30 Ago 2018
PS4

Análise a Call of Duty: Ghosts

Mais um capítulo da série Call of Duty chega até nós, conheçam a nossa opinião sobre ele.

Call of Duty: Ghosts é o mais recente capítulo da série de sucesso que vende milhões de jogos anualmente. Nesta nova adição, desenvolvida pelo que resta do estúdio Infinity Ward em colaboração com a Raven Software, os jogadores são colocados no centro de um enredo que novamente irá salvar a América e o Mundo de uma enorme ameaça, desta vez provocada pelo uso de armas espaciais.
Colocando o jogador na pele de um de dois irmãos, e algumas vezes noutras personagens, o jogo esforça-se em transmitir a mensagem de ‘laços familiares’ ao jogador, mas falha ao longo da campanha com os seus momentos cliché, frases dos livros da tropa Americana e todos aqueles momentos a que a série já nos habituou.
O que parecia ser uma promessa de uma campanha diferente acaba por se parecer bastante com aquilo a que chamo de “filme pipoca de Domingo à tarde”.

A novidade mais falada do jogo é o cão Riley! Na realidade, por muito que o jogo se esforce em tentar que o jogador simpatize com o animal a verdade é que em pouco tempo o cão passa a ser apenas mais um NPC que anda ali misturado na História. Controlamos o cão como se fosse uma peça de equipamento, sem que haja uma mínima demonstração dos instintos do animal nos momentos em que o controlamos. Raramente vemos o cão a ter comportamentos normais de uma animal canino e se em vez do cão fosse um robô que nos andasse a acompanhar, o efeito seria o mesmo.

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Riley, o vosso cão!!

Após algumas horas no Single Player, mesmo com bons momentos ao estilo Hollywood, dificilmente o jogador retém algum momento memorável da campanha. A maior parte dos níveis resume-se a 3 actos: entrar furtivamente, passar a acção e fugir; e repetimos isto várias vezes até ao final do jogo. No fundo é o tipo de campanha que se espera de Call of Duty, mas após uma década penso que já era tempo de mudarem um pouco..

Há que salientar alguns aspectos positivos da campanha, que poderão dar a indicação de que a série pretende mudar de abordagem. Apesar da sua linearidade, há vários níveis que oferecem a possibilidade do jogador flanquear ou de seguir caminhos distintos. Há também mais destruição durante o jogo, seja em pequena escala ou em momentos que fazem lembrar Battlefield.
Acredito que se esteja a criar um novo rumo para esta série e algumas das maiores diferenças residem no modo Multijogador.

Muitos dos fãs do jogo afirmam nem sequer jogar a campanha, prosseguem imediatamente para o Online do jogo. Apesar de tanta afirmação que este jogo teria um Multijogador diferente, a verdade é que a experiência base é a mesma.
A equipa de desenvolvimento adicionou novos elementos ao jogo: poder deslizar após a corrida, espreitar nas esquinas, interagir com certos elementos do cenário ou até destruir partes do cenário.
A abordagem à destruição neste jogo não oferece nada que a série Battlefield já não tenha oferecido, aliás nem sequer consegue fazer mossa a essa série. Tratam-se de pequenos eventos pré-programados que alteram um pouco a dinâmica do jogo mas que acabam por desiludir de tão simples que são.

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Online divertido como sempre!!

Outra das principais diferenças é o tamanho dos mapas, que são um pouco maiores mas também estes desiludem. Na maioria dos mapas não há um cuidado pelo planeamento do factor jogabilidade, nota-se que foi colocado em primeiro lugar o aspecto e em segundo o design e fluidez de combate. As linhas de tiro e os trincos que são o que mais cativam num jogo multijogador, são aqui elementos que estão espalhados aleatoriamente pelo mapa. Aliado a este maus design, ainda temos um sistema de spawns que falha grande parte das vezes, algo incompreensível dado o tamanho dos mapas.
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Destruição contida!!

Para complementar o jogo a Infinity Ward incluiu os modos Extinction e Squads.
Em Squads o jogador pode criar um grupo de soldados controlados pela IA, podendo depois usá-los em jogos de equipa e cooperativos. Rapidamente se percebe que este conceito não passa de um simples jogo contra Bots..
Já o modo Extinction torna-se viciante, propondo a até 4 jogadores defrontarem vagas de alienígenas ao mesmo tempo que usam equipamento para destruir os seus ninhos. Rapidamente este modo cansa o jogador porque apenas há uma missão a realizar, ficando a promessa de serem adicionadas mais através de DLC.
Vejo muito potencial neste modo de jogo e de futuro se lhe for dado mais conteúdo e novas característica, poderá estar aqui uma alternativa consistente aos Zombies da Treyarch.

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Aliens por todo lado!!

Mesmo com todos estes problemas a verdade é que tanto a personalização oferecida ao jogador como a suavidade do controlo, fazem de Call of Duty: Ghosts um jogo que proporciona diversão acima dos seus defeitos e sinceramente, são poucos os jogos que o conseguem fazer.
É certo que a experiência deste jogo é um ‘baralha e torna a dar’ e talvez a série esteja a começar a demonstrar declínio, mas o jogo continua a ser um pacote de diversão enorme.

Versão testada: PS3

Pontos positivos:
+ conteúdo do jogo
+ controlos
+ personalização

Pontos negativos:
– quebras de frames
– motor de jogo datado
– fórmula já gasta

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