22 Nov 2019
PS4

Análise – MediEvil

Sir Daniel Fortesque ressuscitou fora do seu tempo.

Estamos em 1998, e MediEvil aterra na primeira Playstation. É um jogo de acção e aventura, com algumas plataformas pelo meio. Reza a lenda, que Sir Daniel Fortesque liderou um vitorioso ataque contra Zarok, um mago que quer conquistar o reino de Gallowmere,  e que apesar de realmente terem derrotado Zarok, Sir Daniel foi logo apanhado pela primeira seta que foi lançada no campo de batalha, tornando-o assim numa fraude e no alvo de chacota entre os outros heróis. 100 anos mais tarde, Zarok regressa e ressuscita o seu exercito de zombies e sem querer, ressuscitando também Sir Daniel. É aqui que começa a nossa ventura, atravessando o reino derrotando zombies, criaturas gigantescas e ajudando os mais necessitados, para ver se é desta que o cavaleiro consegue provar que é o maior dos heróis, como diz a lenda.

A história é engraçada, e tem momentos bastante divertidos mas claro, trata-se de um jogo de plataformas por isso não esperem uma história ou narrativa ao nível de um The Last of Us. Como bónus, temos vozes em Português e que neste caso, dado a temática e público alvo do jogo, ficam bastante bem inseridas. “Props” aos José Raposo que brilha neste jogo.

Os níveis são lineares, com um ou outro desvio que nos leva a dinheiro extra, poções de vida ou mais inimigos para encher o cálice. Em cada nível existe um desses cálices, que vão enchendo à medida que vamos derrotando mais inimigos. Apesar de ser uma tarefa opcional, é bastante importante para a progressão no jogo, pois esses cálices servem para prestar tributo às estátuas dos outros heróis, que nos dão novas armas. MediEvil não é um jogo fácil, e cada ajuda é importante. Para além de um combate bastante datado, não existem checkpoints, o que dificulta muito mais a tarefa, e aumenta a tensão nos níveis. Não é algo ao nível de Dark Souls, mas por vezes torna-se bastante frustrante, principalmente quando morremos já com o cálice cheio.

Temos sempre connosco duas armas equipadas que podemos alternar entre elas com um simples botão, mas se as quisermos mesmo trocar, temos que entrar no menu e seleccionar as duas que queremos equipadas. Um pequeno detalhe que nos padrões de hoje, podia ter sido melhorado com um radial menu, por exemplo. Como já referi, o combate é um pouco difícil. Para além de manhas que vamos ter que arranjar para acertar nos inimigos sem levarmos dano, o uso de cada arma para cada situação é uma constante, e essa é uma das partes boas do jogo, apesar de eu achar que podia ter sido feito algo diferente no jogo, visto estar a ser vendido como “remake” e não “remaster“. Ser fiel ao original é o pior defeito de MediEvil.

O trabalho gráfico está lá: as texturas, distância do que conseguimos ver está realmente actualizado para a geração actual, mas mantendo aquele estilo Tim “Burtesco” que nos faz lembrar Nightmare Before Christmas, assim como a banda sonora que continua no ponto. O problema, é que não houve cuidado com tudo o resto. A jogabilidade e todos os problemas associados estão presentes. Problemas de camera, colisão, tudo aquilo que fazia com que MediEvil original não atraísse um público mais novo, está presente. Sim, a camera está diferente, foi actualizada, mas mesmo assim continua a ser má.

Com todas as frustrações e problemas à mistura, diverti-me a jogar MediEvil na Playstation 4, mas tenho que admitir que como remake, MediEvil falha muito, e não passa no teste do tempo.

MediEvil
6 / 10 Pontuação
Resumo
Um jogo divertido, mas com todos os problemas da versão original, que na altura eram limitações impostas pelo sistema. Já que estavam com a mão na massa e refizeram o jogo, podiam ter mexido mais onde o original falhava bastante. Sir Daniel desta vez foi ressuscitado demasiado fora do seu tempo.
Rating6

 

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