08 Mar 2019
Xbox One

Análise Crackdown 3

Finalmente chegou, mas será que promete tudo o que foi anunciado?

Crackdown 3 é o terceiro título da série (logicamente), que a cada iteração passou por um estúdio diferente. Enquanto que a Realtime Worlds e a Ruffian Games estiveram encarregues da produção dos primeiros dois títulos, respetivamente, coube à Sumo Digital trazer este último título da série ao mercado dos videojogos.

Crackdown 3 foi revelado como um título de lançamento da Xbox One, estando previsto ser lançado em 2016, mas este acabou por sofrer imensos atrasos e a esperança de alguma vez ver o jogo nas prateleiras foi ficando cada vez pequena. No entanto durante a E3 de 2018 obtivemos uma data de lançamento.

New Providence, a cidade que precisa de uma nova vida

Convém mencionar que o Crackdown 3 seria um jogo que iria revolucionar a indústria com a sua tecnologia de processamento através da cloud com uma cidade cheia de edifícios com física de modo a serem totalmente destruíveis, possibilidade de trepar qualquer geometria, uma campanha que nos levaria a derrotar um império de vilões numa cidade metropolitana e muita ação!

No entanto o produto final ficou muito aquém do que os jogadores poderiam esperar.

A começar na campanha, não dá para perceber o que é que a Sumo Digital pretendeu fazer em Crackdown 3. A campanha começa com a sua dose de drama, onde a nossa personagem e um grupo de agentes se dirigem à cidade de New Providence para averiguar a origem de um ataque massivo que afetou várias cidades metropolitanas.

Pouco antes de chegarmos ao nosso destino a equipa é completamente desintegrada. É aí que somos salvos por um grupo guerrilha, que consegue regenerar o nosso corpo, no entanto, o nosso agente perde todas as suas habilidades.

Falando do agente, o jogador tem a opção de escolher o pre-definido, que terá as feições e voz do ator Terry Crews, que a meu ver é a única maneira do jogo se manter coerente com o tipo de humor que pretende passar. No entanto, temos outros agentes para escolher, mudando o aspeto e as vozes, mas não temos grandes opções de personalização visual. Os outros apenas servem para o jogador poder beneficiar do seu modo de jogo preferido.

Terry Crews traz a sua explosividade para New Providence

Voltando à campanha, depois de sermos salvos o jogador apercebe-se do que se está a passar em New Providence. Uma empresa corporativa reativou o vulcão e está a extrair grandes quantidades de Chimera, a Terra Nova, e cabe ao jogador, com a ajuda da agência e os novos aliados derrotar a mesma para tentar recompor a cidade de New Providence.

Se estão à espera que pelo meio disto tudo a narrativa tome outro curso, não se iludam. Não passa disso. O pior é que a maneira como somos apresentados à Terra Nova fez-me lembrar o Nemesis System de Middle Earth Shadow of Mordor, mas sem a complexidade do mesmo, e tudo o que temos de fazer é conquistar postos específicos de modo a fazer com que os responsáveis de cada departamento de Terra Nova apareçam no mapa.

O jogo expõe a sua narrativa nos primeiros 15 minutos de jogo, sendo que o resto do jogo é o jogador a concluir tarefas para desbloquear o fim da mesma. Não há conteúdo secundário para dar a entender o que se tem passado em New Providence, não há desenvolvimento de personagens, não há contexto, apenas tarefas.

Se desse para resumir a campanha de Crackdown 3 seria:

  • Introdução
  • Explosão, morremos
  • Ressuscitamos
  • Capturar objetivos para expor mini-vilões
  • Derrotar 5 mini-vilões
  • Derrotar os 3 vilões
  • Derrotar a chefe da Terra Nova

Todo o conteúdo adicional que o jogador tem é corridas de carros (Time Trials), gincanas nos telhados e pouco mais. Para os mini-vilões aparecerem no mapa o jogador terá de desbloquear informação sobre os mesmos, e em vez de andarmos a fazer investigação e a tentar descobrir padrões dos mesmos, simplesmente explodimos postos de controlos que sejam do seu dominimo para termos mais informação do mesmo. Temos alguns objetivos secundários como libertar zonas de contenção, destruir bancas de venda de Chimera que irão dar um pouco mais de informação sobre os vilões mas estes objetivos secundários não são obrigatórios nem trazem mais conteúdo para o desenvolvimento do vilão que queremos derrotar.

Três variedades de inimigos, com cinco classes diferentes

A narrativa é desenvolvida através de pequenas cinemáticas estáticas, com um aspecto artístico, dando um pequeno entender sobre qual é o papel de cada vilão em Terra Nova.

Relativamente aos desafios, Crackdown 3 traz um novo sentido ao termo verticalidade. Enquanto que é de se louvar toda a dimensão adicional que New Providence ganha, muito do interesse em concluir certos desafios perde-se quando todos passam a ser uma tarefa de escalada, alguns até precisando de um certo nível para poderem ser concluídas.

