23 Jul 2019
PS4

Análise – Mortal Kombat 11

Mortal Kombat está de volta com um novo título, mas terá a NetherRealm atingido o pico?

Mortal Kombat 11 é o último título da série, produzido pela NetherRealm Studios, sendo que este acaba por dar sequência aos acontecimentos de Mortal Kombat X (2015) e fazendo parte do reboot que a série levou em 2011, com Mortal Kombat (ou Mortal Kombat 9, como alguns o chamam).

Para começar, falamos daquilo que a série tem oferecido de melhor aos fãs nas últimas edições. Mortal Kombat 11 traz o modo campanha de volta, onde continuamos os acontecimentos de Mortal Kombat X. Começamos por ver Raiden a torturar o Shinnok, logo após os acontecimentos do jogo anterior, onde podemos ver a loucura a apoderar-se do Deus do Trovão. A sua raiva leva-o a decapitar o Elder God e a atacar todos os que possam ameaçar a Earthrealm. Isto faz com que o antagonista do jogo reúna as forças que se opõem às ações de Raiden, de modo a conseguir ganhar poder e mexer com a linha temporal do universo.

Não quero entrar em muitos outros detalhes relativamente à campanha, porque para quem tem acompanhado a mesma nos títulos anteriores pode estar curioso em descobrir o que poderá acontecer neste título, mas o que posso dizer é que depois de ter visto o Avengers: Endgame e na mesma noite jogar a campanha, não pude de deixar de me rir com algumas semelhanças, a nível da estória. No entanto, para todos os fãs de Mortal Kombat, desde o primeiro até agora, deverão dar uma vista de olhos nesta campanha pois parece que o estúdio finalmente quis tentar responder à questão de “qual é a timeline da série”

Após a campanha, ainda há muito conteúdo a solo para o jogador explorar. Começando pelas torres, desta vez podemos encontrar duas categorias para as mesmas – temporais e clássicas. As clássicas são aquelas que conhecemos já de longa data, onde o jogador luta contra um determinado número de inimigos (consoante a dificuldade) e onde depois de derrotarmos o último boss podemos ver o final da personagem com que jogámos. As torres temporais são desafios que estão em constante rotação, onde podemos pôr à prova as nossas capacidades, pois muitas das lutas usam modificadores concebidos pelas game designers mais macabros de sempre.

Para podermos explorar todos estes conteúdos a solo, temos vinte e quatro personagens jogáveis (vinte e cinco com o bónus de pre-reserva). Entre eles, muitas caras conhecidas na série, mas também temos a introdução de novas personagens, como é o caso de Cetrion, Geras e Kollector. Um leque de personagens grande e com muita variedade para os jogadores.

Claro que o que muitos jogadores esperam ver é a criatividade que o estúdio tem em trazer-nos novos Fatalities e maneiras de matar os nossos oponentes. Os Fatalities estão brutais para a maioria dos lutadores, havendo apenas uma mão cheia de personagens que têm algo mais desinspirado. Brutalities estão de volta, e muitos deles são já conhecidos ou com base nas habilidades base das personagens, mas sempre uma excelente maneira de impor respeito num jogo.

De volta está o Mercy, onde os jogadores podem fazer um comando para o seu oponente ser ressuscitado com 20% de vida para lhe dar uma segunda oportunidade.

Um dos elementos que foi desenvolvido de uma forma muito melhor foi a Krypt. Até sou capaz de recomendar aos nossos leitores irem a primeira vez lá apenas depois de amealharem uma boa quantidade de moedas, pois desta vez a Krypt é a ilha do Shang Tsung. O jogador tem a sua personagem, e há vários objetos que podemos apanhar que nos ajudam a desbloquear novas zonas, assim como desvendar novos segredos e tesouros.

Na Krypt o jogador irá abrir uma quantidade infindável de tesouros de modo a desbloquear tudo e mais alguma coisa. Desde fatos, cores, máscaras, armas, extras, ícones, fatalities, brutalities, introduções, provocações, consumíveis e muito mais. A Krypt está maior, mais completa e cheia de conteúdo para o jogador voltar, podendo até dar reset aos baús de tesouro para encontrar mais coisas.

Fatos, armas e elementos RPG nos mesmos tem sido a norma que o estúdio tem implementado nos últimos tempos, e onde vimos brilhar mais com o Injustice 2. O estúdio implementou o sistema de peças de equipamento que sobem de nível consoante a sua utilização e a possibilidade de levar upgrades através de runas que se desbloqueiam a jogar ou na Krypt. O mais frustrante é o tempo que demoramos a ganhar novas peças. Mortal Kombat 11 vem com microtransações, que de maneira alguma se torna obrigatório, mas com o tempo que o jogador demora a ganhar dinheiro, runas ou consumíveis, parece quase a forçar as pessoas tomarem a “saída rápida”. Todas elas são apenas para acelerar todo o processo de grind que podemos ter no jogo. Isso e, claro, os Easy Fatalities e os Fight Skips para as torres.

