16 Ago 2018
Eventos

Lisboa Games Week 3

Mais uma sequela do Lisboa Games Week completada.

Todos nós adoramos sequelas para os nossos jogos favoritos, mas no que toca a eventos, e em Portugal, temos o Lisboa Games Week, que se trata de quatro dias intensos, dedicado a videojogos.

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Este ano estivemos na terceira edição deste evento e começamos por frisar algumas melhorias referentes à nossa opinião no ano passado. Falamos sobre o facto do evento estar a subir no numero de visitantes de ano para ano, e que seria muito difícil conter este evento num só pavilhão em futuras edições. Pois bem, parece que a organização ouviu e tentou arranjar uma solução.

Passando para o Pavilhão 3 e aproveitando a ligação com o Pavilhão Inovação AIP, o evento conseguiu ganhar alguns metros quadrados para melhor organizar as bancas. Dentro do Pavilhão 3 pudemos contar com a presença da PlayStation, Xbox e Warner Brothers, que nos trouxeram uma grande variedade de jogos para experimentar, dando destaque à presença de The Last Guardian, Horizon: Zero Dawn, GT SportDead Rising 4, Halo Wars 2 e Injustice 2.

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Mais à frente no pavilhão podíamos encontrar as típicas bancas dos patrocinadores, como o caso dos CTT e Worten, que este ano se tornaram mais ativas e forneceram algum entretenimento aos visitantes. E como não podia faltar, tivemos a zona da HP e da ASUS onde pudemos sentir a competição e o trash talk no ar entre vários jogadores que procuravam demonstrar as suas capacidades em jogos competitivos como Rocket League, Counter Strike: Global Offensive, Overwatch e League of Legends.

Mas falando mais específicamente das entidades presentes, fiquei contente por ver o regresso da Xbox ao evento, visto que sentimos a falta dela o ano passado, especialmente por ter tido um final de ano tão bom em lançamentos. A disposição estava simples e fartou-se de promover a funcionalidade Xbox One vs PC, mas o grande ponto a elogiar foi a presença de Dead Rising 4 e Halo Wars 2, dois grandes jogos “exclusivos” que os jogadores puderam jogar em antemão.

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No lado da PlayStation, a mesma continua dominante, mas este ano foi ainda mais devido à grande quantidade de conteúdo que trouxe. Como seria de esperar o palco foi dedicado à Liga NOS PlayStation, onde decorreram vários torneios, desde FIFA 17, Mortal Kombat X, Street Fighter, Rocket League e NBA 2k17. Em grande destaque esteve o GT Sport que contou com uma grande área para os jogadores se porem ao volante de um super carro. Também com muita visibilidade foi o PlayStation VR, que novamente esteve os dias todos cheio de marcações e o Teatro PlayStation, onde alguns felizardos puderam experimentar Horizon: Zero Dawn e The Last Guardian (Sim, é real).

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Este ano não pudemos contar com a presença da Nintendo, que pelos vistos decidiu juntar todos os trocos possíveis para trazer os produtores de Pokémon Sun & Moon para a Comic Con Portugal.

Fugindo da multidão, demos por nós a passar mais tempo no Pavilhão Inovação AIP, onde se situou o Indie Dome, um espaço dedicado exclusivamente a indie games, tanto nacionais como internacionais, e o palco ISCTE, onde ao longo dos quatro dias tivemos diversas palestras que abordaram os mais diversos temas. Queríamos agradecer aos nossos colegas do Galinheiro pelo convite ao palco onde pudemos ter uma pequena conversa sobre os line-ups que a Microsoft e a Sony nos apresentam de momento e num futuro próximo.

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Agora vamos à parte chata e começar a enumerar aquilo que achamos mal este ano, contudo, desta vez vai ser diferente.

Este ano as Raposas vão criticar o público (Sim, vocês) e não a organização (Quer dizer, vamos, mas só lá mais para a frente).

Portugal é um país muito pequeno e com uma mentalidade muito pequena para eventos deste género. Para quem foi Quinta e Sexta-Feira, o evento deverá ter corrido às mil maravilhas, mas a bolha arrebentou Sábado e Domingo. O comentário mais notório/comum nas redes sociais e no evento foi o “Lisboa Lines Week”. Várias vezes foi feito este comentário durante o evento, onde presenciei pessoas a queixarem-se do tamanho da fila.

Não me julguem hipócrita, eu também não gosto de esperar na fila, contudo se o conteúdo me interessa e sei que só o consigo ter assim, lá terá de ser. E é a este ponto onde eu quero chegar… Diria que a maior parte das pessoas que ouvi queixarem-se disto, estavam na fila para jogar…

(Drum Roll)

FIFA 17.

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Um jogo que estava presente na zona Xbox, CTT, Worten, Samsung e só faltava estar na banca dos Kebabs… Várias foram as pessoas que se submeteram a filas gigantescas para jogar uma partida com o seu amigo ou com um desconhecido. E no entanto, vi vários jogos, como o caso de Dead Rising 4, No Man’s Sky (LOL) e Call of Duty: Infinite Warface (Sim, as filas eram mínimas) que não tinham fila quase nenhuma. O que me deixa mais frustrado com as pessoas é ouvir comentários como “mais valia ter ficado em casa, que lá não tenho fila para jogar”… É isto a que se resume uma boa parte do publico do Lisboa Games Week.

Este evento não é para vocês pagarem 10€ a 13€ para irem jogar FIFA 17, um jogo que já têm em casa. O publico devia aproveitar estes eventos para experimentar jogos e consolas que não têm acesso fora do evento. Se querem mesmo jogar FIFA, Counter Strike, League of Legends ou outros desses jogos que praticamente todo o Português tem em casa, inscrevam-se nos torneios, porque assim podem realmente provar que as 50 horas semanais que passam a jogar Ultimate Team ou a partir o Nexus do oponente, estão a compensar.

