Treyarch na nova geração com o pé direito. O gameplay rápido e divertido que é característico da série, a juntar à grande quantidade de conteúdo desbloqueável e a variedade de modos de jogo, aumenta ainda mais a longevidade. A inclusão de modo cooperativo na campanha foi uma decisão acertada, a história aborda temas interessantes e tem boas ideias, mas no fim acaba por ser apenas “mais uma”.

Analisado na PlayStation 4.

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