Uma análise de sete palavras? Aqui está: “Caro leitor, vá jogar este jogo. Agora.”

Um dos conselhos mais úteis que me deram enquanto escritor, e que admito ainda hoje não seguir tanto quanto devia, foi: sê breve, sê econômico. Não digas com cem palavras o que podes dizer com dez. Não o digas com vinte. Dez chegam.

Os elementos da Starbreeze que colaboraram com o cineasta Sueco Josef Fares na génese deste jogo aplicaram este conselho em todas as facetas do jogo. Brothers é uma lição de economia em design de jogos.

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A repetição é mínima. O jogo não me pediu para fazer as mesmas ações vezes sem conta só para durar mais. Não me colocou em várias variantes da mesma situação. Brothers confrontava-me com um problema, via-me resolvê-lo, e avançava para algo novo.

O resultado? Uma experiência que nunca cansou, pelo contrário, deixou um leve desejo de algo mais. Mas estou-me a adiantar…

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Duas cabeças…

A mecânica de jogo é simples. Imaginemos um jogo cooperativo de dois jogadores, em que um único jogador tem que assumir o controlo de ambas as personagens. Os irmãos são dois, e a cada um corresponde exactamente um manípulo analógico e um botão.

Este sistema de controlo cria uma certa magia táctil enquanto jogamos. Quando nos deixamos ir e estamos simplesmente a jogar, é fluído e agradável. Se começamos a pensar no que estamos a fazer, trocamos logo os dedos.

Quando funciona, o sistema revela-se elegante e cria uma ligação entre o jogador e os protagonistas que poucos outros jogos conseguem igualar.

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… para uma grande viagem.

Brothers é um jogo muito bonito, mas não no sentido habitual do termo. Não há aqui gráficos foto realistas. Brothers segue a beleza artística de jogos como Ico, Shadow of the Colossus, ou Journey. O mundo que retrata é uma pintura animada e interativa, baseada no folclore nórdico.

A viagem dos irmãos leva-os a vários locais de vasta beleza natural, mas que na sua maioria foram esquecidos no tempo. São locais sossegados, estáticos. Não gritam “Olha para mim! Explora-me!” como os de tantos outros jogos. Antes, servem de pano de fundo para a nossa história, com uma dignidade silenciosa. Tal como quando viajava pelas vastas planícies de Shadow of the Colossus, dei por mim a parar e olhar.

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Um conto escandinavo

Voltando ao início: Brothers é económico, até com as palavras. A história é contada inteiramente através dos gestos e expressões das personagens. O mundo é caraterizado pelos acontecimentos que presenciamos ao longo da viagem.

Esta alterna entre o melancólico e o belo,sempre com um grande ênfase na natureza. Os conhecedores de fábulas escandinavas encontraram aqui um excelente exemplar do género. Também esta viagem é breve, e assim o sendo, prova mais uma vez que a qualidade supera a quantidade.

Brothers mexe com as nossas emoções. E mexe com elas através da ligação que cria connosco devido ás suas mecânicas de controlo particulares.

Pareceu-vos confusa a ultima passagem? É mesmo. É raro um jogo conseguir comunicar história e emoção através das suas mecânicas, e a nós escritores de videojogos, ainda nos faltam os verbos para o comunicar correctamente.

Asseguro-vos: Brothers não só o faz, fá-lo melhor do que qualquer jogo de que tenho memória, e só lamento não ter a arte para vos explicar melhor, sem estragar a magia da experiência.

Resumindo: “Caro leitor, vá jogar este jogo. Agora.”

Pontos fortes:

  • Mundo maravilhoso
  • Mecânica original e poderosa
  • Pouca repetição

Pontos fracos:

  • Sabe a pouco
  • Início “banal”

Brothers foi desenvolvido pela Starbreeze Studios e lançado pela 505 Games. A versão em análise foi a de PC, via Steam.