Quando uma boa ideia é mal aproveitada.

Se tivesse feito esta análise após ter jogado uns meros minutos deste jogo, a nota final e a minha opinão seria bem diferente. O que só demonstra que devemos explorar bem os jogos antes de falarmos sobre eles. Neste caso, Voez, foi me desiludindo cada vez que o jogava mais.

Voez é um jogo de ritmo criado pela Rayark Games que chegou primeiro aos smartphones e que fez a sua estreia na Nintendo Switch há umas semanas atrás. A ideia original do jogo está bem apresentada e após um breve tutorial, onde percebemos que o jogo é totalmente táctil e que não vamos utilizar um único botão, ficamos com todas as músicas disponíveis no jogo desbloqueadas. Até aqui tudo bem, pensei eu, deverão existir músicas secretas para descobrir ou outros modos de jogo. Infelizmente, estava enganado. Para grande pena minha.

O que acontece é que este jogo podia ser um lançamento fantástico e colocar todo o tipo de jogadores de voltar de um ecrã cheio de barras coloridas e notas para tocar. Mas a verdade é que não sentimos nenhum sentido de progressão no jogo, para não falar da diversidade musical, que é praticamente tudo música pop japonesa, e temos centenas de músicas já desbloqueadas onde a única coisa que podemos alterar é a dificuldade delas. Esta ausência de modos e de incentivos irritou-me um pouco, até porque não era necessário um grande esforço imaginativo para criar novos modos, músicas para desbloquear, ou o que quer que fosse.

Existe ainda um diário para contar uma suposta história de um grupo de músicos mas que não tem qualquer narrativa e são apenas blocos de imagens que não servem basicamente para nada. Muito sinceramente, mais valia não estar lá.

Os aspectos mais positivos do jogo são a sua arte e os visuais coloridos dentro de cada faixa, que são bastante bonitos e vistosos, mas não chegam para salvar os vários problemas do jogo.

Confesso que gostava genuinamente que Voez tivesse tido outro desfecho e que fosse um jogo bem melhor, pois tinha o potencial para isso. Mas após jogar duas ou três faixas seguidas, o interesse começa a desaparecer e fico sem vontade de voltar ao jogo tão cedo. Para quem aprecia este estilo de música e quer um título para descontrair e ocupar os tempos mortos, pode ter aqui uma hipótese válida. Para quem procura algo com mais “sumo” e que está à espera de um maior desafio e com mais conteúdo, como eu estava, talvez não seja a melhor escolha.