09 Ago 2020
PS4

Análise – The Last of Us: Part II

Chegou finalmente a tão aguardada sequela de uma das experiências mais marcantes nos videojogos, The Last of Us: Part II. Leiam a nossa análise, spoiler-free onde tentamos transmitir-vos o que foi jogar uma experiência que nunca imaginámos possível. Até hoje.

Mais uma vez, descansamos os vossos corações: podem ler a nossa análise com toda a segurança e confiança. Todos os acontecimentos que afectem a história foram deixados de lado.

Queremos muito falar-vos da história mas isso fica para comentarmos entre nós, quando todos a tivermos vivido.

Foram precisos sete anos; sete longos anos até a Naughty Dog continuar a história de Joel e Ellie. Neil Druckmann (escritor e director) comentou que fazer The Last of Us: Part II era um grande risco para o estúdio uma vez que o primeiro jogo tinha sido muito adorado pelos jogadores. Mas os sentimentos foram mais fortes e a equipa deitou as mãos ao trabalho. Valeu a pena o risco.

Um pouco de contexto para quem está a chegar

Se nunca jogaram The Last of Us, devem sem sombra de dúvidas jogar antes de jogar este novo capítulo. Apesar de no decorrer do jogo serem feitas inúmeras referências e conclusões à aventura passada, não deixem de jogar um dos melhores jogos da anterior geração.

Dica: The Last of Us: Remastered está a 9,99€ na PlayStation Store. Têm menos de uma semana para o terminar!

Em suma (ou se preferirem, podem ler a nossa análise), The Last of Us é um jogo de acção-aventura conta a história de Joel, um pai que tinha acabado de perder a filha durante um surto de um fungo que transformava os humanos em monstros infectados. Os anos passaram e Joel foi pelo caminho encarregue de uma missão: transportar e assegurar a sobrevivência da jovem Ellie.

Pelo caminho, Ellie afirma já ter sido mordida por um infectado mas não se tinha transformado. Perante a revelação, descobrem que Ellie é imune ao virus e a salvação da humanidade pode estar nas suas mãos.

Com isto chega-nos o desfecho de The Last of Us, Ellie é entregue aos Fireflies, um grupo rebelde que contava com um elemento muito importante, um virologista capaz de criar uma vacina a partir da Ellie. O grande senão chegou pouco depois; Joel soube que caso usassem a Ellie para criar a vacina ela iria morrer e com isto lançou-se um dilema moral. Salvar a pessoa que mais amas, ou salvar o mundo?

A aventura termina com os dois a fugirem do hospital e com Joel a contar a Ellie que afinal ela não é a única imune no mundo e que existem outras pessoas que podem ajudar com a vacina.

Verdade? Mentira? Venham jogar The Last of Us: Part II, mas antes, leiam o que nós vivemos.

A experiência mais ambiciosa da Naughty Dog

Por onde começar? Não é fácil arranjar palavras depois de se terminar The Last of Us: Part II. A Naughty Dog conseguiu mais uma vez deixar-nos sem palavras e desta vez foi do início ao fim.

O novo capítulo desta fantástica narrativa apresenta-nos uma Ellie transformada pelo tempo e pelos acontecimentos que decorreram até aos dias de hoje. Agora a viver em Jackson, onde se encontram também Joel e Tommy (irmão de Joel), Ellie está mais sombria, assombrada pelo seu passado e parece ter perdido a alegria que chegou a mostrar-nos no primeiro jogo.

Numa primeira perspectiva, quando começamos a jogar, achamos estar perante uma simples e linear narrativa mas tudo se transforma. Sinceramente, nunca jogámos nada que fosse tão brutal, sombrio e emotivo como TLOU2. Por várias vezes pousámos o comando para simplesmente respirar, não vão jogar nada na PlayStation 4 que faça o vosso coração tremer tanto.

É uma história que nos coloca na pele do protagonista de forma exemplar e que nos faz, a nós próprios questionar: “e se fosse eu?”; é incrível como a Naughty Dog consegue fazer isto com um jogo! Já não são apenas dilemas, é uma história de obsessão, vingança, decisões, caminhos, de sabermos quando é que devemos desistir ou continuar.

Vão ficar perplexos com as voltas que o jogo dá e com as voltas que o vosso coração dá à medida que tenta acompanhar. Em vários momentos tratamos os outros de forma completamente desumanas, sem piedade e com apenas a nossa sobrevivência em vista.

No que toca a violência não estamos a exagerar, vão se encolher enquanto jogam TLOU2. Não há jogos com este nível de detalhe em termos de violência ou gore contra outros humanos, dá para literalmente desmembrar os nossos inimigos através das várias armas ao nosso dispor.

The Last of Us: Part II ronda vários temas em simultâneo e procura colocar-nos, os jogadores, em várias perspectivas durante o seu desenrolar para que nós próprios consigamos criar empatia com os personagens e sentir tudo na pele, tudo na primeira pessoa, como se lá estivéssemos; nunca pensei sentir pena de personagens, acabam por se esquecer por breves momentos de que estão a viver um videojogo, é incrível. Nenhum jogo teve este impacto nas nossas vidas até hoje. Levou-nos a comprovar que tanto somos capazes de um amor eterno como do oposto, um ódio que nos leva a qualquer limite. Mas até quando?

