Se vos baterem à porta no Halloween, já têm a desculpa perfeita para não se levantarem do sofá.

Para todos aqueles que pensam que a Wii U é uma consola virada para a criançada e que só nos traz jogos coloridos, infantis e inocentes. Bem…devo-vos dizer que, felizmente, vocês estão redondamente enganados.

Já não é a primeira vez que a Nintendo dá cartas com os seus jogos para o lado sombrio e obscuro, muitos desses jogos a fazerem as delícias dos seus fãs desde a era de 8 bits, como é o caso de Sweet Home (NES), Clock Tower (SNES), Eternal Darkness (Gamecube), Cursed Mountain (Wii), etc.

Desta vez, cabe à Wii U subir ao terreno de jogo e mostrar o seu potencial no género Survival Horror com Project Zero: Maiden of Black Water.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

A série Project Zero, ou Fatal Frame como é conhecida no Oriente, produzida pela Koei Tecmo, remonta à era 128bit com 3 títulos, sendo que o segundo jogo da série saiu também na Wii, mas teve a sua continuação nas consolas da Nintendo a partir do quarto capítulo da série, Mask of the Lunar Eclipse.

Já neste quinto jogo podemos contar com tudo aquilo que fez esta série ter a reputação que tem e ficar no coração dos entusiastas de Survival Horror. Uma história intrigante, personagens misteriosos que escondem um passado oculto, ambientes de horror e suspense, aquela sensação de que algo pode acontecer a qualquer instante, e na verdade acontece isso muitas vezes no desenrolar do jogo. O jogo em si não é violento como tantos outros franchises do género, mas mexe com os nossos sentidos, e apesar de ser uma experiência que já não é estranha, sem dúvida que desde o primeiro episódio de jogo que entranha. Não fosse o jogo ser produzido por uma equipa de peso sediada no Japão onde só eles sabem como causar calafrios na espinha com a sua temática nipónica.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

Maiden of Black Water tem um plot interessante e que agarra do início ao fim da experiência. A história passa-se na montanha Hikami, um local famoso por diversos suicídios e acontecimentos espirituais, e aqui, conhecemos os 3 protagonistas do jogo. Miu Hinasaki, filha de Miku Hinasaki, protagonista do primeiro e terceiro jogos da série, Yuri Kozukata, que possui a habilidade de trazer pessoas do mundo das sombras para o mundo real, e Ren Hojo, amigo de Yuri e autor que procura inspiração para o seu novo livro. O caminho destes 3 personagens interliga-se e ficaremos a saber que esta montanha tem muito mais a dizer sobre o passado deles do que aquilo que parece à primeira vista.

E apesar de ser uma experiência que já não é estranha, sem dúvida que desde o primeiro episódio de jogo que entranha.

O jogo é repartido por episódios com graduação consoante a nossa performance durante esse mesmo episódio, bem ao estilo dos últimos Resident Evil. Podemos escolher que objectos levar para cada episódio, que fatos colocar aos nossos personagens, etc. Na minha opinião, Project Zero perde pontos nesta categoria por cortar um pouco o fio condutor da narrativa, tornando-o um pouco “arcadish”.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

O ambiente é tudo aquilo que se pode esperar de um título da série Project Zero/Fatal Frame, escuro, intrigante, misterioso e sombrio q.b. A qualidade sonora é soberba, especialmente os sons ambiente, que envolvem perfeitamente na atmosfera, os gritos e gemidos dos fantasmas depois de serem exorcizados, e até a forma como isto tudo foi implementado no comando da Wii U. Só peca por não ter audio no gamepad quando estamos a ver cutscenes ou conversas entre os personagens. De resto, nada contra.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

A movimentação do personagem é fiel ao que o estilo pede, uma dinâmica mais slowpaced, mas, em pleno 2015, acho que as produtoras podiam aprender com os erros do passado e rectificar essa lentidão em momentos em que precisamos de responder rápido para evitar sermos mortos pelos fantasmas do jogo.  A acção de jogo não diverge quase nada de personagem para personagem, mantendo-se coesa e linear do início ao fim. O modo de exploração do jogo chega a ser muito facilitado e bastante straight-forward, ou seja, na maioria dos casos, se pressionarmos ZR, aparece um fantasma a indicar o caminho que devemos seguir para progredir no jogo. Temos também um mapa de zona com alguns cantos para explorar, mas na maioria dos episódios, a coisa é vai directa ao assunto.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

O gadget Camera Obscura, que é metade da alma do jogo e a nossa melhor amiga durante toda a trama sofreu melhorias sendo a mais importante uma adaptação radical ao gamepad da Wii U com o seu motion control, fazendo-nos sentir que temos uma camera nas mãos. Só é pena que seja tão lenta a virar com os analógicos, mas, se tivermos vontade de fazer alguma ginástica, podemos virá-la para qualquer posição com as mãos e assim torna-se muito mais eficiente.

Por último e não menos importante, temos o grafismo. Notamos que os gráficos do jogo não são gráficos de última geração nem divergem daquilo a que a série sempre nos habituou, mas são competentes e claro que se denota uma melhoria acentuada em relação ao seu antecessor.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

Não poderia aconselhar mais este título a todos aqueles que possuem esta consola. Mas é aí que eu acho que o jogo perde a maior parte do seu brilho. Ter sido lançado para uma consola com uma massa de jogadores cujo estilo que o contempla não reside nela. Project Zero apesar de agora ser um exclusivo Nintendo, está longe de ser a cara da marca no estilo Survival Horror, pois é um título de nicho para uma fatia pequena de fãs que está em peso nos PC e nas consolas da Sony e da Microsoft. O futuro da série só a Nintendo e a Koei Tecmo nos poderão dizer, mas deixaremos isso para um artigo futuro.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

É um jogo fiel ao seu legado e apesar de não trazer inovação à consola da Nintendo, sem dúvida que lhe traz qualidade ao catálogo de jogos, sendo já norma na Wii U ter qualidade sobre quantidade.

PROJECT ZERO MAIDEN OF BLACK WATER

Analisado na Wii U.