Uma reflexão sobre qual a necessidade de uma “meia-geração” e quais os riscos adjacentes a esta aposta por parte da Sony e da Microsoft.

O hardware não pára de evoluir. O ritmo a que a tecnologia avança é de tal maneira acelerado que estamos a assistir, por parte da Sony e da Microsoft, a uma autêntica luta pela subsistência, quase que como quem luta para ficar à superfície da água. A vantagem de quem joga computador sempre foi a modularidade e a facilidade de upgrade. Mas é importante, à priori, saber fazer uma distinção entre quem procura jogar num computador e quem procura jogar numa consola.

Independentemente de todas as guerras que existam,  transversais a todas as comunidades, uma das grandes vantagens para quem joga em consolas domésticas é a facilidade de se sentar no sofá, inserir o disco e jogar. É a inexistência de um processo (por vezes pouco transparente) de configurações e afinações. É, acima de tudo, a garantia de que quando compram uma consola têm, geralmente, 6 ou 7 anos para poder tirar todo o proveito que dela conseguirem extrair e, aí sim, renovar o hardware.

Se fizermos uma retrospetiva às últimas décadas da indústria dos videojogos, é fácil observar que sempre houveram reinvenções de consolas. Estas novas iterações geralmente apresentavam-se mais compactas ou, inclusive, com alguma feature extra, como foi o caso do adaptador ethernet na Playstation 2  modelo Slim. No entanto, é inaudito que algum destes novos modelos tenha potenciado, tecnicamente, o poder de uma consola ao ponto de a afastar do que inicialmente estava prevista a ser.

No entanto, em pleno 2016 recebemos a notícia de que a Sony está a trabalhar numa Playstation 4.5, também chamada de Playstation 4K ou Playstation Neo e, ainda, que a Microsoft está a trabalhar na sua Xbox “Two” ou, como também foi chamada, Xbox Direct X12. Estamos a chegar a um ponto de viragem onde, subitamente, a vida útil que uma consola supostamente auferia, até a sua sucessora ser lançada, se encurtou quase para metade. São políticas arriscadas por parte de duas empresas que querem garantir a não obsolescência do seu hardware.

Mas a custo de quê?

Se fizermos uma análise ainda mais intrusiva podemos concluir que neste momento o império Sony é suportado pela marca Playstation. Foram os milhões de consolas vendidas até agora que sustentam a, outrora, gigante da tecnologia. No entanto, quase 40 milhões de Playstation 4 depois, a Sony faz uma jogada um pouco arriscada e algo turva aos olhos de muitos dos seus consumidores. Remontando às convicções de alguém que opta por consolas em detrimento de computadores, tendo em conta que a Playstation 4 foi lançada em Novembro de 2013, nem três anos passaram e a consola já está a ser sucedida por um modelo superior, que alegadamente corre jogos à resolução de 4K e promete uma maior fluidez face ao modelo original. A Microsoft tem, até agora, mantido maior sigilo em relação à sua nova Xbox, no entanto é fácil concluir que estas novas versões estarão prontas a sair na mesma altura que a Nintendo lançar a NX, não fosse o mote “Guerra de Consolas” completamente merecido.

Fica agora a dúvida, será que a Sony e a Microsoft abriram a caixa de pandora e os consumidores que até agora as ergueram vão, gradualmente, deixar o conforto que uma consola proporciona e migrar para o PC Gaming?

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