21 Abr 2019
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Análise / Retro: Venetica

Nota: Este artigo é uma análise retirada dos arquivos da antiga ENE3, de Venetica, um jogo publicado (e analisado) em 2011, a pedido do membro da nossa comunidade, Kawatta-Kun.

Não se trata propriamente de um “artigo retro”, pois estes representam habitualmente a perspectiva do autor sobre um jogo antigo. Neste caso, estas são as minhas palavras conforme as escrevi quando o jogo era recente. Na altura, era política da ENE3 não atribuir notas aos jogos, portanto neste artigo não encontrarão a habitual classificação.

Para dar um pouco mais de “corpo” ao artigo, tomei a liberdade de fazer algumas anotações, para benefício do autor. Espero que gostem!

Venetica ocupa um espaço curioso no panteão dos RPGs. É um jogo de acção, mas fortemente enraizado nas mecânicas tradicionais do género – uma ave rara nos tempos que correm. E, à semelhança de jogos dos primórdios do género, passa-se maioritariamente numa única, grande cidade – com o ocasional desvio para desenjoar.

Isto ainda hoje é raro, e algo que gostava de ver mais aproveitado. Dragon Age 2 tentou, e foi crucificado – mas ainda acho que há muito valor em ter uma única localização, muito bem trabalhada, do que um enorme mundo cheio de imperfeições.

A maioria do jogo passa-se em exploração ou combate; o diálogo é maioritariamente incidental e apesar de eu ter gostado das possibilidade ocasionais de efectuar várias escolhas, os resultados ou não variavam, ou causavam apenas pequenos impactos.

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A cidade fantasiosa de Veneza tem muito pouco a ver com a metrópole renascentista, mas cumpre bem o seu papel como principal área do jogo, com ruas bem caracterizadas, com o tamanho certo para incentivar alguma exploração mas sem serem intimidantes, e bastantes segredos para desvendar.

Elemento central das mecânicas de jogo é o poder da heroína de se esconder e mover temporariamente no plano dos mortos. Isto torna-a efectivamente invisível por curtos períodos de tempo, e o jogo é generoso em relação a recarregar o poder.

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A utilização é óbvia nas lutas, e é um sistema tão poderoso e fácil de abusar que às vezes até me senti como se estivesse a fazer batota. Mas também tem muita utilidade em termos de exploração – para detectar portais invisíveis, ou passar despercebida por guardas.

Este poder caracteriza todo o jogo, e é aquilo que lhe dá um sabor verdadeiramente único. É desiquilibrado, sem dúvida, mas ao menos torna o jogo memorável.

À medida que se avança no jogo, a heroína Scarlett vai ganhando novos poderes – falar com os mortos, quebrar barreiras mágicas, invocar espíritos – mas é tudo muito sub-aproveitado. Por exemplo, a invocação de espíritos é usada uma única vez no jogo, para resolver um puzzle.

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Fora isto, Venetica não tem nada de especial, mas joga a seu favor ser um exemplar muito competente de um estilo de jogo cada vez mais raro. Não faz nada de forma excelente ou impressionante, mas por outro lado raramente caí em repetição e nunca em mediocridade.

RPGs de acção, um género raro. Como os tempos mudam!

É um jogo simples e consistentemente divertido, bonito quando corrido num computador bem apetrechado, e que satisfaz o bichinho de qualquer adepto de jogos de aventura.

Venetica foi desenvolvido pela Deck13 Interactive, e é distribuido em Portugal pela Playgames – a divisão de jogos da Porto Editora – estando disponível para PC (Windows) E Xbox 360.

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