15 Ago 2018
PC e Mac

Análise a um jogo que não joguei

É mesmo uma análise!

Ora bem… Isto vai contra tudo aquilo que defendemos na equipa, no entanto eu tenho uma boa razão para isto. Por norma, definimos que um jogo deve ser jogado, pelo menos uma vez, por completo, para podermos dar uma nossa opinião fundamentada, e para que os nossos leitores possam ter uma boa noção do que esperar do mesmo.

Neste caso, vou tentar analisar um jogo sem nunca o ter jogado.

O jogo em questão, é o Resident Evil 7, mas caso queiram uma análise mais completa ou de quem tenha jogado o jogo, as outras raposas já trataram disso, até com um ponto de vista sobre o PlayStation VR.

Por norma não sou fã de jogos de terror. Até os evito jogar. Silent Hill, Fear, Dead Space, Outlast, Alien Isolation, são apenas alguns dos jogos que gostava de os ter jogado, mas devido à minha “falta de espinha” nunca peguei neles. No entanto, o Resident Evil VII mexeu comigo.

Por estranho que se pareça ainda joguei um pouco dos Resident Evils da PlayStation 1 (mas nunca os acabei), e mais recentemente joguei o quinto título da série. Sempre foi uma série que me fascinou, não pelo aspecto de horror, mas pela noção de gestão que tinhamos de ter para assegurar a nossa sobrevivência. A possibilidade de ignorar inimigos porque as munições eram difíceis de encontrar, gerir os nossos items defensivos criaram um charme enorme para a série, e com títulos como o Resident Evil 5 e Resident Evil 6, percebo o porquê dos fãs mais aguerridos comunicarem o seu desocontentamento com a série.

O que me permitiu jogar o 5, foi o facto de ser mais virado para a ação, o que de certa forma limpava a sensação de insegurança que é suposto termos num jogo Survival Horror. Mas percebo que não devia ser esse o objetivo da série, pois uma das coisas que melhor me recordo na minha infância foi morrer vezes sem conta no Resident Evil Director’s Cut por gerir mal os meus items o que me colocava em situações de grande aperto quando chegava a zonas com muitos inimigos ou até a um próprio boss. No quinto e sexto jogo da série não senti isso.

Mesmo quando o Resident Evil VII foi anunciado eu próprio ignorei um pouco toda a situação, pois pensei que a Capcom iria continuar a puxar a série para o formato de ação. Mas, tudo mudou quando descarreguei um demo na PlayStation Store chamado Kitchen.

Kitchen é uma demo de Resident Evil VII para o PlayStation VR, cujo objetivo é dar a entender o ambiente do jogo. Inicialmente não sabia o que pensar da demo, porque o nome em si não fazia sentido em relação ao que eu pensava que o jogo ia ser. E atenção, até ao momento não tinha visto nenhum trailer relativo ao jogo. Depois de ter jogado a demo, devo dizer que fiquei em choque, pois não era mesmo nada do que estava à espera, e isso despertou um grande interesse para descobrir o que andava a ser feito. Foi aí que vi pela primeira vez o trailer da familia Baker.

Foi aqui que eu pensei “This shit’s gonna be good“…

A cada dia que passava começava a fazer contas para que o jogo saísse, mas o meu problema resumia-se sempre ao mesmo: Não ter estofo pa jogar um jogo deste género.

Eventualmente recebemos o jogo para análise, e ainda pensei em pedir o jogo para mim, mas sabia que na equipa temos pessoas que são, de longe, mais competenes e fãs para pegarem num jogo desta série, e poderem dar uma opinião muito melhor que a minha.

Comprar o jogo não estava na equação tão cedo, mas não aguentava mais dias sem ver algo relativamente a ele. Foi aí que recorri ao Youtube. Uma das minhas preocupações foi tentar procurar uma youtuber que estivesse a dar cobertura à série, mas que não fizesse uma palhaçada tremenda de modo a estragar a experiência do jogo. A minha primeira opção foi procurar o youtuber que construiu a sua carreira com jogos de terror, o PewDiePie. Até nem desgostei, pois embora ele usasse o seu “humor” padrão, raramente o usou em situações de tensão ou de relevância à narrativa. À medida que via os gameplays dele, acabei por começar a ver os do Jackscepticeye, que fazia episódios mais longos, mas tinha o teor de palhaçada mais reduzido e senti que ele teve um estilo de gameplay muito parecido àquele que eu iria ter num jogo deste género (explorar tudo, ler tudo, fazer muito backtracking).

Só mais um episódio!

Por norma, considero ambos demasiado hiperativos, no entanto achei que os gameplays deles transmitiram muito bem o que o Resident Evil VII quer ser. Segui ambos porque notei que havia coisas que um descobria e o outro não e que até as próprias lutas contra os bosses têm resultados diferentes. De certa maneira acabei por ter dois pontos de vista relativamente ao jogo, quase como se o tivesse compeltado duas vezes. A única coisa que ainda não consegui ver foi ver o final alternativo, pois chegamos a um ponto no jogo em que se tem de fazer uma escolha, e até agora não encontrei ninguém que tenha optado pela a segunda opção… Ou pelo menos ainda não encontrei ninguém que tenha um gameplay dessa parte que eu sinta que consigo ver.

