21 Out 2019
Switch

Análise – Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition

A versão aperfeiçoada desta aventura.

Desde que saiu na concorrência que Dragon Quest XI me anda a piscar o olho, mas só quando saiu a demo na Nintendo Switch, é que finalmente me rendi aos seus encantos. Terminei a mesma com 7 horas de jogo, o que é bastante para uma demonstração, mas é apenas a ponta do icebergue relativamente ao produto final. Dragon Quest XI S é um dos jogos que mais esperava este ano e a jornada pela demo veio aumentar ainda mais o hype. Aqui fica o meu Quest log desta inesquecível aventura.

Um dos melhores JRPG da atualidade.

Nesta 11.ª entrada da série principal, o protagonista é um rapaz que foi encontrado por um aldeão que o entregou a uma família. Depois de alguns acontecimentos e reviravoltas, descobrimos que o herói é a reencarnação de uma entidade divina que está destinada a derrotar uma grande ameaça. Infelizmente nem todos pensam assim, e acabamos por ser perseguidos por aqueles que à partida tivessem interesse em ajudar na nossa jornada, levando-nos a percorrer o mundo a fugir dos nossos predadores, e pelo caminho encontrando outras pessoas que nos vão ajudar a levar a nossa missão a bom porto. Devo já dizer que todo o leque de personagens jogáveis é magnífico. Todas elas são bastante interessantes e o seu envolvimento com a narrativa não é forçado, para além disso ainda são balanceados em combate, o que faz com que não existam “maus membros” para a party. Desde o ladrão Erik ao bobo Sylvando, todos os personagens são úteis tanto em combate como para a narrativa, assim como outros que vamos encontrando pela jornada. Akira Toriyama continua a ter criatividade para criar personagens memoráveis. A arte dos personagens é magnífica, mesmo que existam nuances de outros designs mais antigos do criador. Perdi a quantidade de vezes que reconheci designs de Dragon Ball, e até existem alguns easter eggs (procurem pelo Yamcha morto) pelo meio. No que toca a monstros, existem uma variedade enorme deles. Claro que muitos são os mesmos com cores diferentes, mas mesmo assim existem imensos que são únicos.

Ainda na questão visual, tenho de destacar os fatos disponíveis. Cada personagem tem direito a fatiotas novas que são desbloqueadas quando adquirimos armaduras que dão novo aspecto. Estes fatos são exclusivos a cada personagem, e ao contrário das outras versões do jogo, uma vez que desbloqueamos um fato, podemos utilizá-lo mesmo sem termos o equipamento correspondente equipado. Colecionar fatos é um dos meus passatempos favoritos no jogo.

Dragon Quest XI S é um RPG à antiga, por turnos, mas que por pré definição tem o modo Free-Form Fighting ativo. Neste modo em conjunto com o auto-battle, a ação torna-se muito mais fluída. Mas acabei por alterar isto logo na primeira meia hora de jogo, e fiquei com o modo clássico até ao final. Apesar de ser uma fórmula já muito antiga, a Square consegue sempre criar belíssimas clássicas batalhas por turnos. O auto-battle é excelente, pois a inteligência artificial do computador é razoável e aliado com a opção de acelerar um pouco as batalhas, é a melhor forma para formar experiência. Para além dos clássicos atacar, defender, magia e habilidades, neste título os personagens podem ficar pep up, que para além de conseguirem causar mais dano que o normal, em conjunto com outros personagens no mesmo estado, conseguem executar ataques ou habilidades especiais. Cada personagem tem acesso a vários tipos de armas e estilos de combate, e cabe ao jogador escolher como deve evoluir cada um deles. Podemos também trocar os membros da equipa durante as batalhas.

