20 Nov 2019
PS4

Análise – Days Gone

O apocalipse chegou a Oregon com Days Gone, a primeira aposta para 2019 da Sony que ano após ano nos traz títulos de excelente qualidade. Será que Deacon e Days Gone conseguem manter a qualidade?

A cargo da Bend Studio, estúdio que nos trouxe Syphon Filter chega-nos Days Gone que já tinha sido apresentado há 3 anos na E3 e que desde então despertou muita curiosidade pelos amantes do género.

O nascimento do herói improvável

Days Gone começa a sua narrativa com a introdução dos personagens principais: Deacon St. John, Boozer e Sarah. Oregon está um caos e com a destruição em todos os cantos, o nosso protagonista tem que optar ou por salvar a vida da sua amada (Sarah) colocando-a num helicóptero ou por ficar e ajudar Boozer a sobreviver.

Optando por ficar com Boozer e achando que Sarah está segura, eis que há uma surpresa e tudo muda. O mundo de Deacon cai-lhe aos pés e agora só pode contar consigo e com Boozer para sobreviverem.

Carregado de sede de vingança e ódio, ganhamos o controlo de Deacon numa altura em que Boozer está ferido gravemente e cabe-nos a nós ir recolher recursos, fazer favores e matar tudo o que se meta à nossa frente, até que Boozer esteja recuperado para regressarmos à estrada.

Days Gone
Deacon St. John e a sua melhor amiga

Sobreviver não é para todos

Uma coisa que eu não esperava quando comecei a jogar Days Gone, era o seu ênfase na sobrevivência. As munições são extremamente limitadas e os combates devem ser escolhidos. Por vezes a melhor arma são mesmo as nossas pernas e a velocidade como que conseguimos fugir para nos escondermos.

O maior perigo não são apenas os inimigos que encontramos, sejam eles os freakers ou os rippers. Tudo nos pode matar e todo o cuidado é pouco. É algo que vos dá uma dose extra de adrenalina quando jogam e um dos pontos fortes de Days Gone.

Cada bala conta e por vezes quando estão sozinhos contra um ou dois inimigos, o melhor é ser mesmo com a faca do que à pistola dado a escassez de munições.

Os ataques furtivos estão muito presentes e é o que mais vamos usar. Através da survival vision, Deacon consegue destacar items e inimigos no cenário ajudando-nos a planear os nossos ataques. A acção decorre toda na terceira pessoa o que ajuda muito em termos de imersão e de acção nos nossos movimentos.

Para além das armas, a nossa mota também consome combustível e precisa de manutenção constante, sendo tudo isto consumíveis que vamos ter que nos desenrascar a encontrar. De início a sensação que nos chega é de frustração porque temos que andar sempre extra cuidadosos com as acelerações na nossa condução e em ter que estar sempre à procura de combusível mas naturalmente com o progresso do jogo, começam habituar-se a estas mecânicas e a aceitar e de certa forma, até apreciar que existam e que nos vos obriguem a jogar com mais cuidado.

Continua a ser um exagero o nosso depósito só aguentar cerca de 2km mas…ok. Pode ser que com algum update ajustem estes valores para algo que possa ser mais real.

Um simples fast travel consome combustível e dei por mim muitas vezes a ficar parado a meio de uma viagem e a ter que atravessar meio km a empurrar a mota…não sejam como eu, abasteçam antes.

A mota é uma das mecânicas mais engraçadas de Days Gone e ao longo da viagem vamos criando uma ligação com ela, realizando upgrades de resistência, pinturas visuais ou até melhorias na sua performance.

Não é um jogo de zombies

Ao contrário do que podia ser esperado, Days Gone não é um jogo de zombies. O surto de um virus transformou as pessoas em seres ferozes que matam tudo o que encontram. Deixaram de ser racionais e agora são uma praga que assombram o planeta, correndo atrás de tudo o que se mexa – pior ainda, quando o fazem em grupo. Quando temos pela frente mais do que quatro ou cinco freakers a nossa primeira reacção é vermos quantas balas temos no carregador e decidir se disparamos ou corremos.

Days Gone
Nunca há munições com fartura mas por vezes sabem bem aliviar nestes malditos

Pior ainda quando se juntam nas chamadas hordes. Aí não há nada a fazer senão correr. Os sons que fazem à distância avisam-nos que está na hora de nos escondermos porque caso vos apanhem não vai sobrar nada de Deacon.

Para além dos freakers temos também os rippers, uns amantes do holocausto que também veneram os freakers mas que nunca se chegaram a transformar, ou seja, humanos malucos de arma em punho.

Mas o perigo não vem só de seres com duas pernas. Enquanto passeiam por Oregon de mota, podem ser atacados por uma matilha de lobos ou enfrentar um urso que vos vai dar muitas dores de cabeça.

O mundo vivo de Days Gone

Quando olhamos para a campanha de Days Gone, podemos contar com cerca de 15 ou 20 horas se nos formos focar apenas na história principal mas graças a outras actividades que acontecem pelo meio, isto pode ser facilmente estendido para mais de 30 horas.