Visualmente impressionante

É um fecho perfeito para a geração actual de consolas e para todos os compradores da PlayStation 4. Visualmente vai deixar-vos boquiabertos; desde os cenários até aos detalhados (ao limite) personagens.

Dentro e fora das cutscenes, tudo é desenhado ao máximo rigor e detalhe, algo que já é uma imagem de marca da Naughty Dog, ou não fossem os meninos responsáveis também por Uncharted. Os modelos estão todos perfeitamente desenhados cheios de pequenos pormenores que os caracterizam de forma única, quem olhar com atenção consegue ver os tremores na mão da Ellie ou o seu respirar. As expressões faciais estão divinais e um dos aspectos que mais impressiona é o olhar dos personagens, nunca vimos nada tão compenetrado como um olhar daqueles; comunicam connosco mesmo sem usar palavras.

A diversidade de localizações é maior em relação a The Last of Us e a dimensão de toda a acção é muito maior mas nem por isso houve perda de qualidade nos visuais. Edifícios abandonados que só queremos é sair, linhas de metro, selva; tudo está na perfeição e até a chuva que nos assombra nessa paisagem já dantesca, coloca outro nível de profundidade na tensão que vivemos.

Para além da modelação de personagens e ambientes (que estão igualmente incríveis), não podemos deixar de parte a animação. A forma como Ellie se movimenta, agacha, ou rasteja está realista e várias vezes perdia-me com a quantidade de detalhes quando interagia com as armas, fosse a fazer upgrades ou até simples recarregamentos de animações. Quando mais nervosa ou a correr sentia-se tudo tão realista, como se os carregadores não entrassem logo; tudo muito real que se tornava aflitivo.

O sound design foi dos maiores focos da Naughty Dog

Também não foi escondido ou esquecido, o trabalho tanto com a banda sonora como com os vários sons usados em TLOU2. Em relação à banda sonora (escrita em parte por Gustavo Santaolalla) conseguiram dar ainda mais um passo em relação ao anterior: está mais sombria e mais emocional. Ouçam por vocês:

A sonoplastia é tão boa que vos obriga a jogar ou com um excelente sistema de som ou com headphones. Está carregada de pequenos pormenores como por exemplo a Ellie a queixar-se de dores, as munições a cair ao chão enquanto disparam, o eco das salas escuras e vazias ou o mais aterrador de todos: os clickers.

Só dá vontade de dizer asneiras quando encontramos estes meninos pela frente e não temos por onde fugir. Estão ainda mais aterradores do que na prequela. Assim que os começamos a ouvir é hora de respirar fundo e preparar para o pior.

Fórmula Naughty Dog com melhorias

A essência do estúdio respira-se de uma ponta à outra. Os menus, colecionáveis, forma de interacção entre personagens e objectos: tudo é nos familiar e depressa se vão habituar às mecânicas.

Existem no entanto novidades. O foco mantém-se em abordar sempre que possível as situações em modo furtivo, usando a vegetação agachados ou se preferirem, deitados. Uma das novidades em TLOU2 é a forma como podemos navegar a rastejar entre as áreas, eliminando os inimigos um por um.

Usando o sistema listen que nos permite ouvir e estudar os passos dos nossos inimigos, devemos sempre contar bem as munições que temos em mãos e avaliar qual a melhor abordagem. Modo Rambo vai resultar rapidamente num jantar de Ellie a ser servido aos infectados.

Uma nova abordagem nos ataques é o facto da Ellie agora conseguir nadar, isto permite navegar e atacar os nossos inimigos de outra forma.

Com o desenrolar da aventura, vão apanhando os imensos colecionáveis que existem espalhados por tudo quanto é canto e também recolhendo comprimidos e peças que permitem melhorar as vossas armas, ou desbloquear novas habilidades. As melhorias das armas são feitas em workbenches, uma das novidades. Há vários e as melhorias das armas são também muitas, vão precisar de selecionar qual o vosso arsenal favorito.

Ellie está agora mais crescida e já não depende de Joel para subir a uma simples caixa ou trepar uma corda que anteriormente não teria força para o fazer. O mundo em TLOU2 está muito mais vasto e perigoso, há vários caminhos para chegar ao nosso objectivo e o desafio é realmente lá chegar.

Para quem for fã de colecionáveis pode contar com uma vasta quantidade deles, com alguns easter eggs pelo caminho que não vamos revelar aqui, fica para vocês. Prometemos apenas o sorriso.

Se gostam de caçar troféus, fiquem descansados, quando terminam o jogo existe uma indicação por capítulo de quantos colecionáveis encontraram e podem ir capítulo a capítulo à caça do tesouro.

