19 Abr 2019
Análises

Análise – Professor Layton VS Phoenix Wright: Ace Attorney

No ecrã inicial de Professor Layton VS Phoenix Wright: Ace Attorney (LvP), por detrás do título, pode-se ver um tribunal. É o cenário onde se dão os julgamentos que fazem parte do jogo. A determinado ponto no jogo, as personagens vão para um novo tribunal. A partir daí, sempre que se começa o jogo, o ecrã de titulo reflecte esta mudança.

É esta atenção ao detalhe que permeia todo o jogo. A animação de alta qualidade, a banda sonora orquestral que lembra os momentos mais emocionantes dos filmes animados de Miyazaki, o desenho polido de cada cenário, apaparicado com pequenos toques e detalhes aqui e acolá – brilhos, efeitos, pequenas animações – dá ao jogo um aspecto, uma sensação de produto de luxo.

Para além de algumas imperfeições na implementação do 3D, que numa ou outra cena fica desenquadrado por mais que se re-oriente a posição da 3DS, LvP é tecnicamente imaculado.

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As sequências animadas são magníficas, e ajudam a dar a sensação de que esta é uma grande produção.

Mas sobre o que é? Bem, é uma história, acima de tudo – é uma viagem de exploração e descoberta tanto das personagens envolvidas na história como do local onde a história se passa. É um conjunto de mistérios interligados para desvendar, e ver desvendar.

Ao início, estamos a alternar entre dois jogos distintos – a exploração de cenários e resolução de enigmas com Layton, e a discussão no tribunal com Wright, onde lemos meticulosamente os depoimentos de testemunhas e tentamos encontrar inconsistências entre o que elas dizem e as provas. Durante as primeiras horas, estes dois tipos de jogo nunca se encontram, e nem são particularmente interessantes.

Nota-se que houve muita consideração por parte dos produtores para com quem é novo a uma das ou ambas as séries. Apenas as personagens principias de cada saga estão presentes, e as horas iniciais são extremamente simples, chega mesmo a ser irritante  como os nossos companheiros nos estão constantemente a explicar tudo e a dar sugestões de solução para os problemas. Faz o jogador sentir-se demasiado guiado.

Felizmente vão sendo introduzidos mistérios que ajudam a perseverar, e passadas essas horas iniciais temos muito que resolver por nossa conta – este é um jogo grande, para resolver tudo o que havia para resolver, levei cerca de 23 horas.

Nunca se torna particularmente difícil, é verdade. Os enigmas de Layton, em especial, raramente exigem mais do que um ou dois minutos de consideração, mas habitualmente dão gozo de resolver. Já as curvas e contracurvas das defesas de Wright no tribunal exigem mais atenção aos testemunhos e alguma capacidade de dedução, e como sempre, é suprema a satisfação quando conseguimos descortinar qual a verdade por detrás dos acontecimentos e conseguimos ver o caminho para conduzir as personagens do jogo à mesma conclusão.

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Um típico enigma do jogo, facilmente se resolve através de tentativa e erro. Alguns não o permitem, baixando a pontuação depois de uma tentativa falhada.

Só que nem sempre é assim. Às vezes antecipamo-nos, apresentamos uma prova concreta do nosso raciocínio, mas as personagens não nos acompanham e somos penalizados – era preciso falar um pouco mais, puxar um pouco mais pelas testemunhas até o tribunal estar pronto para seguir a nossa lógica. e outras vezes somos obrigado a tomar decisões sem saber muito bem o que lá vem, a saltar para o desconhecido.

Isto são problemas que são já comuns aos jogos de Phoenix Wright e que na realidade têm vindo a ser muito diminuídos ao longo da série, mas que ainda surgem de vez em quando. Neste caso, uma mecânica de Layton diminuí-os: as moedas “Hint Coin“. Moedas que se encontram interagindo com os cenários, podem ser usadas durante os enigmas para dar desde algumas dicas até à solução quase completa. No tribunal, podem ser usadas para bloquear temporariamente opções incorrectas. O jogo é generoso com a quantidade que oferece, e uma pessoa que só queira seguir a história facilmente pode ultrapassar todas as situações complicadas recorrendo a este sistema.

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Passa-se um bom bocado do jogo simplesmente a ler. Ainda bem que, regra geral, há algo interessante, ou engraçado, a ser dito.

No entanto seria uma pena se assim o fizesse. Elas são boas para colmatar imperfeições do jogo – falhas lógicas que existem por diferenças culturais ou localização imperfeita, frutos da origem japonesa do jogo – mas o abuso do sistema facilmente rouba ao jogador a satisfação que vem de realmente resolver os mistérios, ou parte deles, por si só.

De facto, LvP volta a tomar um pouco as rédeas durante o epilogo, oferendo alguns factos cruciais de bandeja ao jogador, mas no geral, é exímio no que diz respeito a deixar-nos sentir que encontramos as respostas antes de mais ninguém, e em fazer com que essas respostas conduzam consistentemente a mais perguntas.

Jogar este jogo relembrou-me de como são aliciantes os jogos da série Ace Attorney, e fez-me arrepender de ainda não ter jogado o Apollo Justice. Sabem aquela sensação de quando se esquecem durante muito tempo de uma das vossas coisas favoritas, e depois a redescobrem? Foi mesmo essa sensação que eu tive – essa sensação que nos leva a jogar “só mais um minuto” quando o relógio já vai para as quatro e temos que nos levantar para fazer uma apresentação às oito.

Ao mesmo tempo, apesar da facilidade, senti-me intrigado por jogar os jogos Layton, que nunca tinha experimentado. Acredito que o mesmo aconteça aos fãs de Layton que nunca jogaram um Ace Attorney. E para quem não está familiarizado com nenhum dos universos – abrem-se as portas para muitos jogos extraordinários.

Pontos Positivos:

+ Mistérios interessantes

+ Banda Sonora de luxo

+ Personagens cativantes

 

Pontos Negativos:

– Simplicidade inicial

– Enigmas pouco desafiantes

– Falhas no 3D

 

 Professor Layton vs. Phoenix Wright: Ace Attorney está disponível para a Nintendo 3DS, tanto em formato físico como digital. A Nintendo disponibilizou ao autor um código para que pudesse descarregar o jogo. Foi jogado com o 3D no máximo.

 

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