O que acontece quando se junta o canalizador mais icónico de sempre num mundo RPG?

Desde que me lembro, Super Mario sempre esteve presente na minha vida. Nunca me hei de esquecer aquele precipício no nível 1-1 em que precisamos de correr para o ultrapassar. O meu eu de 5 anos demorou algum tempo para aperceber isso, mas foi o primeiro obstáculo numa jornada que me iria acompanhar até à vida adulta. Só anos mais tarde é que descobri o fantástico mundo dos RPG’s, com Pokémon Red e Secret of Mana a arrecadar com as culpas de hoje em dia ser um dos meus géneros de eleição. O que acontece quando juntamos Mario com esse género? Não joguei Super Mario RPG da SNES e passei logo para Mario & Luigi Superstar saga no velhinho Game Boy Advance, um dos sistemas onde queimei mais tempo, e devo dizer que me impressionou bastante pela positiva.

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Chegou no longínquo ano de 2003 pelas mãos da AlphaDream, uma produtora que até à data não tinha no currículo um título que fosse mais notório, mas Superstar Saga foi muito bem entregue a esta produtora que conseguiu recriar o universo de Mario neste belissimo RPG, começando pelo grafismo. Como já referi, adoro o Game Boy Advance, e este jogo consegue tirar o máximo partido da consola, oferecendo-nos um mundo vivo, cheio de cor e excelentes animações, a juntar uma arte cartoonesca de igual qualidade.  Arrisco-me a dizer que é dos jogos mais bonitos da consola. Como se o jogo não fosse já fantástico a nível visual, é um dos raros casos que utiliza o Game Boy Player para a GameCube e reproduzir o jogo na televisão com grande qualidade. Também só desta forma é possível ter dois jogadores a controlarem os irmãos canalizadores, algo ao estilo de Secret of Mana.

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A história também é bastante curiosa. Não esperem algo profundo como um Final Fantasy VI, mas para uma história de Super Mario, está bastante bem desenvolvida. Sempre descontraida como o próprio personagem, cheia daquele humor característico da saga, cameos e referências ao mundo real. Até nos momentos mais tensos do jogo conseguimos soltar um sorriso, só de ouvir os irmãos a falarem numa espécie de “Simlish” italiano. Bowser passa para segundo plano e Cackletta que lhe rouba o show, que decide engenhar um esquema para roubar a voz de Peach. Desta vez deixamos o Mushroom Kingdom de parte e viajamos até BeanBean Kingdom para recuperar a voz da princesa Peach e restaurar (mais uma vez) a paz no reino. É bastante interessante termos todo um novo reino disponível no universo de Super Mario, onde vamos encontrar novos inimigos, cenários completamente diferentes e até as músicas, que são melodias totalmente diferentes do habitual da série, para se adequarem aos novos cenários, mas no entanto mantendo o selo de qualidade Nintendo.

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Não foi só a olhar para os cenários e ouvir a música que fiquei agarrado ao GBA por mais de 30 horas, mas sim pela sua jogabilidade. Apesar de ser um RPG por turnos, os elementos de plataformas estão sempre presentes, até nas batalhas. Não existe uma enorme selecção de objectos e equipamentos para utilizar como noutros jogos do género, mas existem os essenciais e os combates são 75% habilidade e 25% evolução dos personagens. Mais que um RPG onde temos apenas que atacar, defender, usar magia ou itens, aqui teremos atacar e desviar de forma manual, ou seja, quando mandamos o personagem atacar, ao pressionar o botão de ataque na altura certa, iremos causar mais danos e quando somos atacados podemos saltar para esquivar ataque e até contra-atacar, caso o salto tenha sido efectuado na altura certa. Também podemos contar com ataques em conjunto dos dois irmãos, todos eles muito originais e com animações engraçadas, uma forma bastante divertida (e útil) de causar mais dano aos oponentes. A evolução dos personagens também tem um toque bastante original, não foge muito ao clássico “ganhar experiência para subir de nível”, só que a cada nível ganho podemos escolher um atributo a aumentar. Este aumento será feito com base numa roleta que aparece no ecrã e que aumentará o atributo com o número correspondente.

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Fora das batalhas encontramos obstáculos que serão contornados com puzzles muito ao estilo de Zelda, onde teremos de utilizar os nossos recursos de forma inteligente e por vezes pensar um pouco fora da caixa. Também existem alguns mini-jogos criados pela Vanpool Studios que, na minha opinião, não são maus mas não acrescentam grande coisa ao jogo.

Divertido e viciante, Mario & Luigi Superstar Saga consegue juntar o melhor de RPG e Platformer num pequeno cartucho de GBA e proporcionar uma excelente experiência tanto para os fãs de Role Play como para os fãs do canalizador. Poucos são os defeitos, talvez uma ou outra secção que são frustrantes, mas nada que nos faça deixar de jogar. De resto, seja artisticamente ou na jogabilidade, é um dos jogos mais polidos da consola, numa execução quase perfeita por parte da AlphaDream.

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Nota pessoal: Para uma derradeira experiência, joguem isto numa Nintendo DS com slot de GBA ou num GBA com retro iluminação. Um jogo tão bonito merece ser jogado com a maior qualidade possível.