25 Set 2019
Análises

Análise – The Legend of Zelda: Twilight Princess HD

Depois de Wind Waker, chega a vez de Twilight Princess receber um tratamento HD. 

Com um novo The Legend of Zelda ao virar da esquina, a Nintendo decidiu servir a remasterização HD de Twilight Princess como aperitivo. Saiu originalmente para a Gamecube já no seu final de vida, factor decisivo para que o jogo recebesse em simultâneo uma versão para a sua sucessora, em que os controlos clássicos foram substituídos por controlos de movimento para tirar melhor proveito do “novíssimo” Wii Mote.

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Esta aventura de Link sempre me deu um sentimento diferente de todas as outras, pois é um pouco mais adulta. Apesar de Majora’s Mask ter aquele toque mais sombrio e tocar em assuntos mais pesados, o seu design é “acriançado” também por culpa dos limites da máquina. Em Twilight Princess o objectivo era criar um mundo que mais se assemelhasse com a realidade, contrastando com o estilo cartoonesco de Wind Waker. O jogo também quis manter alguns aspectos que nos fizessem lembrar de Ocarina of Time e a Epona, fiel companheira de Link nesse jogo teve direito a algum protagonismo em Twilight Princess, sendo o nosso meio de transporte pelo vasto território de Hyrule.

twilight_princess_analise (8)Iniciamos o jogo com um Link adulto, que recebe a tarefa de com a ajuda de Epona, entregar uma oferenda à princesa Zelda no castelo de Hyrule ao fim de 2 dias. Durante este tempo de espera, andamos pela vila a nos ambientarmos aos controlos e mecânicas de jogo. Pouco antes de Link embarcar na sua viagem, a vila é atacada por criaturas e nós somos sugados para a “Twilight” onde conhecemos Midna. Esta estranha criatura acompanha-nos na jornada, como Navi em Ocarina of Time mas menos chata e muito mais útil. Para além de guia, Midna ajuda-nos a saltar alguns obstáculos enquanto estamos em forma de lobo. Em todos os jogos da série existe sempre um poder que define o jogo como em Ocarina of Time ser os avanços no tempo, no Majora’s Mask serem as máscaras, aqui em Twilight Princess é a possibilidade de Link se transformar em lobo. Essa transformação só ocorre em zonas cobertas pela Twilight, assim como Midna só se materializa ai. Enquanto lobo, teremos de apanhar umas esferas de luz que repelem o Twilight, devolvendo assim a luz à zona e deixando Link na sua forma humana, Midna em forma de “espectro” mas deixando-nos completar as tão desejadas dungeons. Isto numa fase inicial, pois a partir de certo ponto, podemos trocar entre as formas humana e lobo quando nos apetecer, e os puzzles vão girar à volta disso.

Dungeons essas que são fantásticas como sempre. Com puzzles não muito complicados, mas que põe à prova a nossa capacidade de observação. Por vezes a solução é bem simples, mas podemos andar às voltas porque não reparamos logo. No final da dungeon temos sempre um boss que apesar de não serem complicados, têm sempre formas especiais de os derrotar. Não é simplesmente dar pancada até cair, mas sim usar, na maior parte dos casos, os itens chave dessa dungeon de forma inteligente. No fim ficamos sempre com um sentimento de satisfação por termos completado a dungeon. Ao bom estilo retro, não existem indicadores que nos dizem “é aqui que tens de vir e tens de fazer assim”, e temos de ter alguma atenção às dicas que nos são dadas pelos personagens que interagimos, assim como aos pequenos detalhes do ambiente que nos rodeia.