Houve vários elementos que eu pus em equação para continuar a ver os gameplays, nomeadamente o comportamento dos youtubers em si. Antigamente no Youtube, antes da era do let’s play havias os walkthroughs que eram um meio genial de por um gameplay completo de um jogo no youtube, permitindo às pessoas usa-los como consulta para partes mais dificeis, ou para simplesmente se ver o gameplay. Agora com os let’s play é complicado porque temos sempre o youtuber por cima a comentar ou a fazer macacadas. Não queria estar a seguir um gameplay em que se estivesse a forçar medo nem a fazer chacota da situação. Pessoalmente, não me arrependo dos que vi, até achei caricata, o PewDiePie, que fez a sua carreira com jogos de terror, tipo Amnesia e Slender, a dizer no seu terceiro episódio de Resident Evil VII, que se estava a sentir demasiado tenso e que o jogo lhe estava a afetar (dava para ver na expressão facial dele que não estava a ser uma caminhada fácil).

Certamente agora, enquanto escrevo este artigo, já existem walkthroughs e mais umas centenas de let’s plays do jogo, e muito provavelmente, iria ver outro canal, caso quisesse ver mais um gameplay do jogo.

Bom, mas agora vamos ao que este artigo realmente se trata.

Fazer uma análise a um jogo sem o ter jogado não faz propriamente muito sentido. Eu tenho noção que não tive a experiência a 100% do jogo, no entanto sei o que acontece no jogo, lembro-me de como se resolvem alguns puzzles, onde estão coisas secretas, onde há items raros e escondidos, como derrotar os bosses e na sua maioria, onde estão os jump scares do jogo.

Portanto o que é que eu posso avaliar em si?

Posso avaliar a experiência que tive ao ver o jogo ser jogado por outra pessoa e que informação retive disso. Por isso vou-me questionar sobre algumas questões:

  • Conheço a narrativa do jogo?
    Sim, tirando o final alterantivo e DLCs (tenho de procurar gameplays).
  • Tenho a full experience que o jogo fornece?
    Não, porque não fui submetido à sensação de horror e medo que o jogo submete os jogadores.
  • Já não preciso de jogar o jogo?
    Preciso, porque há situações que gostaria de ser eu a explorar, e ver o gameplay, deu-me ainda mais vontade de o jogar.
  • Já tendo conhecimento do que se passa no jogo, vai tirar ênfase à experiência?
    No caso da narrativa sim, pois existe um build-up na mesma, que neste momento já sei a resposta. A nível de gameplay, assumo que não.
  • É viável ver gameplays?
    Sim. Podemos não ter a experiência a 100% de um jogo, mas acabamos por ficar lá perto.
  • É relativo o tipo de gameplay?
    Não. Para tentarmos chegar à experiência mais aproximada possível de se jogar um jogo, idealmente teremos de encontrar alguém que faça um estilo de jogo parecido ao nosso, ou com uma mentalidade aproximada. Pode não ser uma tarefa fácil, pois todos temos uma maneira única de jogar. Devo dizer que tive sorte de ver o Jackscepticeye, que nem era um youtuber que seguia, mas acabou por ter um gameplay no qual eu me consegui identificar.
  • O youtuber interessa?
    Não. Idealmente bastaria ver um walkthrough, mas se vos faz diferença ter a webcam de uma pessoa ou não, aí já parte de vocês escolherem o youtuber apropriado.

No final disto tudo posso dizer “Eu joguei Resident Evil VII e posso fazer comentários sobre ele“?

Não posso afirmar que joguei o jogo, porque não o fiz, mas posso comentar sobre ele. O que acabei por fazer for transformar um jogo num filme. O fator interativo do jogo desapareceu e passou a ser uma interação passiva, tal e qual quando nós vamos ver um filme ao cinema. Posso dar a minha opinião sobre a narrativa, se tem bons gráficos e afins, mas quando chegamos a topicos como imersão e gameplay, não há muito que eu possa dizer. Sei, pelos comentários que faziam que a gameplay era pesada, mas até que ponto? Como é que isso afecta o jogador? Não sei.

Apenas sei que tenho aqui uma opção viável para obter mais informação de jogos que nunca joguei e tão cedo não tenho oportunidade de lhes pegar. Nunca será uma experiência completa, mas é um segundo lugar relativamente aproximado. Sei que isto não funcionaria para muitos jogos, mas em conversa com uma raposa da equipa fiquei a saber que há gameplays de RPGs publicados no youtube que “saltam” a parte do grinding exaustivo do género. Calculo que também poderia ser uma boa opção para mim, visto que tenho receio do género J-RPG por ter de comprometer demasiado do meu tempo. Por isso calculo que este método é extremamente funcional em diversos casos, mas nunca é padrão. Depende do que a pessoa quer reter, de um jogo, e o que o gameplay fornece.

Agora, uma pergunta para os nossos leitores. Alguma vez viram um gameplay completo do jogo e sentiram o mesmo que referi neste artigo? Ou caso nunca tenham visto, acham que seriam capazes de ver o gameplay completo de um jogo que é fora da vossa zona de conforto?

Disclaimer: Este artigo não foi pago… bem queriamos…

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