26 Mai 2020
PS4

Análise – Final Fantasy VII Remake

O remake que todos pediram, mas será o remake que queriam?

Foi há 23 anos que Final Fantasy VII apanhou de surpresa a comunidade de jogadores. Para muitos, continua a ser o melhor Final Fantasy de sempre, já tendo gerado 3 spin-offs, um filme e uma OVA. Pouco depois do lançamento da Playstation 3, foi lançada uma tech demo para exibir o poder da consola, onde se podia ver o video de abertura refeito para aquela geração. A esperança de um dia recebermos um remake foi-se mantendo, e foi finalmente em Abril de 2020 que esse sonho se realizou.

Abandonando o clássico combate por turnos, Final Fantasy VII Remake é o casamento entre action e JRPG. Não existem encontros aleatórios, tudo está visível no mapa e a transição entre exploração e combate é bastante natural. Temos um botão de ataque básico e todos os personagens têm um segundo ataque mais forte que não pode ser usado com tanta frequência, e um botão para defender. Temos ainda um botão para rebolar. As ações básicas que fazemos em batalha vão enchendo a barra ATB, que é o que nos permite realizar outras ações como utilizar itens, magias e habilidades. Os personagens que estão inativos combatem automaticamente, utilizando apenas ataques básicos (se jogarem um clássico eles realizam outras ações, mas a dificuldade é easy e não nos dá qualquer desafio), mas podemos alternar entre eles a qualquer momento. As materias marcam presença nesta jogo como é obvio, e o sistema é muito semelhante ao original. Equipamos as materias nas armas e acessórios, materias essas que nos dão acesso a magia, habilidades de combate entre outras propriedades.

Tal como os personagens e as materias, as armas também vão evoluindo à medida que vamos progredindo. Podemos aumentar os stats que elas dão ao personagens e até mesmo adicionar slots de materia. Cada arma vem ainda com uma habilidade exclusiva. Cada vez que usamos essa habilidade, vamos ganhando proficiência com ela e quando tivermos 100% com essa habilidade, ficamos com essa habilidade permanentemente. Mesmo estando em Midgar, temos acesso a alguns summons, coisa que no original só apareciam mais tarde, mas o jogo trata de explicar isso numa side quest.

Final Fantasy VII Remake é apenas a ponta do icebergue de algo muito maior, pois este título apenas cobre a história até Cloud e companhia sairem de Midgar (+/- metade do disco 1 de 3 da Playstation 1). Tetsuya Nomura e a sua equipa tiveram a liberdade para acrescentar conteúdo novo à história, por isso os fãs do original podem contar com novas personagens e novos arcos. O que se passava originalmente em 4-5 horas, agora dura cerca de 40 se explorarmos todos os cantos do jogo. É um ponto a favor mas com algumas virgulas pelo meio. Alguma da história extra está bem encaixada e acrescenta mais lore a algumas personagens muito secundárias no original, como é o caso da Jessie, Wedge e Biggs, que neste remake tiveram muito mais tempo de antena. Todos eles tiveram um bom desenvolvimento, em especial Jessie que até não se sairia mal como membro da equipa principal. Mas existem também momentos da história que tentaram esticar demasiado. Senti que alguns dos capítulos estão demasiados longos para o que a história quer contar. Temos também algumas side quests pelo caminho. Algumas delas têm alguns personagens interessantes, outras não acrescentam absolutamente nada de novo. Mas o meu maior problema com elas, é o facto de não terem inspiração, e muitas delas são ir a Ponto A e voltar.

É fantástico ver algo tão mágico de 1997 ganhar vida numa consola de última geração, mas aqui também sinto que houve alguma preguiça por parte da equipa. O jogo é bastante linear e algumas das áreas onde temos liberdade, são apenas pequenos corredores ligados entre si, com as side quests que nos fazem andar de um lado para o outro para aumentar a longevidade, sem acrescentar muito conteúdo ao mundo de FF7. Deparei-me também com algumas zonas bastante vazias, como por exemplo a linha de metro a caminho do reactor 5. São centenas de metros de linha em que não existe absolutamente nada, e os inimigos são escassos. É esse um dos maiores problemas de Final Fantasy VII Remake. Passamos demasiado tempo a andar de um lado para o outro sem qualquer tipo de ação.

Graficamente não me posso queixar. Tanto o design dos personagens como as texturas estão no ponto. Alguns cenários estão incríveis e refletem bem a imagem que o original queria passar, fazendo de Final Fantasy VII um autêntico regalo para a vista. A nível de som e como já é normal na série, Final Fantasy VII Remake é incrível em todos os sentidos. Nobuo Uematsu voltou para compor uma nova versão dos temas clássicos. Final Fantasy VII não é dos meus favoritos, mas em termos de banda sonora é de longe o que mais gostei, e estas novas composições só vêm reforçar essa ideia. O trabalho vocal está incrível, o Japonês claro! Em relação ao inglês, joguei bastante pouco, mas do pouco que ouvi deu para perceber que é 8 ou 80. Alguns personagens encaixam bem, outros são cheesy ao bom estilo de Residente Evil 1 e Castlevania Symphony of the Night.

Final Fantasy VII Remake é sem dúvida um dos, senão o melhor JRPG desta geração. São dezenas de horas de conteúdo e com uma jogabilidade incrível. Podia ser melhor se tivesse havido um maior cuidado no design dos níveis, pois algumas das secções são tão lineares que fazem lembrar o inicio complicado de Final Fantasy XIII. É uma nova abordagem a um clássico que vai deixar impressionado não só os fãs que andaram a pedir isto, como novos curiosos.

Final Fantasy 7 Remake
9 / 10 Pontuação
Resumo
Um dos melhores JRPG desta geração. Incrível a quase todos os níveis, pecando apenas pelo fraco level design de muitas zonas, e de side quests.
Rating9

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