Como tem vindo a ser habitual em jogos sandbox nem sempre vamos estar focados em resolver a história de Deacon. Pelo caminho existem outras actividades para fazermos até termos todo o mapa visível e “libertado”.

Days Gone
As armas vão se partindo e vão precisando de manutenção

Enquanto atravessamos as estradas abaladas pela devastação, podemos ser surpreendidos pelo mundo vivo de Days Gone, com ataques dos freakers que andam a deambular pelas estradas ou então com ataques surpresa dos rippers que nos colocam armadilhas no caminho. Uma simples linha que pisamos pode custar-nos a vida.

Existem acampamentos que nos pedem trabalhos, ou podemos chamar-lhes: side missions. São várias as linhas de histórias que vamos completando à medida que fazemos estas missões secundárias, todas elas dedicadas a personagens secundárias e que nos vão contando melhor o que aconteceu, bem como criando mais ligação com estes personagens.

Todas actividades que realizamos, transformam-se em pontos de experiência e em pontos de fidelidade para com os acampamentos. Com esta progressão feita nos acampamentos, desbloqueamos novas armas e melhorias para a nossa mota.

Componente “role play game”

Deacon tem ao seu dispor um conjunto de habilidades que vamos desbloqueando à medida que ganhamos pontos de experiência. Estas habilidades vão evoluindo Deacon e o tipo de brincadeiras que podemos fazer enquanto jogamos mas estão presas a um sistema algo lento de evolução. Dei por mim a investir três ou quatro horas de jogo para desbloquear apenas duas ou três habilidades. Isto corta um pouco o ritmo que o jogo tenta promover e compromete o efeito recompensa que o jogador possa ter.

Days Gone
O combate sem armas é bastante linear e varia entre um ataque ou uma cambalhota para nos desviarmos

Sistema de tempo dinâmico

Visualmente estamos perante um excelente título para a vossa PlayStation 4. Days Gone é um prazer de admirar, os cenários são fantásticos, os modelos dos personagens capturados ao pormenor e apesar da catástrofe que nos rodeia, vão passar muito tempo no Photo Mode a capturar imagens fantásticas.

O clima vai mudando à medida que jogamos e o dia transforma-se em noite, com o freakers a surgirem em maior número. Quando chove, temos a vantagem de conseguirmos fazer mais barulho sem ser vistos mas quando começa a nevar, somos mais facilmente encontrados.

É um motor de jogo que ajuda muito à experiência do jogador mas que ainda precisa de um ligeiro polimento, por vezes a transição da noite para o dia era super brusca e quando temos jogos como Red Dead Redemption 2 a habituar-nos mal…a exigência é outra.

Em termos de performance, senti muita estabilidade no jogo (a jogar na PS4 Pro), raramente apareceram frame drops e a jogar já com day one patch instalado. Por vezes surgiu um bug ou outro e a inteligência artificial dos inimigos por vezes deixa a desejar – ou são muito espertos, ou muito burros.

Um bom exclusivo para a PlayStation 4

Days Gone não inventa nada que outros jogos não o tenham já feito – não que isso seja algo mau. É um título que se sente logo desde o primeiro momento que foi buscar inspiração (e ainda bem) a outros jogos e até séries e filmes. O universo e a condução, com os upgrades da mota fazem lembrar Mad Max, os confrontos sejam ao tiro ou em stealth, passando pela forma como o protagonista se mexe fazem nos lembrar The Last of Us e claro, a temática dos motoqueiros à lá Sons of Anarchy num universo apocalíptico é altamente de se experienciar mas fica o sentimento de que a Bend Studio não nos entrega um jogo tão perfeito como poderíamos exigir.

Depois de jogos como Horizon: Zero Dawn, Red Dead Redemption 2 ou Marvel’s Spider-Man, é natural ficarmos habituados a um patamar nestes exclusivos PlayStation, mas Days Gone corre o risco de não ser tão memorável como estes títulos.

A história cumpre mas não deslumbre e apesar de tecnicamente não estar muito polido, é visualmente muito agradável, divertido de jogar e com umas quantas horas de conteúdo (a ganhar mais em junho). Deacon é emotivo e faz-nos preocupar com a sua causa e raiva por tudo o que aconteceu mas há a sensação de que falta algo mais. Falta um toque que nos faça parar e pensar.

Para quem gosta de jogos em mundo aberto, é sem dúvida uma aposta certa para uma altura em que o mercado até está calmo em termos de lançamentos e é também um título que nos abre o espírito para o que virá (esperamos nós, no final do ano) em Last of Us 2.

Days Gone já está disponível, em exclusivo na PlayStation 4.

Days Gone
8 / 10 Pontuação
Resumo
Mais um grande jogo a sair no catálogo da PlayStation 4, ambicioso e que procura deixar a sua marca na geração actual. Corre o risco de cair na sombra por não ter saído tão polido tecnicamente como esperávamos. Obrigatório para quem queira um jogo de mundo aberto, com muita acção pelo meio, com poucos recursos e ataques furtivos com fartura.
Rating8

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