31 Ago 2018
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O PC está a morrer, ou serão as consolas?

6705PH01Durante anos que ouvimos, com certa frequência, que o PC está a morrer. Mas será que isto é verdade?

O PC sempre foi uma plataforma única, uma constante que viu várias gerações de consolas a chegar e a passar. Apesar de ser uma constante pela sua presença, a sua importância como plataforma de jogos variou ao longo dos anos, com altos e baixos. Mas especialmente durante os pontos baixas da sua vida, surgem sempre futurologistas que afirmam a morte eminente do PC.

Ainda recentemente vimos que as vendas de PCs tradicionais baixaram, sendo que laptops e desktops já não são tão importantes para o consumidor. Mas será que o aumento da venda de tablets e outros dispositivos moveis significa a morte do PC? Ou será apenas mais um reflexo da mudança deste, adoptando um formato diferente?
Em boa medida, qualquer tablet é um PC. Pode não usar um sistema Windows e uma arquitectura X86, mas verdade seja dita, o PC não começou a sua vida com o Windows e com CPUs da Intel, mas mesmo assim eram PCs, computadores pessoais. Não será difícil de perceber que X 86 e Windows não definem o PC, mas sim, são parte deste. Mesmo o rato, que é um dos ícones de interface do PC, não foi usado com o este durante muitos anos.
A quilo que temos no bolso ou numa pasta, para ver filmes, tirar fotos, escrever documentos, navegar na Internet, ouvir música, jogar, entre muitas coisas, são computadores pessoais, mas num formato pequeno, portátil, de baixo consumos e desempenho inferior, mas suficiente para operações mais simples, que os tornam numa alternativa viável para muitos clientes de PC. Ou seja, são PCs adequados às exigências dos seus utilizadores.

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No caso das consolas, deixamos de ter hardware criado exclusivamente para jogos. Antigamente os chips criados para as consolas tinham apenas como objectivo a colocação de pixeis e poligonos no ecrã, o que permitia focar o desempenho numa única tarefa, os jogos. Mas hoje espera-se que as consolas, não só sejam capazes disso, mas também de outras funções, como falar com amigos, navegar pela internet, partilhar vídeos, etc. Por isso, as consolas têm vindo a adoptar funções que normalmente eram reservadas para o PC. Mas não foram apenas as funções que foram adoptadas. O hardware de uma Playstation 4 ou de uma Xbox One, é na sua maioria, apenas peças de PC colocadas num sistema fechado e que usa  um comando para iteração, em vez de um rato e teclado. O CPU e o GPU é feito por uma empresa fabricante de hardware de PCs, com décadas de vida neste negocio, a AMD. A memória, seja DDR3 ou GDDR5 são tipos de memória usados há vários anos em PCs. O disco rígido é o formato de armazenamento de PC de de há várias décadas e recentemente foi adoptado também pelas consolas. O sistema operativo da Xbox One é baseado em Windows, vai usar uma variante do Internet Explorer para navegar na internet e uma variante do DirectX 11.2. A Playstation 4 vai usar uma variante de Unix e uma variante de OpenGL e OpenCL. Ou seja, mesmo o software das consolas é na sua boa parte, de PC. Daquilo a que era tradicionalmente parte de uma consola, pouco mais sobrou do que o comando e talvez seja oportuno dizer que o PC substituiu as consolas.
Ou seja, pelas suas funções, pelo seu hardware e pelo seu software, as consolas actuais são, em boa medida, uma variante de PC, da mesma forma que um PC Wintel ou Mac, ou PowerPC.

Em resumo, não creio que o PC tenha morrido. Bem pelo contrário, tornou-se omnipresente em quase todos os aparelhos electrónicos que usamos. Em breve o seu formato irá mudar ainda mais, ficando presente não só nos nossos bolsos e nas nossas salas de estar, ganhando presença no nosso vestuário, nos nossos electrodomésticos, nos nossos carros, em quase todas as facetas da nossa vida. Milhões de PCs, de formatos e tamanhos diferentes, unidos pelos seus utilizadores e pelas suas funções.

Os conceitos de ficção cientifica de há várias décadas atrás, são hoje uma realidade que podemos abraçar por um custo acessível a milhões de pessoas.

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