Violência sem limites

Nunca esperaram viver algo tão violento e brutal na vossa PlayStation 4. Aconselhamos, do fundo do coração a não jogarem TLOU2 junto de pessoas mais sensíveis à violência porque aqui vão ver de tudo. Nunca a violência humano-humano foi tão realista que nos faz questionar até onde somos capazes de ir.

Como já tínhamos dito, os inimigos são literalmente reduzidos a cinza em algumas situações, mas noutras podem simplesmente atravessar-lhes uma seta na cabeça e no final ainda ir lá com o pé arrancar porque hey, as setas fazem falta…

Para além dos já conhecidos inimigos, foram introduzidos novos como por exemplo humanos muito maiores (e mais fortes) que prometem um desafio adicional, cães que cheiram e detectam-nos, alertando da nossa posição. Do lado dos infectados temos os Shamblers, um inimigo muito mais difícil de deitar abaixo e que nos ataca com um gás capaz de nos atordoar e deixar expostos.

Em vários momentos vão sentir o vosso coração acelerar e o suor a chegar tal é a brutal tensão que muitos momentos do jogo nos proporciona. Afecta-nos e faz-nos viver de uma forma incrível algo que nunca achámos ser possível.

estamos perante mais um ícone dos videojogos, um candidato a jogo do ano e quem sabe, da geração

Quando entramos num corredor cheio de janelas partidas, tudo escuro e somos apenas nós, uma luz e uma pistola. Acreditem, vão querer correr pela vossa vida dentro e fora do jogo!

Amantes de fotografia? Preparem-se para o Photo Mode

Acabámos o jogo com mais de 30 fotografias. Sim, 30 fotografias e foi porque a certo ponto fomos obrigados a deixar a câmera de lado porque senão ainda estaríamos a jogar. Como tem sido habitual em jogos do género, o Photo Mode está presente e The Last of Us: Part II é um título perfeito para usar e abusar do mesmo. Há situações que proporcionam imagens incríveis, infelizmente ainda não as podemos partilhar convosco.

A pensar em todos, como os videojogos devem ser

A Naughty Dog ganhou ainda mais espaço nos nossos corações quando vimos a quantidade de opções que nos permitem personalizar The Last of Us: Part II, em termos de accessibilidade. Nos dias de hoje, todos os jogos deviam tomar isto como exemplo.

Através de uma entrada no menu conseguimos ter acesso a um vasto leque de opções que permitem auxiliar os jogadores que careçam de dificuldades ao jogar. Temos opções a pensar em jogadores com dificuldades de visão ou com deficiência visual.

Podemos configurar todas os botões ao nosso gosto e de forma inteiramente livre bem como activar setas de orientação ou outras ajudas. Obrigado Naughty Dog.

Os habituais modos de dificuldade também estão lá, mas agora há uma novidade: podem por exemplo escolher o modo mais difícil de todos mas depois ir a opções individuais como “ter mais munições” ou “encontrar mais recursos” e ajustar de forma individual ao vosso gosto, transformando assim a dificuldade em “custom” ou personalizada.

Algumas das opções de acessibilidade

Um ícone que ficará para sempre

The Last of Us: Part II conta com uma campanha que dura cerca de 30 horas, dependendo do ritmo a que jogam e da exploração que gostam de fazer. Falamos de 30 horas MUITO intensas e com várias perspectivas a surgirem pelo caminho. Temos a certeza de que estamos perante mais um ícone dos videojogos, um candidato a jogo do ano e quem sabe, da geração; fruto da forma emocional como interage com o jogador, como poucos jogos o conseguem fazer.

Vivemos momentos que parecem autênticos pesadelos em que sentimos que não há como fugir mas que depois são equilibrados com momentos que nos contam mais sobre os personagens e constroem assim a nossa empatia pelos mesmos. Toda a história decorre num ritmo equilibrado (mas tenso) que nos dá ligeiras brechas para respirar.

Não existe um modo online como no anterior, todo o jogo é focado numa experiência a solo para um jogador, em exclusivo na PlayStation 4.

Todos os detalhes têm o carimbo Naughty Dog: a perfeição e dedicação de uma equipa sem palavras. Dos personagens à narrativa que mais uma vez subiu a um novo nível de qualidade.

Não podíamos ter pedido melhor fim de geração, The Last of Us: Part II é mais sombrio, violento, emocional e maior que a sua prequela e veio fechar uma geração da melhor forma, garantido que irá ficar como um marco para a história dos videojogos. Desfrutem e não deixem passar a oportunidade, queremos falar sobre tudo o que se passou na história, mas só quando terminarem!

The Last of Us: Part II chegará em exclusivo à PlayStation 4 na próxima sexta-feira, dia 19 de junho – totalmente localizado em português.

The Last of Us: Part II
10 / 10 Pontuação
Resumo
Visualmente impressionante, The Last of Us: Part II é uma experiência única, sombria, violenta e brutal que nos faz questionar o que separa o homem do animal. Uma obra-prima que a Naughty Dog nos entrega no final da geração e que nós, os jogadores, só podemos estar gratos.
Rating10

Related posts