21 Set 2018
PS4

Análise – Marvel’s Spider-Man

Nunca o Homem-Aranha foi tão amazing como é em Marvel’s Spider-Man.

Este ano a Sony tem lançado algumas das suas maiores cartas. Detroit: Become Human, God of War, Shadow of Colossus, mas foi Spider-Man da Insomniac que fez o meu coração palpitar desde que foi anunciado e acreditem, senti um arrepio quando carreguei no X para iniciar o jogo.

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“Spider” está na sua melhor forma.

A Insomniac subiu demasiado a fasquia com os fantásticos trailers que sempre nos apresentou. É inexplicável o carinho que todos nós temos por Homem-Aranha, e apesar de grandes títulos como Spider-Man na PS1, Spider-Man 2 e Ultimate Spider-Man na geração seguinte e ainda Amazing Spider-Man na Playstation 3, sempre nos faltou algo que realmente fizesse justiça ao nosso vizinho e amigo. A Rocksteady foi a primeira a criar um jogo de super heróis que conseguisse competir com qualquer outro jogo. Será que a Insomniac conseguiu repetir a proeza dos colegas de trabalho?

O jogo começa com uma excelente cutscene, onde nos dá uma vista geral do quarto de Peter Parker que apesar de serem apenas objetos, conseguem por alto explicar o que ele tem andado a fazer durante estes últimos 8 anos desde que foi mordido pela aranha. Sim, Peter Parker já tem 23 anos e já há 8 que vagueia pela cidade ajudando aqueles que mais necessitam.

Já não é um puto que está a aprender a utilizar as suas habilidades, mas sim um adulto que tenta levar a sua vida para a frente, enquanto pelo caminho faz alguns desvios para parar os mais diversos atos de vilania. No momento da cutscene em que Peter salta pela janela, tomamos o controlo de Spidey, numa transição que não se nota a diferença entre cutscene e gameplay.

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Os movimentos do personagem são soberbos.

Mal nos dizem que R2 serve para baloiçarmos nas teias, conseguimos logo sentir que a navegação por Nova Iorque está estupidamente bem feita e divertida. Os movimentos de Spidey estão muito bem executados e credíveis, tanto no web swinging como nos zip lines. Dão-nos as bases de navegação e cabe a nós brincarmos com as leis da física para percorrer a cidade de forma mais rápida. É tão gratificante atingir altas velocidades e ver o aracnídeo a se adaptar às superfícies por onde passa.

Depois temos o combate que é dividido em duas vertente: uma aproximação mais furtiva e claro, combate frente a frente contra vários inimigos. O combate utiliza um sistema muito semelhante ao freeflow da série Arkham e que a Warner também adotou para alguns dos seus títulos como Shadow of Mordor e Mad Max. Existem uma série de combinações que podemos executar, seja com os nossos punhos e pés, como também com as teias. A partir daqui cabe ao jogador “brincar” da forma que mais segurança lhe dá, tendo também em atenção o tipo de inimigo contra quem está a lutar. Temos também algumas engenhocas que nos auxiliam em combate, e nenhuma delas está lá por acaso. Cada vez que podemos criar uma nova, o jogo arranja uma explicação para ela estar lá. Podemos ainda utilizar objetos que se encontram espalhados pelo cenário e arremessar contra os inimigos.

Marvel's Spider-Man environment
Podemos utilizar vários elementos do cenário para nos auxiliar em combate.

Nas abordagens furtivas, podemos atordoar os inimigos com um golpe à traição, prende-los com teia mesmo antes de nos detetarem, ou montar armadilhas e guiar os inimigos para a nossa teia (literalmente). Como já reparam pelos trailers, podemos jogar com Mary Jane. Isto acontece poucas vezes, e serve para explicar como é que ela descobriu algumas informações importantes. Sem qualquer experiência em combate, MJ apenas consegue andar escondida atrás de objetos contornando os inimigos e fazendo barulho para fazer com que os estes vão investigar e assim abrir caminho para ela passar. São de longe as secções mais chatas do jogo, mas em alguns momentos são bastante interessantes, não pela jogabilidade mais lenta, mas por ver-mos os atos heróicos de Homem-Aranha na perspectiva da “donzela”. Acabam por ser uma lufada de ar fresco em momentos mais tensos da história.

 

Nunca o Homem-Aranha foi tão amazing como é em Marvel’s Spider-Man.

A Insomniac ganhou mais fama com Ratchet & Clank, por isso esperem por puzzles de grande qualidade. Existem 2 tipos de puzzles: um tipo para passar eletricidade através de circuitos, e outro para trabalhar com substâncias químicas. Não vou explicar em que consistem cada um deles para não estragar a experiência, mas posso dizer que quando começam a dificultar, ficam bem interessantes.

Marvel's Spider-Man Mary Jane
Para além de dar um grande apoio na história, Mary Jane é também personagem jogável em algumas secções de “stealth”.

