25 Out 2020
Switch

Análise – Xenoblade Chronicles: Definitive Edition

Um dos maiores clássicos da Wii ganha nova vida na Nintendo Switch.

Muito mais que uma simples conversão HD de um do melhores JRPGs da Wii, Xenoblade Chronicles apresenta-se na Nintendo Switch com novo visual, e mais conteúdo para explorar. Já tinha recebido um port para a New Nintendo 3DS onde pouco adicionava à experiência, mas neste caso a Monolith Soft esmerou-se e fez justiça ao “Definitive Edition” no título.

No mundo de Xenoblade Chronicles era um oceano gigantesco, onde dois titãs, Bionis e Mechonis lutaram até ao ponto de estagnarem e se tornarem o lar de várias civilizações. Bionis tornou-se o lar dos humanos e Mechonis o lar dos Mechon, seres mecânicos que são os inimigos mortais dos humanos. Os Mechon apenas podem ser derrotados por Monado, uma espada com propriedades desconhecidas e que está a ser estudada por Shulk, um jovem cientista que vive numa colónia. Após um ataque à sua colónia, Shulk vê-se obrigado a usar Monado, mas sem efeito contra o líder desse ataque e que acaba de causar algumas casualidades que levam Shulk e Reyn, um dos seus amigos de infância, a embarcar numa jornada para se vingarem do líder do ataque Mechon e no processo, desvendar todos os segredos da Monado.

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition tem um visual totalmente melhorado em relação ao original. Muito mais que um simples upscalling, o jogo levou vários filtros que para além de serem bastantes agradável à vista, dão muito mais expressão e vida aos personagens, o que também aumenta a carga emocional da história. Algumas texturas ficam aquém do resto do jogo, mas de modo geral, estava nova versão muitas vezes parece-se com o seu sucessor. Essa semelhança traz um problema que Xenoblade Chronicles 2 tinha: o modo portátil. Enquanto estamos a jogar na TV, o jogo é fantástico, mas em modo portátil fica com uma resolução estranha, principalmente em áreas com relva.

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition é muito mais apelativo que as suas versões anteriores, não só pelas melhorias gráficas e no som, mas também na forma como as coisas se apresentam. O menu foi completamente refeito. Está muito mais limpo e organizado. Com isto, o HUD também sofreu o mesmo tratamento, o Quest Tracking for completamente refeito, o que torna muito melhor a tarefa de completar Side Quests, e saber para onde ir.

Passei cerca de 60 horas na história principal, isto porque a meio decidi deixar de fazer missões secundárias, e no final da jornada fiquei com alguns pontos demasiado negativos para apontar, mas que ainda assim não conseguiram estragar a história. É sem dúvida um excelente jogo dentro do género. A jogabilidade parece confusa ao inicio, mas é extremamente simples em comparação com o seu sucessor, mas o grande problema é a inteligência artificial de alguns dos personagens, problema que já vem desde a Wii. Ao contrário de Xenoblade Chronicles 2, apenas conseguimos controlar o personagem que temos como líder, e por vezes era frustrante ver alguns dos personagens a tomar decisões que acabavam por comprometer a party.

No que toca à narrativa, Xenoblade Chronicles tem a qualidade que a série Xeno já nos veio a habituar desde Xenogears. O mundo que nos apresenta é fascinante assim como a sua mística, mas devo confessar que existe muito “chouriço” pelo meio. Algumas áreas mais para o final são claramente enormes para aumentar a longevidade, o que me fez passar por elas a correr, ignorando grande parte do conteúdo secundário. É algo que os RPGs sofrem bastante, onde por vezes preferem sacrificar o produto de forma artística para dar alguma longevidade. Mas os personagens bem construídos e reviravoltas na história, fizeram-me querer voltar ao jogo, e no fim acabaram por compensar.

Esta versão traz também “Future Connected“, um epilogo com quase 2 dezenas de horas de jogo extra, que se passa um ano após os eventos do jogo base. Fica sem dúvida aquém do jogo base, mas é um mimo para os fãs do jogo, e é sempre interessante descobrir mais sobre o mundo que nos apresentam e claro, é um extra de peso que dá mais valor ao pacote.

Xenoblade Chronicles Definitive Edition pode ter muitos defeitos, mas é uma das melhores remasterizações até à data. A Monolith teve o cuidado de apresentar um produto de qualidade que parece ter saído nesta geração, e ainda nos ter dado um epilogo gigantesco. Infelizmente, a AI dos personagens continua a ser bastante fraca, algo que podia ter sido resolvido com a solução que arranjaram em  Xenoblade Chronicles 2: conseguir trocar de personagem a meio da batalha.

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition
9 / 10 Pontuação
Resumo
Um dos RPGs mais marcantes da Wii regressa na Nintendo Switch com novos gráficos, banda sonora melhorada e um epilogo com quase 20 horas.
Rating9

 

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