LocoRoco está de volta e para não fugir à moda, remasterizado para a consola actual da Sony.

Já estava na hora da Sony trazer este título marcante da sua primeira consola portátil (a sério) para a grande tela, e com isto não falo de recorrer a métodos de reprodução como cabos AV, Playstation TV ou tutoriais no Youtube para equipamento comprado no Alibaba. Falo sim de adaptar esses títulos numa espécie de colectânea e reformulá-los/refazê-los para a PS4.

Infelizmente, não temos aqui um remake mas sim uma remasterização. LocoRoco não está de volta mas ainda diz que está por aqui para aliciar os antigos fãs e chegar a todos os estreantes do universo Playstation que nunca jogaram esta maravilha. Todo o conteúdo a que nos habituámos está presente e as únicas novidades estão na forma como controlamos os nossos LocoRoco com o touchpad do nosso Dual Shock 4 (se assim quisermos), na resolução 1080p nas PS4 normais/slim e em 4K nas Pro.

A premissa é simples. Um planeta longíquo foi atacado por extraterrestres chamados Moja que ameaçam destruir a natureza e seus habitantes, os LocoRoco e os Mui Mui. Nós assumimos o papel do planeta e com isso temos a tarefa de orientar os LocoRoco a resgatar os seus habitantes e destruir os invasores. Tudo isto com a ajuda determinante dos Mui Mui que nos vão guiando durante o percurso de jogo.

A arte deste jogo é tão simples que acaba por ser aqui que reside toda a sua magia e identidade. Num ambiente 2D complementado totalmente por figuras geométricas coloridas, LocoRoco cativa pela sua simplicidade e físicas tão simples de manipular que jogá-lo acaba por ser mais orgânico que virtual. Sentimos que estamos mesmo a mexer com aquele mundo e que podemos fazer com ele o que quisermos.

Os controlos são simples. Fazemos recurso do R1 e L1 para girar o mundo para a esquerda ou direita e assim guiar os LocoRoco.  Mantendo o R1 e o L1 pressionados e soltá-los em simultâneo faz com que os nossos LocoRoco saltem na direcção em que o mundo se encontra. Consoante vamos apanhando LocoRoco e flores, vamos aumentando de tamanho e por vezes temos de nos desintegrar em pequenos LocoRoco (pressionando várias vezes o botão de círculo) para ultrapassar obstáculos.

Para além de apanhar LocoRoco e flores temos também de encontrar Mui Mui que estão escondidos em torno dos 5 mundos disponíveis, fazendo deste jogo um passatempo agradável e prolongado q.b.

Outro dos focos principais do jogo remete para a sua banda sonora, sendo totalmente cantada numa língua original criada para este título pelo seu designer Tsutomo Kouno. A imensidão de linhas de som acapella aliadas à sua instrumentação subtil faz com que estas composições originais estejam no patamar das melhores bandas sonoras dos videojogos. Sem dúvida uma trilha sonora perfeita para o seu ambiente.

Para um jogo de 2006, o gameplay continua fabuloso e se fosse lançado nos dias de hoje punha muitos títulos do género a um canto. São jogos como este que fizeram da PSP uma das melhores consolas portáteis alguma vez lançadas. Pena que as suas vendas não tenham reflectido totalmente na qualidade que a consola e os seus títulos transbordavam, mas acredito que pouco a pouco, todos estes clássicos portáteis vão ter o seu devido reconhecimento.

A minha única contestação passa pelo lançamento a conta-gotas destes títulos. Seria muito mais user friendly se a Sony decidisse lançar uma colectânea de clássicos de uma só assentada em formato físico seguindo como exemplo a Naughty Dog. E nós sabemos que isso é possível, porque não são só 5 ou 10 títulos únicos e essenciais que vimos durante a fase de vida da PSP. Posso apontar à vontade uns 30 jogos que merecem ver uma remasterização e muitos até um remake.

Mas até lá, podemos ir sonhando ou matando as saudades na PS4 com este jogo ou na já antiga PSP.