Para estar apto a fazer esses desafios o jogador terá de evoluir as suas Orbs. No entanto, dos cinco diferentes tipos de Orbs, só as de agilidade é que poderão impedir o jogador de poder concluir certos desafios.

Temos cinco tipos de Orbs para colecionar:

  • Verde – Referente à agilidade, permitindo o jogador alcançar novas plataformas.
  • Vermelho – Referente ao dano corpo-a-corpo, desbloqueando novas habilidades.
  • Azul – Referente às armas, desbloqueando novas armas e dando mais dano
  • Amarelo – Referente ao dano explosivo
  • Roxo – Referente à condução, desbloqueando novos veículos e melhorando a condução

As Orbs vermelhas, azuis e amarelas serão as mais fáceis de o jogador colecionar visto que são melhoradas ao fazermos atividades normais durante o jogo. As verdes e roxas, a meu ver precisavam de ser repensadas. As verdes porque no total o jogador tem 750 para apanhar e por vezes podemos perder demasiado tempo a ter uma recompensa muito reduzida. Com isto o que acaba por pecar é a recompensa de apanhar Orbs colocadas em locais mais difíceis de chegar.

Apanhar todas as Orbs verdes permitirá ganhar mais agilidade para alcançar novos lugares

Relativamente às roxas, a condução no jogo é algo que fútil. A única vez que realmente ponderei conduzir no jogo foi no início do jogo quando ainda não tinha muita agilidade e para subir certos edifícios com o carro da agência. É uma funcionalidade que não afeta o gameplay e existe como uma opção, mas ter habilidades que nos forçam a conduzir para podermos desbloquear novas coisas acaba por tirar o propósito de sermos um “super agente”.

Visualmente o jogo acerta em alguns aspetos mas na sua grande maioria não é de todo algo que irá deslumbrar os jogadores. As únicas personagens que apresenta algum detalhe é a que é baseada no Terry Crews, os vilões e pouco mais. O mundo tem pouco detalhe e pouca variedade e muitas regiões parecem totalmente idênticas, no entanto há zonas que até dá gosto explorar, dada a complexidade e o desafio das plataformas.

Para além da narrativa podemos encontrar um modo co-op, o que em parte melhora bastante a experiência de jogo, única e exclusivamente porque estamos a jogar com amigos, não porque há algum aspeto do jogo que seja corrigido, mas também um modo competitivo.

Destruição a dois

Esse modo competitivo chama-se Wrecking Zone e permite 10 jogadores entrarem numa arena para combaterem em dois modos de jogo diferentes em combate de 5v5. É, no entanto, neste modo de jogo que a tecnologia de processamento através da cloud é implementado, quase como uma tech-demo. O modo competitivo vem bastante incompleto, sendo que nem todas as armas da campanha estão disponíveis, não há sistema de progressão, não há nada de complexo para que o jogador possa ter a vontade de voltar a jogar. A única razão será para jogar com amigos e mesmo assim será uma tarefa árdua para conseguirem conectar-se em conjunto, visto que no fim de cada jogo somos expulsos para o menu.

Um online com muito em falta

Dos dois modos que estão disponíveis, podemos jogar o Agent Hunter e Territories. Agent Hunter é uma variante de Kill Confirmed, bastante conhecido em jogos como o Call of Duty, onde podemos dar uso à agilidade das personagens, chegando a pontos altos do mapa para ganhar uma vantagem sobre o inimigo, ou simplesmente planificando a cidade toda. Territories tende a quebrar um pouco um ritmo sendo algo do género de Domination com pontos que vão rodando à medida que as equipas o conquistam.

No final de tudo, Crackdown 3 tem toda a ciência necessária para construir um bom jogo. É divertido, tem mecânicas divertidas, tem um pequeno toque de humor mas isso tudo não é suficiente para redimir o total do jogo. Com uma narrativa banal, com um desenvolvimento de personagens muito fraco, o conteúdo repetitivo, um mundo desinspirado e muito conteúdo cortado do resultado final, Crackdown 3 perde toda a essência que o faria ser um excelente marco na indústria, tanto a nível técnico como a nível visual. O que os jogadores recebem é algo que muito facilmente é comparado e inferior a um jogo como o Saints Row 4, que acaba por ser mais completo em todas as suas vertentes.

Crackdown 3
5 / 10 Pontuação
Resumo
Crackdown 3 acaba por ser uma desilusão para quem procurava um jogo que fosse revolucionar o género dos Sandbox Games. Traz toda a estrutura técnica para se fazer um bom jogo, mas sem o conteúdo para o suportar. Um online mal optimizado, sem longevidade e conteúdo faz com que o jogo caia facilmente no esquecimento.
Rating5
Xbox One

Análise Crackdown 3

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