18 Abr 2019
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Pokémon Go, amigo ou ameaça?

Pokémon Go invadiu os telefones de milhões de pessoas por todo o mundo. Fiquem a saber o que estamos a achar acerca deste fenómeno.

O smartphone é um dispositivo que faz parte do dia-a-dia de milhões de pessoas por todo o mundo e sabendo disso, a Nintendo aproveitou para em conjunto com a Niantic, lançar Pokémon Go, uma aplicação que resumidamente é uma espécie de Geocaching mas com Pokémon.

Iniciamos a aplicação criando o nosso avatar e escolhendo o Pokémon inicial. Como por enquanto só está disponível a primeira geração de Pokémons, só podemos escolher entre Bulbasaur, Charmander e Squirtle (ou haverá mais algum que possam escolher!? Fica a dica), e depois deste dilema inicial, teremos que andar com o nosso smartphone à caça de Pokémons. Quem já jogou os títulos das consolas, vão reparar que o jogo é completamente diferente. À excepção de coleccionar monstrinhos, tudo o resto é diferente da fórmula que a Game Freak nos habitou nestes últimos 20 anos. Para capturar Pokémons basta apenas atirar Poké Bolas, e os combates acontecem apenas nos ginásios. Existem também PokéStops, que são pontos de referência atribuídos através do Google Maps onde os jogadores de 5 em 5 minutos podem visitar para receber Poké Bolas, poções, ovos, entre outros itens.

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Podia levar o dia todo a escrever sobre o jogo, mas vou apenas falar sobre a minha experiência e sobre aquilo que acho que vai influenciar no mundo. Começando pelo que de mal pode acontecer por causa do jogo, já existem relatos de acidentes provocados pela falta de cuidado de quem o joga. Qualquer actividade tem os seus riscos e estamos todos sujeitos a que algo nos aconteça. Se um miúdo cair porque foi a correr atrás de um passarinho, a culpa é do miúdo, mas se o miúdo cair enquanto caçava Pokémons no seu smartphone, a culpa já vai ser da Nintendo, essa maléfica empresa que criou o jogo para diversão dos seus clientes. Mas na verdade quem teve a culpa? A Nintendo? O miúdo que não soube distinguir o certo do errado? Os pais que não o estavam a supervisionar? O Quintino Aires que não lhe deu a palestra “Os videojogos são um mal pior que a cocaína”? Na verdade foi um conjunto de factores que levaram a esse fim. O acidente aconteceu enquanto jogava Pokémon Go, mas podia ter acontecido, como disse anteriormente, a correr atrás de um pássaro ou simplesmente porque decidiu que era um bom sitio para brincar. Tal como tudo na vida, as coisas têm tempo e lugar para serem feitas (o Prof. Oak sempre nos disse para não andarmos de bicicleta dentro de casa) e as pessoas deveriam ter noção daquilo que fazem, assim como deviam ter noção que não se deve jogar Pokémon Go enquanto de conduz e mesmo a pé, nunca perder o percepção do meio que nos rodeia (kudos para quem fez o ecrã de carregamento referenciando isso). Por isso caros leitores, tenham atenção enquanto jogam e se tiverem filhos que joguem, tomem todas as precauções necessárias para que eles não se aleijem enquanto têm uma experiência tão agradável e divertida.

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Nunca pensei que Pokémon Go chegasse a este patamar de popularidade. Quando vi o primeiro trailer fiquei com um hype tremendo, mas nunca pensei que fosse falado no noticiário, que aparecessem tantas pessoas acima dos 40 anos a jogar (até a minha mãe já me pediu para lhe instalar o jogo…), que existissem campanhas publicitárias de todo o tipo de produtos referenciando o jogo, incluindo marcas de cerveja, clubes de futebol, TUDO! Qualquer post na internet tem uma referência ou comentário sobre Pokémon Go, é como se tratasse de uma epidemia que se alastra pelos telefones e se apodera da mente da população. Será este o Apocalipse Zombie de que toda a gente esperava?

Pelo que tenho visto, tanto os pequenos comerciantes como as grandes marcas já viram o jogo como uma oportunidade de negócio. Para além dos pequenos tópicos que têm aparecido na Internet sobre cafés e lojas que utilizam o jogo como chamariz, também já ouvimos rumores de que a McDonald’s está interessada em fazer parceria com a Nintendo para transformar os seus restaurantes em ginásios e Poké Stops. O que faz todo o sentido, pois estes locais funcionam como pontos de encontro para os jogadores. Esta pequena aplicação faz com que as pessoas comecem a ser mais activas e sair de casa, fazendo com que o turismo interno cresça e mesmo para o turismo que vem de fora, é uma boa forma de explorar o sitio para onde vão passar férias, obrigando as pessoas a visitarem os pontos de referência à procura de paisagens, souvenirs e claro, Poké Bolas. É como ter um guia turístico de bolso bastante divertido e que não os bombardeia com informação chata sobre o local.
Em relação à minha experiência com o jogo, devo dizer que tem sido enriquecedora. Não tenho jogado tanto como queria, pois vivo numa zona turística e nesta altura tenho imenso trabalho, mas todos os bocados que tenho livres têm sido a visitar pontos de referência da vila à caça de itens e daqueles bichinhos marotos que de vez em quando invadem o ecrã do meu telefone. Tem sido como um ritual sair do trabalho às 24:00 e passar pelo centro da vila. Tem sido engraçado também passar por diferentes zonas e ver a diferença dos Pokémons que aparecem. Vivo no Algarve então tenho tudo perto: mar, mato e montes. Foi engraçado passar pela praia e encontrar Poliwags e Psyducks, mas mais engraçado ainda visitar o farol do Cabo de São Vicente e apanhar Magnemites e Voltorbs

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Tenho gostado de ver a interacção dentro da comunidade. Até à data a vasta comunidade relacionada com o jogo tem espírito de cooperação mesmo que as equipas sejam diferentes. A comunidade Portuguesa do jogo já conta com milhares de jogadores que todos os dias trocam dicas, ideias, experiências e apesar de ser um jogo recente, já existem eventos planeados. Mais que um jogo de crianças, Pokémon Go é um jogo que apela à nossa veia de explorador enquanto caçamos monstros virtuais. Mesmo estando ainda numa fase inicial, já fez uma boa percentagem da população mundial se levantar do sofá e mudar rotinas e hábitos, agora imaginem como será daqui a uns meses quando a app tiver ainda mais interacção social como trocas e combates directos.

Explorem, socializem, divirtam-se e aproveitem um dos maiores fenómenos dos últimos tempos.

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