Por que fação irão vocês lutar?

Planet of the Apes é um franchise já com algum pedigree, sendo que os cinco filmes originais lançados entre 1968 e 1973 e a série dos anos 70 se tornaram num culto dentro do género Sci-Fi. Desde então a série teve um pequeno remake em 2001, mas foi a partir de 2011 que a série ganhou uma nova vida com os filmes de Rupert Wyatt e Matt Reeves.

Como qualquer filme de sucesso, a indústria dos videojogos costuma estar sempre pronta a fazer a sua própria interpretação do mesmo. E é aí que entra o Planet of the Apes: The Last Frontier.

Ao contrário de muitos jogos baseados numa interpretação cinematográfica, The Last Frontier não pretende representar nenhum dos filmes, mas sim contar uma estória adicional. O jogo coloca-se entre o Dawn of the Planet of the Apes (2014) e o War of the Planet of the Apes (2017), sendo um drama interativo onde o jogador terá poucos elementos de gameplay. Aliás, o jogo resume-se única e exclusivamente ao jogador tomar decisões cruciais para o desenrolar da narrativa e uns quick time events nos momentos de maior ação.

Infelizmente o jogo não adiciona nada ao lore dos filmes, sendo que é apenas uma estória paralela sobre um grupo de macacos renegados que seguiam o Koba (dos filmes) e se afastaram da tribo. Pode-se até dizer que o jogo é quase uma cópia do segundo filme, sendo que o nosso protagonista do lado dos macacos, Bryn, apresenta um desenvolvimento muito parecido à de Cesar, tendo um orangutango como concelheiro (Maurice vs Clarence) e um irmão com ideologias diferentes da dele (Koba vs Tola). No lado dos humanos vemos a mesma situação em que humanos viram-se contra eles próprios, ao mesmo tempo que têm de lidar com a sua rivalidade com os macacos.

Planet of the Apes: The Last Frontier tinha tudo para ser um excelente ponto de partida naquilo que seria o futuro dos videojogos baseados em filmes. E ainda tem…

O problema é que o jogo tem um problema que muitos dramas interativos de hoje em dia apresentam: as escolhas fazem pouca diferença. Existem muitas pessoas na comunidade de videojogos que não consideram este tipo de jogos como um jogo a sério, porque o jogador não tem papel nenhum no jogo a não ser as suas escolhas. Eu pessoalmente gosto bastante do género, mas é um género que vai de 80 para 8 num instante se for mal feito. A Quantic Dream é um exemplo perfeito de trabalhar bem este género visto que os jogos têm sempre uma grande variedade de opções e as decisões fazem a narrativa tomar outro rumo. No Planet of the Apes: The Last Frontier a grande maioria das escolhas apenas levam a que uma personagem possa morrer em vez de outra, ou em certos casos o jogo toma o mesmo rumo de qualquer das maneiras. Vendo bem as coisas e jogando duas vezes o jogo ficamos com a sensação que apenas no fim do jogo é que as decisões tomam algum impacto, visto que o jogo apresenta três finais diferentes.

Como se não bastasse isso, o jogo apresenta alguns problemas técnicos, como problemas no carregamento das texturas e por vezes a troca de cenas é tão brusca que parece que o jogo saltou um bom pedaço de conteúdo.

O jogo dá uso à nova funcionalidade da PlayStation 4 – o PlayLink. O PlayLink permite aos jogadores poderem jogar sem necessitar um DualShock 4, permitindo uma maior dinâmica aos party games que irão sair para a consola. Através de um smartphone ou tablet poderão jogar com mais três amigos The Last Frontier. O único problema é que a partir do momento em que é mais do que um jogador a jogar, todas as decisões acabam por se tornar numa votação e em caso de empate o jogo acaba por escolher uma opção ao calhas. Interessante se estivermos a jogar com perfeitos desconhecidos, mas com amigos, ou estarão praticamente sempre decididos na mesma coisa, a não ser aquele que quer ser do contra. Não há grande propósito a não ser ter amigos envolvidos no jogo durante as suas 2 a 3 horas de jogo.

Planet of the Apes: The Last Frontier podia ser um bom exemplo para as produtoras pensarem em voltar mais ativamente à produção de jogos baseados em filmes. Infelizmente para este género de videojogos se o jogador não sentir que as suas escolhas realmente fazem a diferença, rapidamente se torna algo monótono e sem grande sentido. Como filme Planet of the Apes: The Last Frontier nem funciona mal, mas como jogo perde grande parte do seu propósito a partir do momento em que o jogador toma decisões sem grande impacto. Acaba por ser um filme com pontos chave em que é interrompido até o jogador clicar em algo. Eu não desgostei do jogo, muito pelo contrário. Achei interessante e uma excelente abordagem para tentar transformar filmes que adoramos numa experiência interativa, mas dado as falhas que tem a nível técnico e na parte mais crucial de um jogo destes, não conseguiu fazer a diferença em relação a outros jogos como os da Telltale Games e Quantic Dream.

Espero que este jogo tenha sido uma boa experiência para a The Imaginati Studios, produtora do mesmo, para continuar a trazer títulos deste género, mas com muito mais foco nas partes importantes do mesmo.

Talvez um ponto positivo é o jogo custar 19.99€?