Podemos melhorar o nosso personagem assim como as engenhocas, e para fazer isto temos de completar missões e atividades secundárias para adquirir experiência e materiais. A XP (experiência) vai fazer com que aumentemos o nosso nível e que nos sejam atribuídos pontos de habilidade, que podem gastos para avançar nas 3 árvores de habilidades. Cada uma das árvores refere-se a um dos aspectos do Homem-Aranha (engenhos, combate e navegação), e podemos evoluir as 3 ao mesmo tempo, não ficando bloqueado a uma série de habilidades especificas.

No caso das engenhocas, temos que juntar pontos das missões secundárias e dos colecionáveis. Não vou enumerar quais são, pois quero manter esta análise praticamente limpa de spoilers. Existe muita coisa para fazer e para apanhar na cidade, e em 70% dos casos são coisas tão rápidas que valem sempre a pena fazer um desvio da missão principal, para não falar que todas elas são importantes para a evolução do alter-ego de Peter Parker.

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O crime não dá descanso ao aracnídeo.

Podemos ainda criar novos fatos que para além de darem uma lufada de ar fresco ao aspecto do nosso herói, também vêm equipados com uma habilidade única. Felizmente, podemos utilizar essa habilidades em diferentes fatos. Por exemplo, podemos andar com o fato clássico mas com a habilidade do Noir. Assim podemos desfrutar das habilidades que nos derem mais jeito com o visual que mais nos agrada. Existem acima de 20 fatos para colecionar.

Aquilo que todos querem saber: como está a história? Como já referi, neste jogo Peter já é o Homem-Aranha há 8 anos. Durante esse tempo, muita coisa se passou mas já estamos fartos de saber a sua origem e de ver o Tio Ben morrer vezes e vezes sem conta. Vamos descobrindo o que se passou durante todo este tempo através de referências que Peter e outros personagens vão fazendo durante o jogo, pequenos detalhes na cidade e também através de (e violando um pouco o meu silêncio acerca das atividades extra), objetos antigos que Peter deixou espalhados pela cidade. Sempre que encontramos um, Peter explica um pouco o que são e para que serviram na altura.

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Alguns dos mais icónicos vilões estão presentes.

O plot principal do jogo foi das coisas que mais me surpreendeu. Este universo de Spidey criado de raiz para este jogo está bastante sólido e com alguns twists que dão um toque único ao jogo. As cutscenes de história estão excelentes, estando ao nível de outros jogos onde a narrativa tem um impacto fundamental no jogador, como por exemplo The Last of Us. E sim, a história é boa, demasiado boa, deixando-me muitas vezes de boca aberta não só pelo que está a acontecer, mas pelo espanto de ver algo tão bom num jogo de super heróis. Outro ponto que embeleza ainda mais a história, são as sequências de ação que estão de topo.

A sequência do helicóptero que a Sony mostrou para apresentar o jogo é apenas um exemplo de tantas outras sequências carregadas de adrenalina e QTE’s que nos fazem sentir ainda mais envolvidos na história. Peter Parker continua com o seu humor característico, mesmo que a vida não lhe corra bem, muito por culpa de não conseguir conjugar os seus dois “empregos”. Uma das maiores lutas em Marvel’s Spider-Man, é a de Peter em conseguir organizar a sua vida enquanto estabiliza a taxa de criminalidade de Nova Iorque.

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Os gráficos de sonho ajudam a história a criar mais impacto.

As cutscenes para além de ser excelente no que toca a story telling, também estão muito boas a nível gráfico. As expressões faciais estão  no ponto com um voice acting de igual qualidade. Praticamente não se nota quando existe uma transição de cutscene para gameplay e vice-versa, e apesar das criticas ao suposto downgrade gráfico continuo a achar que Marvel’s Spider-Man tem dos melhores visuais presentes na consola da Sony. Seja de dia, tarde ou noite, o trabalho de iluminação está fantástico. Não acreditam? Experimentem subir uma arranha céus cheio de vidros com o sol refletir neles. A cidade está viva e muito credível, até mesmo as próprias teias estão com uma qualidade tremenda.

A cidade está lindíssima e é um sitio virtual fantástico para fotografar, e apesar dele andar com uma máquina fotográfica no fato, até à data da análise não nos foi possível experimentar o photo mode que apenas será lançado com o jogo na próxima sexta-feira, dia 7. Mas podem ter uma ideia das opções disponíveis através do trailer dedicado ao modo.

Marvel Spider Man
Carregar o mundo aos ombros não impede Peter de continuar a ter o seu sentido de humor característico.

A Insomniac consegue entregar um jogo de grande qualidade, que consegue rivalizar com os melhores jogos dentro do género e com uma história que na minha opinião, é das melhores não só dentro do género, mas como de qualquer videojogos dos últimos anos. Gráficos de topo, uma excelente banda sonora a acompanhar os momentos chave da narrativa de forma irrepreensível e montes de atividades para completar, todas elas rápidas, interessantes e que nos dão recompensas que realmente valem a pena. É certamente um dos candidatos a jogo do ano, e mais uma prova de que não é por acaso que neste momento a Sony domina o mercado das consolas.

Marvel's Spider-Man
10 / 10 Pontuação
Resumo
Marvel's Spider-Man consegue entregar aquilo que os fãs esperavam e ainda mais. A par com God of War, é sem sombra de dúvida um dos melhores jogos da atualidade.
Rating10

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