Este ano foi disponibilizado uma apresentação do Injustice 2, uma pequena demo de Horizon: Zero Dawn, The Last Guardian, Dead Rising 4 e Halo Wars 2, que devia ter sido a prioridade de qualquer participante. Fora os jogos, tínhamos os espaços Nostalgica e Republic of Pinball que deram a oportunidade de experimentar material retro que raramente se vê, assim como o Palco ISCTE que inúmeras vezes viu-se com uma plateia de uma ou duas pessoas enquanto se falava de jornalismo, produção de videojogos, retrogaming e muitos outros temas. Eu não me quero armar no gajo que acha que sabe como cada pessoa devia ir ao evento, mas em certo ponto, o publico leva-me a tal. Tenho noção que seria uma jogada impossível e de risco elevando, mas se limitasse o FIFA apenas às zonas de torneios, gostava de ver quantas pessoas deixavam de ir ao evento (E sim, estou a ter em conta que pode haver pessoas que ainda não tenham comprado o FIFA 17). Ou pelo menos quantas pessoas já teriam a oportunidade de experimentar mais coisas, visto que não perdiam horas em filas para um jogo. A PlayStation ainda tentou dar alguma prioridade aos subscritores do PlayStation Plus, permitindo que estes tivessem prioridade nas filas de espera.

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Todos temos de mudar a nossa mentalidade relativamente a este tipo de evento. Com a evolução do numero de pessoas que aderem ao evento de ano para ano, tanto nós como a organização tem de perceber que vai ser preciso mais espaço, e deixo já a dica para o ano que vem, pois temos de ter dois pavilhões, caso a Nintendo se juntar à festa com a Switch a fazer furor na cabeça das pessoas.

Com o evoluir deste evento, possivelmente, teremos em futuras edições mais conteúdo para experimentar em antemão, produtores e jornalistas de jogos a darem palestras que valem a pena assistir. O objetivo é poder dizer que se gastou 10€ ou 13€ para fazer algo que de forma alguma seria possível, ou que se obteve uma informação nova para um futuro projeto/plano de vida.

Mas agora, como prometido, vamos ao evento.

O espaço para os youtubers foi colocado de maneira mais inteligente este ano, estando duas mesas nas extremidades do pavilhão, evitando a confusão que foi o ano anterior, pois estavam todos no mesmo canto, o que fazia aglomerar uma multidão desagradável. Contudo, a falha continua. A fila gigantesca continua dentro do pavilhão, e este ano creio que possa ter prejudicado algumas bancas de merchandise.

Já não devia ser um mistério que os Youtubers atraiem muito público para o Lisboa Games Week, e como tal, a fila para os conhecer, por vezes, torna-se ridícula. Este ano a fila começava no corredor das bancas de merchandise (Lado direito do pavilhão), o que fez com que muitos evitassem o corredor, devido à confusão. A organização tem de arranjar um método viável para que as filas não interferiram com a boa circulação dos outros visitantes. Do lado oposto, a fila não era tão evidente, pois estava atrás de quase todas as bancas.

Com isto podemos tirar uma conclusão bastante óbvia. A fila para os Youtubers não pode, de maneira alguma, bloquear ou impedir o acesso a nenhuma outra atração do evento. Uma solução é organizar o pavilhão de modo a que as filas sejam sempre feitas pelas extremidades do pavilhão, ou que sejam feitas por fora do mesmo.

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Já agora, um pequeno aparte: Para os pais que a cada ano se tornam mais pacientes nas filas dos Youtubers, os meus parabéns. Tendo sido voluntário no TuFazes 2 e no TuFazes de Natal, eu percebo a frustração de estar horas numa fila para que os pequenos recebam o autógrafo dos seus youtubers favoritos, mas pondo em perspetiva, já cheguei a estar 8 horas numa fila para que a Laura Bailey (Atriz de voz da Jaina Proudmore, Warcraft) me desse um autógrafo na capa do jogo, enquanto que aqui eles podem despachar logo quatro ou cinco autógrafos de uma vez. Mas depois dos autógrafos não corram para a saída… Vejam o que o resto do evento tem para oferecer. Podem até assistir às palestras para tentarem perceber porque é que esta indústria mexe tanto conosco.

A organização devia considerar voluntários para a zona dos Youtubers, para ajudar no “trânsito humano”. Os miúdos adoram conhecer os seus ídolos, mas se cada miúdo parar para pedir um autógrafo, tirar uma foto e ainda contar a história da sua vida, a fila não mexe. Isto torna-se cansativo para os próprios Youtubers. Pensem em arranjar um sistema em que cada um vai à mesa, pede um autógrado, tira uma foto, e se quiser que deixe um recado/carta/bilhete com a sua história. Todos têm de ter a mesma oportunidade.

De resto, creio que os espaços estavam bem distriuídos, só tenho pena que a porta para o Pavilhão Inovação AIP estivesse tapado pela banca do Injustice 2. Algum tipo de sinalização no topo do portão ajudaria a chamar mais pessoas à zona.

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TL;DR, mais um ano, mais um bom evento. Ainda há muito para evoluir, mas desta vez não é só o evento em si. A mentalidade dos visitantes tem de mudar um pouco para que os próprios participantes tenham vontade de trazer cada vez mais e melhor conteúdo. Se nos contentarmos com o que há, ou não dermos uso ao que nos é disposto, não haverá evolução. Uma boa gestão do percurso que os visitantes devem ou podem fazer, sem haver zonas de aperto vai ajudar a libertar o espaço.

E com isto vemo-nos para o ano Lisboa Games Week.

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