Desta vez reservámos a Sala do Colecionador para uma das raposas da casa e surpreendam-se. ..Não coleciona jogos.

Filipe Dionísio é uma das raposas a cargo dos trabalhos audiovisuais da Foxbyte e amante incondicional de Destiny. O que o destaca para esta Sala do Colecionador é o facto de ele não colecionar jogos mas sim t-shirts. Estão curiosos por saber mais? Nós também.

Foxbyte:  Muito obrigado por te teres sentido obrigado a participar nesta nossa rúbrica, Filipe. Espero que não te sintas forçado a responder a nenhuma das nossas perguntas, mas de qualquer das formas, não tens outro remédio.

Conta-nos o que fazes para além de dedicar tempo à Foxbyte e andares às voltas em sessões de Destiny que no final acabam por ir dar sempre ao mesmo…tu perderes.

Filipe Dionísio: Obrigado eu por me abrirem a porta para esta entrevista, mesmo que seja para me tentar expulsar, visto já estar cá dentro. Ora bem, para além dos rages em Destiny, na vida real trabalho como técnico Audio-Visual na Jukebox, empresa de produção de eventos e trabalhei também em Dobragem, na gravação de actores nos estúdios da 112Studios.

F: Visto que todos nós partilhamos de gostos idênticos, seja em jogos, filmes, séries, etc. O que te puxou a começares a fazer uma coleção de t-shirts em vez de moedas ou selos como tão honrosamente o meu avô faz? Estou a brincar, já não tenho avós.

FD: Sabes que há uns anos ainda comecei a coleccionar pins, por serem pequenos e fáceis de arranjar, mas a minha mãe “um dia entrou lá no quarto e deitou tudo fora” só porque não estava arrumado e não podia “brincar com coisas pontiagudas”… Aquele clássico. Agora mais a sério, não me lembro exactamente o momento em que tomei essa decisão, mas lembro-me desde pequeno procurar e gastar o pouco dinheiro que poupava nas clássicas t-shirts de bandas, Slipknot, System of a Down, etc. Hoje em dia vejo as coisas de outra forma, no sentido em que uma t-shirt consegue directamente criar uma ponte de ligação entre pessoas, mesmo que inconscientemente, enquanto “primeira impressão”. Hás-de reparar das próximas vezes que tiveres contacto com algo do género.

F: E não achas isso um bocado maricas? Colecionar roupa todas as miúdas fazem. Porque não colecionas armas de fogo ou memorabília da 2ª Guerra Mundial? Isso sim, é de machão.

FD: Então mas achas que se coleccionasse algo do género, mesmo morando noutra casa, a minha mãe não ia lá e não me mandava tudo fora? Ela não ia ficar nada contente com essas bugigangas. Assim compensa a falta de pêlos no peito, não passo frio.

F: Concordo plenamente com a falta de pêlos no peito, durante o inverno parece que tenho dois casacos de malha vestidos e no verão, quando vou à praia, pensam que estou sempre de fato de mergulho.  Diz-nos quais são as tuas relíquias ou as t-shirts que mais prezas na tua coleção?

FD: Pois, eu ao sol acabo por encadear a malta toda na praia, por isso já nem vou. Aquela que penso ser a mais valiosa para mim, ou neste caso a que tem mais significado, é uma t-shirt com que fui a vários concertos da minha banda favorita, The Hives. É uma t-shirt feita por mim e atrás tenho as datas dos concertos a que já fui, demonstrando uma espécie de tour pessoal. Entre outras, tenho por exemplo uma de Destiny, em que só era possível comprar, depois de completar certas actividades no jogo (sendo que todos os lucros eram revertidos para a Bungie Foundation) ou ainda uma t-shirt aquando a morte de Satoru Iwata, em que os lucros foram metade para a Child’s Play e a outra metade para investigação do cancro. Fora outras, dadas por pessoas chegadas e tendo essa importância pessoal.

F: Gostei muito dessa t-shirt DIY dos The Hives. Se não colecionasses t-shirts nem pins, o que é que achas que iria ser a próxima coisa a ir parar ao balde do lixo pela tua mãe?

FD: Este último ano tenho caído na tentação das estatuetas e afins, por um maior convívio com a malta da comunidade. O que posso dizer agora, é que é um vício bem mais caro que umas simples t-shirts e a carteira não gostou nada dessa novidade.

F: Compra uma estatueta de 80 kilos e prometo que a tua mãe vai mudar de ideias em relação a deitar fora coisas tuas. Por falar nisso, a tua mãe tem as chaves do teu apartamento?

FD: Infelizmente tem, mas montei várias armadilhas à volta do perimetro e sou logo avisado assim que se aproxima a pelo menos 20km.

F: No meu caso, quando vou à casa dos meus pais e enervo a minha mãe, costumo mandar-lhe chocolates. Fica calma num instante. Existe algum tipo de coleção que gostavas de começar mas que não é de todo possível?

FD: A minha vai lá com Mon Chérris, mas às tantas já me topou o golpe… Sinceramente acho que não. Para já, vou continuar a arranjar alguns artigos dos jogos e afins que gosto. Uma das mais recentes aquisições por exemplo, foi o livro do filme Babadook, artigo que não é muito comum ver-se por aí.

F: Por último, e porque já estou farto de escrever. Que dicas dás a quem está a começar a colecionar e a quem está-se a lançar no audiovisual?

FD: Acho que como em qualquer colecção, a questão monetária prevalece qualquer outra. Minto, o não conhecimento por parte das nossas mães é claramente o mais importante. Fujam!

Muito obrigado pelo teu tempo e ai de ti que não faças uma t-shirt com a minha figura esbelta em tronco nú montada num urso pardo.

A todos os que leram tudo até ao fim, estimamos a vossa paciência. Espero que tenham gostado e já sabem, se têm interesse em participar nesta nossa rúbrica, entrem em contacto com qualquer uma das raposas de serviço menos o Filipe, que vai estar ocupado a fazer a minha t-shirt.