26 Ago 2018
PS4

Só agora? Análise Driveclub

Só agora uma análise ao Driveclub? Para nós faz perfeito sentido!

Driveclub foi um jogo que não contou com uma análise nossa no seu lançamento, maioritariamente devido a promessas quebradas.

Eu acompanhei o jogo desde o seu anúncio, como exclusivo de lançamento da PlayStation 4, e desde essa altura que seguia as atualizações do mesmo e seguia o staff da Evolution Studios no Twitter.

O meu entusiasmo subia cada vez que se sabia algo de novo, fosse uma funcionalidade online, fosse um carro novo. Em 2014, tive a oportunidade de estarmos presentes na Gamescom, onde pude entrevistar os diretores criativos da Evolution Studios, num evento de porta fechada, e também de experimentar em antemão uma versão quase final do jogo. Mais tarde teria a mesma oportunidade num evento da Sony no LX Factory, em Lisboa.

Após um longo adiamento de cerca de 8 meses, o entusiasmo pelo jogo aumentava dentro de mim, até que finalmente o jogo viu a luz do dia e recebi uma cópia por parte da PlayStation.

O entusiasmo virou desilusão muito rapidamente, pois saltaram logo os alertas todos nas redes sociais, sites especializados em videojogos e no youtube. A crítica era sempre a mesma: O jogo está inacabado, é uma desilusão.

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Pode-se dizer que a Formula X de sugar, spice and everything nice do jogo era constituída por desilusão, má execução e um conceito defeituoso. Passo a explicar: todas as promessas que foram feitas por parte dos produtores até à data for quebradas devido à má execução de algumas ideias devido a um conceito defeituoso. Conceito esse que se chama “always online”, cujo seu kryptonite é algo tão simples como problemas de servidores. Durante alguns meses após o lançamento do jogo os jogadores que compraram uma cópia de Driveclub estiveram limitados ao modo offline do jogo, que por sua vez não mostrava a magia do jogo todo.

Sinceramente, o modo offline de Driveclub não fazia com que o jogo fosse mau, mas não era uma experiência next-gen de nos deixar boquiabertos, muito menos como disse a VG247, o “Forza killer”. Em modo offline o jogo torna-se algo simplesmente banal e visto como a grande maioria dos jogos de corrida no mercado. Nada de novo, apenas o típico ir de ponto A a ponto B ou então uns circuitos com duas ou três voltas, com uma vasta seleção de carros, maioritariamente europeus. Foi algo que rapidamente se tornou um alvo a atacar nas análises ao mesmo.

A minha reação imediata foi de desilusão, mas ainda com fé que fosse um assunto que ficasse resolvido na primeira semana de lançamento. Afinal de contas, jogos com problemas no lançamento tem sido o nosso prato de cada dia. Mas passaram-se dias, semanas, meses, e cada vez menos tinha esperança que o jogo se tornasse naquilo que eu tanto ambiciei, ao ponto de ter adiado constantemente esta análise. Mas cá estou eu, após 344 dias do lançamento do jogo para vos dar o meu verdicto final.

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Fazendo uma pequena introdução ao jogo, ficamos a saber que foi produzido pela Evolution Studios, conhecidos por terem trazido as séries WRC e Motorstorm para as consolas da Sony.

A equipa transitou dos seus ambientes tropicais para algo mais paisagístico. Como uma pequena passagem pela oficina, reparamos também que a escolha de veículos também está muito diferente do seu típico jogo. Com uma vasta seleção dos melhores carros que o mercado europeu trouxe ao mundo, podemos apreciar as paisagem brancas da Finlândia no nosso Volkswagen Golf GTI até aos campos verdes da Escócia num Pagani Huayra.

A nível visual podemos contar com uma verdadeira sensação de next-gen, como tinha sido prometido, desde o mais pequeno detalhe no carro até à viagem que fazemos por cada circuito. Com a adição do Photo Mode, que foi adicionado num update, podemos levar esta experiência ainda mais longe, congelando o jogo numa frame e explorar tudo o que nos rodeia.

A luz é sem dúvida uma ponto alto no aspeto visual do jogo, ajudando a criar a sensação das várias alturas dos dia, e através de um sistema de dynamic lighting, podemos ver a luz refletida nos carros, poças de água e muito mais, seja a fonte o sol ou os próprios faróis dos carros. Posteriormente adicionado, foi o weather control, que permite ao jogador definir o tempo (de metereologia) durante a corrida.