A navegação pelo mundo é fantástica. Os nossos personagens podem correr, o que acelera as viagens, e em zonas abertas temos sempre acesso a um cavalo. Ocasionalmente aparecem monstros que após serem derrotados, podemos montá-los. Isto acontece em masmorras ou zonas de difícil acesso, que só podem ser feitas desta forma. Mais para a frente aprendemos um feitiço que nos permite visitar áreas antigas. O nosso herói tem na sua mala uma forja em miniatura. Com isto conseguimos criar armas, armaduras e acessórios, assim como melhora-los. Isto é feito através de mais um mini-jogo viciante.
Mas a navegação no mundo por vezes torna-se chata muito por culpa da música. A banda sonora está muito boa e combina bem com o ambiente do jogo, mas existem muitas músicas que se repetem demasiadas vezes, e em zonas diferentes, o que era agradável de se ouvir, acaba por se tornar num martírio. A boa novidade, é que desta vez temos versões orquestradas, mas podem sempre mudar para as originais, caso assim preferirem. Aproveito que falo na música para falar do trabalho vocal. Podemos escolher entre vozes inglesas ou as originais japonesas. Saltei diretamente para japonês que claro, não desilude. O único e grave problema, é algo que nunca me tinha feito confusão até agora: o protagonista não ter voz. É algo que os RPGs com histórias deste gênero têm que mudar, pois a história podia ser ainda melhor se o protagonista falasse e interagi-se mais. Senti que se perderam grandes momentos emotivos devido a este facto.

Infelizmente não podemos alternar entre os dois modos.
Infelizmente não podemos alternar entre os dois modos.
No modo 3D podemos revisitar mundos antigos em 2D.
No modo 3D podemos revisitar mundos antigos em 2D.

Mas a maior novidade desta versão é o modo 2D. Apesar na versão 3DS já existir, o jogo nunca viu a luz do dia fora do Japão. Foi algo que me empolgou nos trailers de apresentação. Não podemos alternar entre modo 2D e 3D de livre vontade, mas podemos faze-lo nas igrejas e estátuas divinas, da mesma forma que gravamos o jogo. Existe também um miminho que a square deixou para os fãs do 2D: Tickington.
Tickington é a casa dos fantasmas que já apareciam na versão anterior. Só que nesta versão somos recrutados por eles para revisitar zonas de Dragon Quests antigos. Estes cenários são todos em 2D e podemos aceder a eles sempre que quisermos, desde que tenhamos encontrado fantasmas que nos tenham dado indicações de como entrar nesses mundos. Aqui completamos sidequests que nos dão itens, alguns deles exclusivos, e para os fãs dos jogos anteriores, boas doses de nostalgia.

Para um Dragon Quest, este jogo é bastante fácil e é por isso que existem as Draconian Quests, que são opções de notabilidade que podemos ligar a qualquer momento. Estas Draconian Quests vão desde coisas simples como não conseguirmos comprar itens nas lojas, até dar status aleatórios ao protagonista.
A nível de performance, não podia estar mais feliz com Dragon Quest XI S. Apesar de ser uma consola inferior, quase não senti nenhumas quebras na fluidez. De certo que em modo portátil nota-se que os fundos ficam desfocados, mas em modo TV o jogo está muito perto da versão PS4/PC.
Novos fatos, novas quests e algumas delas bastante interessantes, novos monstros para montar, opção de chamar o cavalo a qualquer momento, usar a forja sem ser nos acampamentos, novas Draconian quests, photo mode e usar fatos sem os termos equipados são apenas algumas das melhorias que Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition traz em relação à versão anterior. O nome não engana e de facto, é mesmo a versão definitiva e o melhor sítio para se jogar este fantástico JRPG.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition
10 / 10 Pontuação
Resumo
A melhor e mais completa versão de Dragon Quest XI. Se esperaram por esta versão, certamente não vão ficar desiludidos. Para os veteranos, se quiserem voltar a revisitar este fantástico mundo, podem faze-lo on the go, com imensas melhorias a nível de jogabilidade, e carradas de coisas novas para vos entreter.
Rating10

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