18 Ago 2018
PS3

Análise: Killer is Dead

Killer is Dead é o jogo final na derradeira “Killer Trilogy“, uma trilogia temática de Goichi Suda. Mais conhecido pelo nome artístico de Suda 51, este produtor tem o talento de impressionar a indústria com a sua subversão dos diferentes géneros, a sua maneira de apresentar os conceitos mais estapafúrdios e estranhos que consegue em simples jogos de acção ou aventura, ganhou-lhe uma reputação incrível entre fans e equipas em comum. Depois dos seus grandes êxitos como Lollipop Chainsaw e Shadows of the Damned, Suda volta agora para a cadeira do director, onde termina a trilogia temática que iniciou com killer7 e No More Heroes, o derradeiro final à sua obra prima de assassinos.

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A apresentação é não só uma das mais estranhas, mas também uma das mais interessantes dos últimos tempos. Problemas no televisor? Cores invertidas? Talvez alguma interferência? Não, o grafismo e design da arte deste título é agressivo e irreverente. Texturas fora do normal, efeitos de luz bizarros, e um ambiente que parece saído de um filme de Stanley Kubrick. Todo o “cool” que este título representa, e as questões que a história coloca assim que começa, agarra o jogador do início ao fim. Este universo é espantoso, e cada pequeno detalhe contribui para populá-lo de forma fascinante.

O jogador toma o lugar de Mondo Zappa, um homem misterioso com um braço mecânico. Assassino do estado a começar a sua carreira, companheiro de quarto de uma miúda de escola interactiva, e playboy de bares, alimentando-se exclusivamente de ovos cozidos, Mondo é uma das personagens mais interessantes dos jogos de Suda. Na sua linha de trabalho, terá de viajar à volta do mundo, aceitando matar todo o tipo de abrerrações, e prosseguindo através de mundos estranhos, cada um mais interessante do que o último. As diferentes missões de assassinato ao longo do jogo percorrem a totalidade da história, se bem que existem muito mais missões alternativas, desafios e segredos para descobrir em todos os níveis.

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A jogabilidade apresenta-se inicialmente como uma forma mais evoluída de No More Heroes. A katana de Mondo é a sua arma principal, e como tal, tem um botão para atacar, um para se desviar de golpes na sua direcção, e outro para penetrar as defesas dos inimigos com o seu braço mecânico. Esta prótese também pode ser convertida numa arma poderosa que permite disparar a longas distâncias. De início, os combates no jogo são bastante limitados, e o jogador vê-se com poucas escolhas ao seu dispôr à medida que corta dezenas de inimigos ao longo dos niveis. Pouco tempo depois, desbloquear mais ataques e opções torna-se inevitável, e é aqui que o jogo ganha forma. Desde cortar inimigos com uma velocidade estonteante, fazer “juggle” de diferentes objectos ao mesmo tempo, a dar headshots mecânicos com lasers de alta potência, torna-se numa experiência magnífica. Os jogos de Suda costumam ser mais conhecidos por estilo e substância do que jogabilidade profunda, mas este tornou-se um exemplo a considerar. Sem nunca se tornar demasiado difícil, o jogo produz desafios à altura do jogador, que tem dezenas de maneiras diferentes de aniquilar todos os monstros no seu caminho.

No meio de toda a adrenalina, é possível reparar alguns erros. O jogo apresenta alguma latência no número de frames em algumas cutscenes, bem como quando o ecran está cheio de inimigos. A câmara, porém controlável, sofre devido à ausência de uma funcionalidade lock-on, algo essencial num jogo deste tipo. E com a quantidade de inimigos no ecran, há certas ocasiões em que se perde Mondo de vista, pouco ideal no meio de uma batalha frenética. O modo história também é bastante curto, acabando-se em poucas horas caso não haja tempo investido nas missões alternativas, ou desafios.

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A música do jogo é um dos muitos pontos altos do seu estilo. Depois do punk, Suda escolhe remixes de músicas clássicas como a Sinfonia do Novo Mundo para adornar o seu novo título, e funciona perfeitamente no contexto de cada nível. Outros lugares têm músicas mais minimalistas, algumas a roçar o funky.

A história, é uma das mais complexas vistas em qualquer título desta geração. Repleta de simbolismo, detalhes em aberto, sexualidade e moralidade, precisa de uma compreensão profunda sobre todos os momentos do jogo para ser completamente entendida, e encontra-se a um nível completamente diferente da maioria dos títulos no mercado, o que pode não ser o mais entendido para os que procurem uma experiência completamente focada no estilo que o jogo aparenta. O enredo chega a roçar tons absurdos de simbologia, com pequenos diálogos e cenas aparentemente simples a terem uma enorme importância. É de facto brilhante, mas de um génio louco e progressivo que poderá não estar ao agrado de todos.

Killer is Dead é um jogo de acção bastante bem conseguido, com algumas arestas por limar, embrulhado num enredo pós-modernista que merece estar ao lado de títulos deste ano marcantes a nível de história, como Bioshock Infinite e The Last of Us. Para qualquer um que procure algo de novo e irreverente, é uma experiência imperdível.

Versão testada: PlayStation 3

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