Seja de dia ou de noite, não há um jogo de corridas sem carros, e como já mencionei, a garagem de Driveclub é maioritariamente constituída por carros europeus… infelizmente. Não significa que a Europa não tenha um pedigree de carros bons, mas em certas pistas gostariamos de ter um pouco de sushi, ou até mesmo um bbq grill. Mas usando as ferramentas que nos são dados, a escolha é variada, maioritariamente devido à quantidade de carros que são introduzidos através de conteúdos adicionais. Para quem não está disposto a pagar um extra por mais um set de pneus, felizmente, Driveclub apresenta uma boa quantidade de conteúdos adicionais gratuitos.

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Quanto à condução? É sempre divertido pegar num Renault Clio RS que nos permite manobrar melhor as curvas, mas quando transitamos para um Bentley Continental GT Speed pode parecer um episódio de Top Gear (UK, do bom claro) em que vamos a 220km/h e tentamos travar e curvar uma banheira. Não é algo caótico, mas é uma gimmick a que os jogadores terão de se habituar. Não é a melhor gameplay do mercado, mas também está longe de ser a pior (já experimentaram o Ridge Racer da PS Vita?). Durante este tempo todo foram adicionados mais de quarenta carros ao jogo.

Sentados no banco do condutor, só nos falta rever o local onde vamos conduzir. Inicialmente o jogo levava-nos a cinco locais diferentes, cada um com onze pistas. Muitas nem se consideraria o valor total, visto serem praticamente a mesma pista, mas invertida, mas no final de contas dá um total de onze. Futuramente foram adicionados gratuitamente onze pistas novas. É inegável a beleza que foi criada em cada circuito, contudo não era suficiente para justificar um jogo como aquele que Driveclub se tornou no lançamento.

No final de contas aquilo que recebemos a 8 de Outubro de 2014 foi um pano bonito que não servia para tapar o grande problema que veio com cada cópia do jogo.

A conclusão que se tira disto é que devemos esperar por opiniões especializadas sobre um jogo após o seu lançamento, de modo a termos pelo menos algum feedback sobre o mesmo. Por vezes participar em comunidades, seguir vários sites e revistas especializados ajuda a que uma pessoa possa estar constantemente a par dos novos acontecimentos e feedbacks. Driveclub, infelizmente, sofreu de um lançamento catastrófico, mas ao fim de muitos meses e vários updates o jogo chegou a um ponto em que já pode ser jogado como os produtores pretendiam.

Sem possibilidade de o fazer antes, já podemos experimentar o modo online e todas as funcionalidades que necessitam de uma coneção à internet. Para quem tem uma vasta lista de amigos com uma cópia do jogo, poderão encontrar desafios durante as corridas referentes à performance deles na mesma.

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Uma beleza perdida logo à partida

Esses desafios podem variar entre zonas de drift, velocidades médias, condução perfeita e tempo mais rápido em determinadas zonas e põe-me sempre um sorriso na cara poder dizer ao meu amigo que o desafio dele passou a ser história.

O modo online junta um sistema interessante de matchmaking. Ao contrário de pedir para encontrar um jogo, temos a opção de escolher entre seis pistas com um prazo limite de tempo. Os jogadores deverão inscrever-se na corrida que querem e aguardar que mais jogadores se juntem. Uma corrida pode começar quando o cronómetro acaba, caso haja jogadores suficientes, ou então quando as slots forem todas preenchidas.

Por muito estranho que pareça, estes últimos três parágrafos seria o suficiente para tornar o Driveclub um jogo totalmente destinto e único em relação ao que se encontra no mercado. Mas o que acabou por acontecer foi termos o modelo básico para qualquer jogo de corridas: carros, pistas e sons de motor.

Se forem a comprar o Driveclub hoje, não terão uma desilusão nas vossas mãos, mas sim muitas horas de jogo e desafios novos e constantes por fazer. Mas comprem o jogo apenas se tiverem acesso à internet. Caso contrário esperem por uma versão completa (sim porque Game of the Year Edition não sai de certeza), e verifiquem que essa versão tem os updates e DLCs todos. Por outro lado, nesta altura já devem estar à espera dos novos jogos deste ano, do mesmo género, mas pelo menos ficam a saber que se encontrarem o jogo numa bargain bin, vale a pena uma dúzia de euros.

Nota sem update: 3/10
Nota com update: 8/10

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