27 Nov 2020
Análises

Análise – Mario Golf: World Tour

A 3DS tem uma tacada de sorte.

Golf não parece uma actividade tipicamente ligada ao fiel canalizador. Um jogo mais lento e estratégico aparenta estar fora de lugar no rol de experiências competitivas e explosivas de futebol, karts, minijogos de tabuleiro e muito mais. Mas Mario tem um passado no desporto bem maior do que se imagina. Desde os titulares “Golf” para NES e Game Boy, que embora omitissem a personagem do título, o mostrassem a competir com profissionalismo em ambientes mais sérios, que a série tem passado por quase todas as plataformas Nintendo, embora gozando uma popularidade mais reservada, fora do grande público, mas apresentando um design estranhamente diferente mas competente em comparação com os seus “colegas” de franchise. Os jogos Mario têm um legado de pegar em desportos comuns, e transformá-los em actividades coloridas e divertidas, com muitos elementos deste universo de jogos, desde power-ups, inimigos, minijogos, e muito mais. Destruição caótica e diversão mais virada para algo mais temporário, fácil e social é o cardápio do costume. Mas Mario Golf: World Tour, embora possua o colorido aspecto típico de um jogo da série, é uma simulação robusta de golf, com elementos profissionais e jogabilidade competente que, embora de fácil adaptação, tem uma profundidade surpreendente.

Poderia falar de grafismo e animações, mas vamos ser honestos. Isto é um jogo Mario. Já sabemos exactamente o que vamos ter. Assets bastante familiares, mas extremamente bem animados, coloridos e expressivos, um estilo de arte já conhecido por nós do bom e velho Mushroom Kingdom, com todo o cast de Mario, Luigi e amigos a fazerem as suas aparições habituais para jogar uns buracos. A música do jogo é relaxante, e assenta perfeitamente durante 18 buracos de paciência, colinas verdes e armadilhas de areia e água. Efeitos de luz com uma qualidade impressionante e uma fluidez total nas animações tornam este título algo absolutamente apetecível visualmente, embora não haja grande surpresa para os fans do personagem, não havendo qualquer tipo de elemento particularmente novo no estilo de jogo. Visualmente, este jogo é o que se espera. Profissionalmente feito, mas longe de ser único ou mesmo original de qualquer forma.

Quando se passa para as mecânicas de jogo, chegamos a um ponto em que temos de definir um jogo de golf, pelo menos quando não é controlado por um acessório de movimento. Tudo no ângulo de trajectória que o jogador planeia para a bola, e numa barra que mede a força com a qual a bola é projectada. Estas duas pequenas e muito simples variáveis, são toda a base do jogo, que não muda desde o título original “Golf”, já mencionado. Variáveis como a mudança de tacos, movimento de câmara e escolha entre uma tacada normal ou mais poderosa, são todas controladas através do ecrã de toque da 3DS, e de extremamente fácil adaptação. Em duas ou três tacadas, o jogador sente-se em total controlo da interface, e um modo automático ajuda todos aqueles que não se sentem muito confortáveis com o timing da barra de força.

Alguns elementos como passadeiras rolantes e percursos com elementos um pouco mais “minigolf”, ajudam a quebrar a monotonia, embora estes exista a escolha entre percursos mais profissionais, e outros um pouco mais no sentido de diversão. Diferentes modos de competição, tal como torneio, competir por número de tacadas, tempo ou mesmo colecionar moedas ou fazer a bola passar por anéis voadores, ajudam a que exista sempre algo novo para fazer, e o modo Castle Club existe como uma “história”, durante a qual o jogador pode explorar o um country club em Mushroom Kingdom usando o seu Mii, falar com os diferentes desportistas do reino, e participar em todo o tipo de torneios, para se tornar no melhor dos golfistas. Infelizmente, este não consegue ser um modo RPG tão envolvente como os de Mario Golf para Game Boy Color e Advance, embora tenha os seus méritos.

Mesmo depois de ter criado o design de videojogo mais usado para golf mais usado durante todos estes anos, a Nintendo continua a primar pela qualidade com este jogo, e a oferecer elementos de peso. Visualmente, este título é apenas o que se espera, embora demonstre extrema competência a nível de design e variedade em modos e objectivos. Uma boa aposta, mesmo para os que não se sentem extremamente atraídos pela modalidade.

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