O exclusivo temporário Xbox One: Rise of the Tomb Raider já chegou e nós estamos aqui para vos contar a nossa experiência na nova aventura de Lara Croft.

Estávamos em 2013 quando a Crystal Dynamics lançou o reboot da série com o lançamento de Tomb Raider, um título completamente afastado das mecânicas originais, mais direccionado para a acção e para um público mais abrangente. Com uma dose mais reduzida de puzzles em direcção aos mais antigos e com uma vertente mais forte de acção com muitas explosões e um nível de violência mais intenso mas no entanto a conseguir cumprir com uma história sólida e uma experiência agradável. A primeira aventura de mundo aberto dentro da série, com um tom mais negro e dramático com a pobre Lara a sofrer tudo e mais alguma coisa.

Muitos detestaram a nova visão da Crystal Dynamics em relação à série onde tudo foi alterado. Desde o modelo de Lara Croft até às mecânicas de jogo com os puzzles e dificuldade geral a serem reduzidos em prol de algo mais fácil de jogar. Se nos anteriores ficávamos horas atrás de horas presos numa sala e por vezes tínhamos que recorrer aos guias na internet, no reboot da série ficou tudo mais fácil, um simples pressionar de um botão encaminha-nos o caminho para a solução. Muitos detestaram, outros adoraram – é difícil encontrar aqui um meio termo.

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Se fazem parte do lote que detestou o primeiro jogo podem parar já de ler esta análise. Se adoraram então continuem, a essência é exactamente a mesma. Rise of the Tomb Raider não vos vai fazer mudar a opinião em relação ao primeiro jogo. Apenas vai alimentar o vosso gosto pelo novo rumo da série ou então confirmar que o que não gostaram no primeiro, continua presente no segundo.

A título pessoal sou a favor de reboots quando são bem feitos. De início torço o nariz a estas coisas mas prefiro aguardar o produto final e dar o benefício da dúvida. Foi isso que fiz em 2013 e na altura o resultado surpreendeu-me pela positiva. Consigo perceber quem não gostou porque realmente é algo que se afastou totalmente do que é Tomb Raider, podia até ter tido um título completamente diferente mas como um videojogo conseguiu entreter-me por largas horas e a experiência final foi para mim, muito positiva.

Posto de parte um dos elementos mais decisivos, vamos então ao que interessa: Rise of the Tomb Raider.

A aventura arranca de forma semelhante à aventura e também a par com grande parte do ritmo do restante jogo. Muitos trambolhões, explosões, gritos e umas quantas costelas partidas para Lara Croft. O argumento começa um ano depois dos acontecimentos do primeiro jogo, agora, Lara procura desvendar os segredos detidos pela entidade Trinity, os também responsáveis pela morte do seu pai.

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A história mantém a sua qualidade, com algumas reviravoltas pelo caminho e uma dose de cliché essencial para dar aquela pitada de experiência cinematográfica. O ambiente está fabuloso, começamos nas montanhas da Síria e regressamos mais tarde à neve pisando o solo da Sibéria. A modelação dos personagens e ambientes é um dos pontos fortes de Rise of the Tomb Raider, as expressões faciais foram cuidadosamente capturadas de modelos reais e a transação entre cutscenegameplay é tão suave que toda a jogabilidade parece um longo filme. Lara reage às condições que atravessa seja pelo bater dos seus dentes no frio extremo ou pelo tremelico do seu corpo ao sair de água gelada. Existem “pequenos” detalhes ao longo do jogo que abrilhantam a experiência global. Visualmente é muito agradável e em termos de performance não consegui também apontar nada de negativo, corre muito fluído e sem tempos de carregamento exagerados, para uma experiência em mundo aberto é bom não existirem interrupções.

Existem “pequenos” detalhes ao longo do jogo que abrilhantam a experiência global.

O que também é sem interrupções é toda a acção do jogo. Estamos constantemente a atravessar confrontos directos com inimigos, explosões, perseguições ou ainda a fugir a ursos e outros animais raivosos. A acção furtiva levou um maior ênfase em Rise of the Tomb Raider e surgem agora mais situações em que a devemos aplicar. Existem mais áreas superiores para tentarmos flanquear os inimigos sempre que possível. A inteligência artificial está competente, os inimigos vão avançando contra nós sem se tornar algo demasiado sufocante e vão se tornando progressivamente mais difíceis de encarar.

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A jogabilidade é praticamente a mesma que a do anterior, a Crystal Dynamics mantém a aposta no mesmo motor de jogo adicionando novas mecânicas e animações a Lara. Existem aqui muitas inspirações em vários jogos como Last of Us, Assassin’s Creed e Uncharted (demasiado óbvio este). Podemos atirar uma garrafa para distrair os inimigos, ficar camuflados dentro dos arbustos e o sistema de plataformas e sensação de tiro lembram em muito, Uncharted. Isto não é mau, se são bons jogos e as adaptações estão bem feitas, para nós fica mais fácil a adaptação e é mais seguro que fazer más.

Crystal Dynamics ouviu algumas das críticas no primeiro jogo e a maior delas era a falta de túmulos e de puzzles para resolver. É verdade que não estão no mesmo paradigma que os dos jogos antigos mas a verdade é que voltaram em peso à série. Existem uma série de cavernas e túmulos para explorar e puzzles para resolver. O sistema de instinto ajuda-nos em alguma orientação mas não mostra o caminho completo para todas as resoluções. Também existem missões secundárias espalhadas pela campanha principal o que também se traduz em mais horas de jogo.

Depois de terminado o jogo podem ainda repetir as missões mas com umas ligeiras adaptações. É aqui que entram as nossas amigas (só que não) micro-transições. Podem ou não dar uso a dinheiro real para comprar cartas que depois aplicam às missões. Estas cartas modificam as regras da missão onde são aplicadas ou até mesmo a própria jogabilidade, trocando as armas, adicionando elementos fun ou aumentando a dificuldade global. Para além da repetição das missões, podem ainda capturar os clássicos coleccionáveis que também ajudam a coleccionar uma dose de experiência extra.

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Tal como no jogo anterior, andamos constantemente à caça de boas doses de XP para conseguirmos evoluir Lara e o seu arsenal, ao máximo. Este aspecto vai certamente agarrar-vos mais horas ao jogo, tal como eu, vão estar sempre ansiosos por desbloquear melhorias e fatos novos para Lara.

Rise of the Tomb Raider segue a linha do anterior mas com uma dose de melhorias à mistura. Lara continua uma excelente aposta, em exclusivo temporário na Xbox One. Visualmente excelente e com uma série de túmulos para ultrapassar, Rise of the Tomb Raider é uma muito boa aposta para esta época natalícia e é sem dúvida um título obrigatório para os jogadores Xbox One. Se não são jogadores Xbox One não desanimem demasiado, perdem por não estar já a jogar mas o mais certo é para o ano receberem uma versão que conte já com os possíveis DLC e com algumas melhorias, no PC e PS4.