Está prestes a fazer um ano desde o lançamento de Tomb Raider, o renascer de uma das séries mais famosas dos vídeojogos, liderada por Lara Croft. Passado um ano a Crystal Dynamics não quis deixar passar ao lado o lançamento das consolas de nova geração e deitou mãos ao trabalho – o sub-título escolhido foi Definitive Edition. A junção dos conteúdos extra já disponíveis no PC, PS3 e Xbox 360 e uma melhoria gráfica para as versões PS3 e Xbox 360.

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Lara Croft está de volta!

Para falarmos de Tomb Raider precisamos de recuar a Março de 2013, aquando o lançamento de Tomb Raider. Um jogo que teve uma excelente recepção no geral, com algumas excepções pelo caminho. A Crystal Dynamics tinha acabado de apresentar uma Lara Croft diferente do que estávamos habituados, frágil mas ao mesmo tempo em transformação, num jogo recheado de acção, explosões, violência, drama, mais fácil de terminar, enfim, uma série de pontos que serviram para agradar a alguns mas que deixaram os adeptos da Lara Croft “antiga” decepcionados. A verdade é que Tomb Raider conseguiu ser um jogo bem trabalhado pela Crystal Dynamics, onde o estúdio se aventurou sem medos, revolucionando por completo o jogo e virando-o para algo mais cinematográfico, mais emotivo mas com uma pitada de explosões em excesso.

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Vão ver disto muitas vezes.

Esta breve introdução serve para explicar um dos porquês de terem que pelo menos experimentar Tomb Raider. Se jogaram os antigos, esperem mudanças no jogo, muitas, mas tentem abraçar o jogo pelo que ele é, não um Tomb Raider de 1996 mas sim um Tomb Raider virado para a experiência cinematográfica de 2013. Dito isto, Tomb Raider é um jogo digno da vossa avaliação e experiência que dificilmente vos consegue desiludir, pelo contrário.

Tomb Raider conta a história de uma jovem Lara, acabada de sair da universidade, aventura-se no seu primeiro trabalho, uma aventura em busca de descobertas arqueológicas, onde o navio que a transporta, o Endurance, é atingido por uma forte tempestade, terminando claro, no naufrágio de Lara e da restante tripulação.

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Não se metam com esta rapariga.

Do início ao fim do jogo, somos introduzidos a um clima de elevada tensão e curiosidade em relação ao que nos espera a seguir. Fortes diálogos de Lara Croft entre os vídeos contam os seus primeiros medos e ensinam-na a sobreviver sozinha, no meio da fantástica fauna e flora que envolvem a ilha. Para sobreviver, Lara terá que caçar, acampar, abater possíveis animais que a ataquem, fugir dos rebeldes que a procuram e ainda resgatar os seus amigos.

O jogo incluí um sistema de progressão que nos convida a recolher recursos e a explorar o máximo possível dentro de cada área da ilha. À medida que avançamos, novos acampamentos vão sendo desbloqueados e mais tarde é possível “viajar rapidamente” entre os mesmos. Este sistema permite-nos voltar atrás a qualquer área do jogo para recolher itens que outrora não tínhamos conseguido apanhar ou por não sabermos que lá estavam ou por nos faltarem melhorias essenciais no nosso equipamento para lá chegar.

Um aliado a Lara na sua aventura, é o sistema de instinto, pressionando um botão conseguimos sondar a área ao nosso redor e encontrar o caminho para o nosso objectivo.

Citando a nossa análise de 2013, temos uma explicação perfeita:

Tanto o instinto de Lara como os recursos simplistas e primitivos marcam uma forte presença ao longo de toda a acção do título, apesar de estarem inseridos vários objectos que fazem referencia à modernidade do homem actual, o jogo gira muito em torno dos simples recursos como o fogo, um arco e flecha e um pequeno machado, que rapidamente evolui, mas é uma ferramenta de constante uso. É nesta simplicidade e escassez de recursos modernos que o jogo se baseia para dar a Lara uma constante sensação de sobrevivência  sendo o fogo o recurso mais utilizado pela nossa exploradora, estando assim assinalado como uma importante fonte de recursos em qualquer caso existente de sobrevivência.

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Não caias Lara, por favor.

O ponto forte desta edição é claro a melhoria visual e de funcionalidades que esta veio abraçar. A versão analisada foi a da PlayStation 4, onde foi simpático da Crystal Dynamics conseguir fazer o máximo possível com o jogo, tentando sempre elevar a acção a uns fantásticos 60 frames por segundo (sendo que em média estarão sempre a rondar os 40-50). O jogo inclui uma jogabilidade extremamente fluída, com uma suavidade na imagem muito bem conseguida. Graficamente nota-se a melhora nos modelos do jogo, a própria cara de Lara Croft parece de um jogo completamente novo. A tecnologia dedicada exclusivamente ao cabelo de Lara: TressFX, está claro incluído e torna ainda mais real as expressões faciais de Lara Croft com o seu cabelo a acompanhar toda a acção. Isto pode suar estranho…joguem que vão perceber. Se forem jogar na PlayStation 4, vão conseguir ainda experimentar algumas mecânicas dando uso ao DualShock 4. Este vai avisar-nos quando a vida de Lara estiver ameaçada, exibindo uma luz vermelha ou mudando simplesmente as cores quando acendemos uma tocha. É também simpático terem conseguido dar utilidade ao touchpad, com o passar do nosso dedo podemos trocar entre opções, armas ou até mesmo aceder ao mapa. O microfone embutido também é aproveitado: quando pisam certos tipos de terreno ouvem as pisadelas de Lara, quando falam pela rádio o som sai também pelo comando ou quando usam certos tipos de armas como o arco, sons específicos são direccionados apenas para a coluna do DualShock 4. É uma atenção importante e que mostra que o jogo não é apenas uma passagem directa da PS3/Xbox 360 para a PS4/Xbox One.

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Acção dificilmente pára em Tomb Raider

É óbvio que falamos de pequenos pormenores, mas que juntando bem acabam por glorificar o esforço do estúdio em apresentar a sua obra de arte a um público que estaria incapaz de o conhecer.

Para além das novas funcionalidades e voltando claro, aos visuais, podem contar com fantásticos cenários e diversas condições climatéricas retratadas na perfeição, com a chuva a escorrer o corpo de Lara Croft e as fortes tempestades a abanarem a vegetação que nos ronda.

Tal como já tínhamos referido, a cara de Lara Croft foi remodelada e as suas expressões faciais não podiam estar melhores, mais polidas, sólidas e com um melhor enquadramento do que é a nova geração de consolas.

A campanha em si dura uma média de 15 horas, consoante a abordagem que procurarem dar ao jogo, ao longo destas 15 horas esperem muita acção recheada de explosões, gritos da Lara, flechas à força toda (é um vício jogar com o arco-flecha) e um sorriso bastante satisfatório no final.

Tomb Raider Definitive Edition é uma versão melhorada, que envolve poucas melhorias na sua mecânica mas consegue incluir novos conteúdo como um novo túmulo, personagens, mapas e armas para o multijogador e seis fatos para embelezarmos a já fantástica Lara Croft. Esta edição definitiva é bem-vinda a quem procura jogos para ocupar o na sua PlayStation 4 ou Xbox One, especialmente para quem nunca terá jogado o anterior. É uma excelente aventura, contada pela Crystal Dynamics que vai ocupar um bom espaço no catálogo de duas consolas que ainda têm pouco para oferecer.

Se depois desta análise continuam com dúvidas em relação ao jogo, podem ainda ler a nossa análise do jogo lançado o ano passado.