28 Ago 2018
Xbox One

Análise: Ryse

A ENE3 meteu as mãos a um dos jogos de lançamento tecnicamente mais impressionante, das consolas de nova geração.

Depois de um impressionante vídeo de demonstração na passada E3, a Crytek recebeu elogios daquilo que foi mostrado, referentes ao campo visual, mas também foi fortemente criticada pelo abuso de solicitações ao jogador no ecrã.

Começando pela História do jogo, Ryse convida o jogador a controlar Marius Titus, filho de um  famoso General Romano durante a campanha contra os bárbaros e a dado momento assistimos, tentando solucionar também, à queda de uma Roma mal governada por Nero e os seus filhos arrogantes.
É uma campanha muito linear onde, em vez do famoso “hurra” dos jogos militares actuais, temos outros valores como a Honra e o amor por Roma. Os eventos no jogo são bastante scriptados e não dão muita liberdade de escolha ao jogador.

[singlepic id=5920 w=800 h=400 float=center]

A jogabilidade embutida em Ryse é bastante simples, os combos são uma minoria e rapidamente se memorizam. O jogador vai passar quase toda a campanha do jogo, umas 10 horas dependendo de cada um, a repetir os mesmos movimentos, as mesmas defesas e ataques, os mesmos combos. De facto estamos perante um jogo com uma jogabilidade bastante repetitiva, quebrada apenas por alguns momentos em que controlamos algumas armas especiais ou fazemos formação com outros soldados romanos. É também possível ordenar pelo Kinect alguns comandos de voz em certas situações, que na verdade funciona mais rapidamente que manter um determinado botão pressionado, em plena batalha, durante alguns segundos.

[singlepic id=5921 w=320 h=240 float=left]Os famosos ” QuickTime events”,  que pedem ao jogador para pressionar determinado botão em determinado espaço de tempo, estavam demasiado presentes e, após muitas críticas por jogadores e membros da imprensa que jogaram a Demo em eventos, a Crytek decidiu alterá-los para outra coisa… Em vez de aparecerem as indicações no ecrã do botão que devem pressionar, a equipa de desenvolvimento inseriu nos inimigos uma cor que representa o botão que devem pressionar a determinado momento. Não acontece nada de errado quando o jogador falha esses botões, simplesmente perde pontos e não executa certos movimentos especiais.

O único ponto forte deste sistema de combate simples são as execuções, que são atingidas facilmente quando o jogador progride correctamente durante o combate e cumpre com os botões que lhe são solicitados.
Presentes no jogo estão 98 execuções para desbloquear, 42 delas a serem realizadas contra dois inimigos simultaneamente.

A quantidade de detalhe presente nas personagens é impressionante e durante as execuções, onde a câmera do jogo foca a acção e o tempo abranda, podemos visualizar todos os pormenores que destacam este jogo de todos os outros jogos de lançamento. As expressões faciais são fantásticas, com os inimigos a reagirem expressivamente a cada golpe que lhes é desferido, as animações são muito naturais e a movimentação das roupas e armaduras conferem-lhes um aspecto muito aproximando da realidade.
Estes detalhes expressivos conferem uma brutalidade e um realismo enorme ao jogo, e são também o que fazem o jogador perdoar a sua jogabilidade simples.

[singlepic id=5922 w=800 h=400 float=center]

Os cenários de jogo são variados, num momento estamos numa praia de frente para uma muralha a lutar, como no outro estamos numa floresta incrivelmente detalhada, onde a vegetação reage aos movimentos das personagens. Todo o ambiente de jogo está extremamente detalhado e conta com sequências que nos fazem arregalar os olhos. Chega a ser incrível, e de certo modo irónico, quando nos lembramos que Ryse era para ser um jogo para o Kinect, realizado por uma empresa que só fez FPS..

[singlepic id=5923 w=800 h=400 float=center]

Para terminar, está incluído um modo cooperativo para dois jogadores. Este modo complementa com sucesso o pacote de jogo e é um dos seus maiores focos de divertimento. Os jogadores devem superar vários objectivos dentro de uma arena, ao bom estilo do gladiador, objectivos esses que variam desde o confronto com vagas de inimigos, proteger objectivos, assassinar alvos específicos, entre outras coisas.
O facto de os objectivos surgirem de ordem imprevisível faz com que cada sessão de jogo seja diferente e convide os jogadores a mais uma partida.

[singlepic id=5983 w=800 h=400 float=center]

Desenganem-se! Querem ver do que uma consola de nova geração é capaz? Então Ryse é o vosso jogo! Um espectáculo épico e brutal que apenas perde pela jogabilidade simples e repetitiva que no entanto torna-se viciante pela sua brutalidade e execução.
Fãs do Gladiador também estão convidados.

[display_label style=positivo]Pontos positivos[/display_label]

  • Tecnicamente impressionante
  • Combate viciante pelas razões descritas na análise
  • Modo cooperativo

[display_label style=negativo]Pontos negativos[/display_label]

  • Pouca longevidade a longo termo, tanto pela campanha linear como pela jogabilidade repetitiva

[display_label style=nota]Nota: para efeitos de análise o autor adquiriu o jogo pessoalmente[/display_label]

Também te pode interessar