22 Abr 2019
PS4

Análise – Resident Evil 2 (2019)

Regressamos a Racoon City em toda a sua glória.

O Resident Evil original foi um jogo incrível para a altura, que só foi superado dentro do género pelo seu sucessor. A aventura de Leon Kennedy e Claire Redfield surpreendeu tudo e todos, e 21 anos depois do lançamento do original, o remake vem reforçar a ideia de que Resident Evil 2 é um dos mais incríveis jogos de survival horror de sempre.

A lendária esquadra de Racoon City em todo o seu esplendor.

Aproveitando o sucesso e a lufada de ar fresco que Resident Evil 7 trouxe à série, a Capcom decidiu jogar pelo seguro e refazer uma fórmula de sucesso, mas mantendo o espírito do original. Iniciando o jogo fiquei logo feliz pelo facto de conseguir escolher a língua do audio, e como purista que sou, escolhi o audio em japonês. Depois vem a escolha do personagem. Podemos escolher Leon Kennedy, um policia de Racoon City que por sorte, chegou tarde ao seu primeiro dia de trabalho, evitando uma morte quase certa ou então Claire Redfield, irmã de Chris Redfield (protagonista do primeiro jogo), que se vê envolvida nesta confusão de zombies na cidade por tentar encontra o seu irmão que se encontra desaparecido. A última escolha antes de iniciarmos a aventura é a dificuldade, e aqui temos 3 distintas que se adequam a 3 tipos de jogadores:

  • Assisted: que tem assistência de mira, regeneração da saúda e faz com que os inimigos sejam mais fracos;
  • Standard: Em que os inimigos têm a dificuldade base, a vida não regenera e não existe qualquer tipo de assistência de mira;
  • Hardcore: Aqui os inimigos demoram bastante a morrer e tal como no jogo original, precisamos de tinta para conseguir gravar o progresso de jogo. Ao contrário do Standard, aqui não existe auto-save.
É sempre boa ideia verificar se estão mesmo mortos.

Joguei em Standard e achei uma dificuldade bastante justa, pois apesar de termos de contar todas as balas que temos (não esperem que os zombies vão a baixo com uma bala no meio da testa), nunca me senti frustrado.

A jogabilidade é bastante diferente do original. A camera segue o jogador e tentando explicar em poucas palavras, é Resident Evil 7 mas na 3ª pessoa. A Capcom aproveitou o fantástico motor de jogo que criaram para a 7ª entrega principal da série, e não podia ter corrido melhor. Os gráficos são aquilo que se viu em RE7. As texturas do cenário são fantástica e as animações dos personagens são credíveis. É aterrador quando um zombie vem na nossa direcção. Aproveito para dizer que o dano nos zombies é visível, por isso se tiverem numa de estragar facas, experimentem desmembrar um, só por diversão.

O dano nos zombies é bem visível.

Não seria um Resident Evil sem os puzzles, e eles estão todos presentes neste jogo, alguns tal como os conhecemos, outros que foram alterados para darem alguma surpresa aos veteranos que resolvem revisitar Racoon City. É uma sensação fantástica abrir cofres com combinações que encontramos numa nota perdida por um policia no meio do apocalipse zombie, ou conseguir apanhar um melhoramento para uma arma porque conseguimos resolver um puzzle 2 horas antes. Dei por mim a apontar num caderno algumas combinações ou pistas que encontrei em sítios aleatórios.

O jogo consegue criar uma atmosfera aterradora do inicio ao fim. Joguei grande parte do jogo com auscultadores e foi das melhores experiências dentro do género que tive. Seja um zombie a se levantar, o infame Tyrant a pontapear portas no outro lado do edifício tentando nos encontrar, ou uma simples gota de água, o som do jogo está incrível e consegue criar uma das melhores atmosferas de terror dentro de um videojogo. As secções em que temos de fugir do Tyrant são geniais e por vezes tive de pausar o jogo para quebrar um pouco a tensão. Um pormenor interessante, é o facto de conseguirmos contra-atacar com facas e granadas. Se um zombie nos agarrar e tivermos um desses itens connosco, podemos realizar um contra ataque, e achei um pormenor interessante conseguir enfiar granadas na boca dos inimigos, e de seguida podemos dar um tiro na granada para ela rebentar.

A história é bastante boa, e neste remake existe mais conteúdo nesse aspecto. A área de jogo também foi alargada, por isso existem muitas surpresas para quem já conhece esta aventura. A campanha completa-se bem em 7-8 horas, vale a pena jogar com o outro personagem, pois existem muitas coisas diferentes que dão replay value. Existem também desafios in-game que nos dão acesso a desbloqueáveis que são sempre um bom incentivo para fazermos mais do que simplesmente chegar ao final.

Em suma, Resident Evil 2 é o remake que o jogo original merecia. Apesar das diferenças, RE2 respeita o jogo original e certamente irá agradar a gregos e troianos. O setting mantém-se o mesmo, mas vários aspectos foram alterados para se adequarem aos dias de hoje sem estragar a essência do original. Esperemos que a Capcom trate de RE3: Nemesis tão bem como tratou RE2.

Resident Evil 2
9 / 10 Pontuação
Um remake de um jogo de 1998 que consegue criar uma experiência totalmente nova, mas que ao mesmo tempo respeita as suas raizes. A Capcom entra em 2019 com o pé direito.
Rating9

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