Por isso se pretendem pôr a vossa personagem favorita toda bonita e com os melhores atributos, ainda vão ter de fazer uma boa quantidade de jogos até terem algo que vos interesse. E nem isso é garantido, visto que todo o loot é aleatório, o que leva a que sejam precisas mais horas de jogo. A meu ver, o jogo tem um enorme potencial de personalização de personagens, mas prejudica-se a ele próprio ao limitar essas possibilidades apenas a pessoas que consigam investir centenas de horas nele.

Mas a personalização não se limita a elementos estéticos. Enquanto que no último título o jogador tinha sempre três estilos de luta para cada personagem, neste podemos definir o nosso próprio. Ao personalizarmos uma personagem, depois de escolhermos os equipamentos, introduções, provocações e toda a parte visual, o jogador pode definir com que ataques especiais quer jogar, definindo assim o seu próprio estilo de jogo.

 

O combate também sofreu algumas alterações, havendo agora barras separadas para gastar em movimentos ofensivos e defensivos. Os raios-x estão de volta, no entanto só podem ser usados quando o jogador está abaixo dos 20% de vida e só pode ser usado uma vez por combate.

Um dos elementos que estão muito bem introduzidos e desenvolvidos neste título são os tutoriais. O jogador completa o tutorial básico na primeira vez que joga, mas depois pode ir ao menu específico para tal e aprender combinações avançadas, estratégias e combos com cada personagem. O tutorial está tão extenso que até explica ao jogador como funcionam as frames, como conjugá-las em jogo, perceber como os ataques se ligam com tempos precisos e muito mais. É capaz de ser o mais completo que alguma vez se viu num jogo de luta, e provavelmente o que melhor pode introduzir um novato a um estilo de jogo muito mais técnico e avançado. Esta informação é também bastante útil para quem quer dominar mais que um jogo de luta, pois há muitos conceitos teóricos que acabam por ser transversais entre o género.

Um novo modo de jogo introduzido em Mortal Kombat 11 foram os A.I. Battles, onde o jogador pode escolher uma equipa de três lutadores, personalizados e com atributos definidos por ele, para poder combater com as equipas de outros jogadores. É um sistema muito semelhante ao que se viria num jogo mobile, mas sem grande relevância a longo prazo. A vantagem é que em algumas torres, podemos usar o A.I. para não termos de fazer nós a torre, com a desvantagem sendo que não podemos intervir.

Passando para o conteúdo online, continuamos com algumas opções para nos divertirmos com amigos e desconhecidos. O tradicional versus permite-nos lutar com outros jogadores, mas os jogadores que procuram algo mais competitivo, a Kombat League e os Ranked Sets ainda não estão disponíveis, no entanto é o que trará a vertente mais competitiva ao jogo. Para o modo competitivo, o jogador terá de ativar esse modo, sendo que as personagens ficam limitadas a predefinições standards para torneios. O King of the Hill está de volta, onde uma série de jogadores se pode juntar num lobby e lutar por supremacia.

A estabilidade das lutas online têm sido razoavelmente boas, com a exceção de um caso ou outro isolado , mas que em nada afetam a experiência geral do jogador.

Em suma, a NetherRealm traz aos jogadores mais um título de excelente qualidade, com muito conteúdo para explorarmos e pormos as nossas capacidades à prova. O jogo pode ser muito saturante para o jogador que queira ver resultados mais instantâneos, visto que há muito grind implicado até poderem ter algum conteúdo que seja relevante para o estilo de jogo que querem fazer.

Pode também ser um pouco intimidante para os mais novatos visto que os combos estão muito mais precisos e específicos, mas com umas quantas horas perdidas nos tutoriais, qualquer jogador poderá entrar no ritmo do jogo.

Mortal Kombat 11 é um título a não perder por qualquer fã da série, assim como amantes de jogos de luta.

Análise com cópia cedida pela Upload Distribution, para a PlayStation 4.

Mortal Kombat 11
9 / 10 Pontuação
Mortal Kombat está de volta com um título que nos apresenta uma narrativa muito mais desenvolvida e com mais profundidade na estória das personagens, juntando-lhe um dos combates mais personalizáveis e detalhados alguma vez visto na série. Mortal Kombat 11 é um título a não perder por qualquer fã da série, assim como amantes de jogos de luta.
Rating9

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