26 Mai 2020
PS4

Análise – Resident Evil 3

O chato do Nemesis está de volta.

A Capcom acertou ao mudar o rumo da série Resident Evil para a primeira pessoa com a 7ª entrada da série principal, mas ao que parece, o motor de jogo foi um dos factores que levou a esse sucesso, e não a perspetiva do personagem. Resident Evil 2 Remake foi um tremendo sucesso, e fez as delícias tanto dos fãs do original, como novos jogadores. Foi sem grande surpresa que a Capcom anunciou que o 3º título da série iria levar o mesmo tratamento. Será que Nemesis também passou no teste?

 

Em Resident Evil 3 controlamos Jill Valentine, uma agente da S.T.A.R.S que também foi um dos protagonistas do primeiro jogo, que tenta escapar de uma Racoon City completamente infestada de mortos-vivos. Uma das particularidades deste jogo é que Jill está constantemente a ser perseguida por Nemesis, uma criatura implacável que destrói tudo no seu caminho para chegar até nós. Pouco ou nada se sabe sobre ele, e é um dos mistérios que nos prende ao jogo. Do que se trata Nemesis e porque é que anda atrás de Jill? Ao contrário do Tyrant em Resident Evil 2, Nemesis anda atrás de nós em quase todo o jogo e aparece sempre nas piores alturas. Nemesis apesar de não ser tão assustador como “Mr. X”, pois este tem o hábito de entrar sempre com “estrondo”, acaba por ser mais chato porque não desiste e aparece nos momentos em que pensamos que está tudo bem.

O outro protagonista é Carlos Oliveira, um mercenário contratado pela U.B.C.S(Umbrella Countermeasure Service), que ao contrário da empresa que o contratou, tem valores e põe a segurança da população acima de tudo. Dado isso, Carlos acaba por criar uma empatia por Jill, formando uma excelente dupla.

A Capcom teve liberdade para moldar a história face ao original, o que acabou por nos deixar apenas com um final, ao contrário da versão da Playstation 1 onde tínhamos vários. Existem também cenas que foram estendidas, principalmente logo de início, com uma secção de Jill, e uma introdução Live Action que mostra o impacto da epidemia em Racoon City.

Infelizmente um dos impactos da liberdade de mudança foi terem transformado Resident Evil 3 num jogo de acção, ou neste caso, não terem adicionado mais puzzles. Resident Evil 2 Remake tinha um balanço perfeito entre exploração, puzzle e acção, mas Resident Evil 3 vai por um caminho bastante diferente. No antecessor, existia sempre um sentimento de claustrofobia, onde existia a pressão de não conseguir sair da esquadra, mas em RE 3 tudo parece linear e mesmo nas seções mais fechadas, existem poucos puzzles e os que existem são óbvios. As soluções para os cofres e fechaduras estão mesmo à nossa frente, e até mesmo as armas mais poderosas estão à mão de semear.

O RE Engine não sofreu muitas alterações, mas há sempre que falar nele. A Capcom esteve novamente muito bem no trabalho gráfico deste jogo. Desde as luzes que dão um ambiente espectacular às seções, as texturas e principalmente em objetos onde conseguimos ver de perto, até aos movimentos de personagens. Os designs dos personagens também foram refeitos, e tudo ficou melhor. Carlos ganhou carisma e deixou de parecer um personagem genérico como no original. Algumas cutscenes são incríveis, mas confesso que sinto que a Capcom podia ter usado mais a liberdade que teve neste remake para tornar algumas dessas sequências jogáveis. O áudio mais uma vez está incrível.  Os sons da cidade são credíveis, com grunhidos de mortos-vivos por todo o lado. Dei por mim a saltar da cadeira várias vezes porque algum zombie conseguiu-me surpreender nas costas por estar distraído com ruidos de fundo. Até o voice acting está optimo!

A campanha é bastante curta mesmo para quem não conhece o original. Acabei a história, explorando praticamente todos os cantos à casa em menos de 6 horas. Parece que hoje em dia Resident Evil está apelativo para os speedrunners, ou quem gosta de passar o jogo apenas de faca ou sem levar dano (os próprios troféus apelam isso). No menu do jogo temos uma loja onde podemos compras fatos, armas e “cheats” com pontos que se obtém a completar desafios dentro do jogo.

Resident Evil 3 Remake fica aquém do seu antecessor, muito por culpa do material original, mas também pela equipa de desenvolvimento que podia ter usado e abusado da sua liberdade criativa. Nemesis desiludiu-me como caçador e a linearidade do jogo deixa-me de pé atrás, mas a nível técnico Resident Evil 3 merece todo o mérito. É um excelente jogo de ação, mas que desilude como Resident Evil.

Resident Evil 3
7 / 10 Pontuação
Resumo
Resident Evil 3 é um bom jogo, mas peca que ser curto, linear e de ação em vez de survival horror.
Rating7

Related posts