26 Mar 2020
Xbox One

Análise – Cuphead

De sádicos para masoquistas.

Cuphead é um jogo indie, criado pela Studio MDHR, sendo um side scrolling run and gun. O jogo tem fortes inspirações nos desenhos animados dos anos 30 no que toca ao seu aspeto visual, aliando-se a uma gameplay moderna e muito precisa.

A estória mete-nos no papel dos irmãos Cuphead e Mugman da Inkwell Isle, que vivem com o Elder Kettle. Um dia os irmãos foram passear pela floresta e encontraram o Devil’s Casino. Decidem entrar e a sorte brilhou do lado deles, até que o Diabo chega e faz-lhes uma proposta – mais uma jogada e ficam com o dinheiro todo, mas se perderem o Diabo recolhia as almas deles.

Cuphead não hesita e lança os dados e… Snake Eyes… Enquanto o Diabo se preparava para lhes tirar a alma, os irmãos suplicaram por uma solução, e foi aí que ele lhes fez uma proposta – recolherem as almas daqueles que estão em dívida com o Diabo. Cheios de medo, Cuphead e Mugman não perdem tempo e fogem o mais rápido possível do casino, e começam à procura das nomes da lista que o Diabo lhes deu.

A partir daqui o jogador pega no comando e começa a sua aventura. O jogo lança-nos num overworld, ao estilo do Super Mario World, e podemos começar a explorar o mesmo. Temos alguma liberdade para explorar o mapa, no entanto é algo limitado, pois o objetivo é derrotar os níveis para aceder a outras partes do mapa.

Os níveis são maioritariamente lutas contra bosses, sendo que cada um tem diferentes fases e mecânicas, únicas entre eles. A imaginação que veio por parte dos artistas para criar estes bosses é um dos grandes pontos do jogo, sendo que tanto a nível visual, como a nível da animação replicam o estilo dos cartoons dos anos 30 são um dos grandes pontos de venda do jogo. O próprio olhar dos bosses faz-nos realmente lembrar a clara distinção entre o herói e o vilão que era feito na altura, dando um aspeto macabro aos inimigos.

Para além disso temos alguns níveis de run and gun, onde o objetivo é colecionar moedas. Essas moedas podem depois ser trocadas na loja do Porkrind, para comprar upgrades. Os upgrades variam desde diferentes modos de disparo, que facilitarão imenso algumas lutas contra certos bosses, visto que podemos ter dois tipos de tiro ativos ao mesmo tempo, até bonus/perks passivos que podem ser usados como métodos defensivos ou de sobrevivência.

Os super ataques são desbloqueados em mausoléus, onde o jogador terá de por as suas capacidades de parry à prova.

Quanto aos ataques normais, temos oito direções para onde podemos disparar, que podem variar desde o tiro normal, a spreads, homing ou até oscilantes. Sim parece estranho, mas cada um deles tem propósitos diferentes para diferentes bosses. Não contem mata-los a todos facilmente com os tiros normais.

Agora falando da dificuldade… Sim, o jogo é difícil. Frustrante e enervante até certo ponto, mas em caso nenhum achei que fosse injusto. Reiniciei mais vezes certos níveis, do que propriamente morri porque acabava por cometer um erro e sabia que não me ia aguentar mais à frente na luta. Quando morrermos somos apresentados a uma barra de progresso, que provavelmente seria apenas para demonstrar em que ponto é que o jogador estava, mas pessoalmente, acabei por ver essa mensagem como um incentivo para clicar no “Retry” e tentar novamente.

Se jogos difíceis não forem o vosso copo de chá, têm o modo de dificuldade “Simple“, no entanto, não se iludam, porque de fácil nada continua a ter. Neste modo os bosses têm menos fases, são menos intensos nos ataques e basicamente é isso. A grande contrapartida é que se derrotarem um boss nesta dificuldade não poderão recolher a alma do mesmo. Mas se querem algo ainda mais desafiante, depois de completarem o jogo, desbloqueiam a dificuldade “Hard”… como se o jogo já não fosse difícil o suficiente.

Todos estes elementos aqui mencionados são aliados com uma banda sonora que faz jus a qualquer cartoon dos anos 30. Desde o comentador com uma voz de rádio antigo ao som dos tiros e inimigos a morrerem.

Se por acaso tiverem um amigo por perto, Cuphead tem um modo cooperativo onde podem partilhar o vosso sofrimento com alguém.

Em suma, Cuphead é difícil, frustrante e enervante mas tão bom que não conseguimos descolar dele. É um dos jogos indie com os visuais e audio mais bonito dos últimos tempos, juntamente com uma gameplay sólida e extremamente precisa. O jogador irá passar muito tempo de volta do mesmo nível até dominar as diferentes fases de cada boss, até ouvir o tão desejado “Knockout”.

E se há uma lição a tirar daqui… Não façam apostas com o Diabo… Porque serão submetidos a três mundos com dezenas de bosses extremamente difíceis de matar.

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