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Apesar de serem das melhores partes do jogo, as dungeons não são a única coisa que temos para fazer. Como referi anteriormente, temos a tarefa de restaurar a luz no reino mas também podemos perder algum tempo a tentar descobrir todos os segredos de Hyrule. Carimbos para usar no Miiverse, habilidades secretas e frascos são alguns dos coleccionáveis que podem encontrar no jogo. É escusado dizer que a banda sonora está no ponto. Novas melodias e outras clássicas da série marcam presença em Twilight Princess, mas com um arranjo musical mais adulto para se adequar ao ambiente do jogo. Mas não é pelo seu tom mais negro que este jogo não tem humor. Pelo meio encontram alguns momentos de comic relief, como por exemplo Midna, que apesar da sua postura, está carregada de sarcasmo. Pelo meio temos cutscenes das melhores da série, assim como algumas partes do enredo mais empolgantes, como as justas e perseguições a cavalo.

Chegando à parte que os veteranos querem saber: As diferenças entre as versões originais e esta. Tal como a versão HD de Windwaker, o jogo não sofreu apenas um aumento na resolução. Algumas texturas são novas, tornando o jogo ainda mais belo. O ecrã já não é tão “blury“, algo que me incomodava na versão da Wii. O HUD foi melhorado e o gamepad desempenha um papel importante, pois não precisamos de pausar o jogo para trocar os objectos, podemos consultar o mapa de forma instantânea e claro, podemos jogar só com o Gamepad, deixando a TV de parte.

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Os controlos de movimento foram deixados de lado e a velha boa jogabilidade de sofá seja através do gamepad ou do Pro Controller está de volta. Não que os controlos da versão Wii fossem maus, mas pessoalmente prefiro a velha forma de jogar e penso que as duas versões podiam ter a opção de escolha para agradar a todos os jogadores. Twilight Princess HD permite ligar o giroscópio do gamepad, mas só para apontar o arco e fisga, algo que não é obrigatório. Os controlos continuam a ser simples e apelativos. Não é o típico hack n’ slash que a indústria nos habituou nos últimos anos, mas tanto em humano como em lobo, o nosso controlo sobre Link é preciso e se falharmos o salto para uma plataforma ou um ataque a um inimigo, a culpa é totalmente nossa. Alguns controlos foram melhorados e alguns pormenores foram alterados, como por exemplo a capacidade das carteiras.

Existe conteúdo exclusivo desta versão que pode ser acedido com a utilização dos amiibos relacionados com The Legend of Zelda. Link e Toon Link enche-nos a aljava de setas, Zelda e Sheik recupera-nos a saúde na sua totalidade mas cada um só pode ser usado uma vez por dia. Mas nem todos nos ajudam, Ganondorf ao ser usado, faz com que recebamos o dobro do dano. O jogo chega acompanhado de um novo amiibo: Link na sua forma de lobo com Midna às costas. Ao usarmos este amiibo iremos desbloquear Cave of Shadows, uma dungeon com 40 pisos que terá de ser completada na forma de lobo, onde no final nos espera a Colossal Wallet, caso já tenhamos adquirido a Giant, que nos permite carregar 9 999 Rupees.

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Se são jogadores mais destemidos podem sempre experimentar o Hero Mode. Neste modo o dano que recebemos é aumentado para o dobro (se acharem que ainda são reis de Hyrule, podem usar aqui o amiibo de Ganon e aumentar o dano para 4x), não aparecem corações para nos restaurar saúde, o que nos obriga a comprar poções ou andar à caça de fadas.

Mas após 10 anos do seu lançamento original, será que The Legend of Zelda: Twilightwilight_princess_analise (1)t Princess HD era necessário? A versão original já era uma obra prima e a sua versão HD só veio aperfeiçoar ainda mais, mostrando aos jogadores que nunca tiveram oportunidade de jogar o quão bom ele é, e para quem já o jogou no passado, não é um jogo obrigatório pois as novidades não são significativas, mas certamente servirá para relembrar e é sempre uma óptima adição ao catalogo da Wii U. Visualmente deslumbrante, com uma jogabilidade afinada, banda sonora que vão querer te-la no carro e toda aquela mística da série que não se consegue explicar, fazem de Twilight Princess uma obra prima que apesar dos seus 10 anos, é um jogo intemporal e que merece ser jogado ou rejogado. O “snack” perfeito para abrir o apetite para o prato principal que será servido mais para o final do ano.


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