18 Abr 2019
PS4

Análise – Horizon: Zero Dawn

Veio mesmo para marcar!

A Guerrilla Games é conhecida pela sua série de sucesso Killzone, tornando-se um grande elemento de referência na biblioteca de jogos da PlayStation. No entanto o estúdio preparou algo novo para 2017.

Este ano contamos com o lançamento de Horizon: Zero Dawn, o novo exclusivo da PlayStation 4 e um novo tipo de projeto para o estúdio, sendo a primeira vez que a equipa está a trabalhar num Action RPG em terceira pessoa.

Horizon: Zero Dawn coloca-os num futuro longínquo, onde a sociedade como a conhecemos já não existe, e o mundo está a ser dominado pelas máquinas. Todo o conceito científico desapareceu e a raça humana teve de voltar às suas raízes. Tomamos o papel de Aloy, uma rapariga que foi exilada do clã das Noras, à nascença, estando ao cuidado de Rost, um guerreiro exilado por escolha. Nós iremos acompanhar o crescimento de Aloy desde criança até ao fim da sua adolescência, onde nos apercebemos que ela passou todos esses anos todos a treinar para um evento que lhe poderia dar uma vida normal dentro do clã. Com a ajuda de Rost ela aprendeu a ser uma caçadora furtiva e eficaz, conhecendo o terreno e sabendo tirar partido das suas redondezas, no entanto, tudo isto se torna possível com a ajuda do seu Focus.

Aloy

O Focus é um dispositivo que ela encontra em criança que lhe permite ter uma visão mais completa das suas redondezas. Com ele poderemos descobrir objetos e caixas escondidas, mas o seu uso primário está na caça, e é com ele que vemos o verdadeiro potencial da Aloy. Ao percorrermos o mundo, iremos cruzar-nos com uma vasta variedade de robôs, e com a ajuda do Focus iremos descobrir onde estão os pontos fracos e que quais são as melhores maneiras de abordar cada um.

Durante o evento dá-se uma série de acontecimentos que levam a Aloy a partir para terras desconhecidas, para descobrir o porquê desses acontecimentos e de quem é a culpa. No entanto, quanto mais aprofundamos a narrativa, mais ficamos a descobrir sobre Aloy, o seu passado e o que está reservado para o futuro do planeta.

Novamente a Sony trata de nos apresentar um jogo com uma campanha muito emocional, como foi o caso de The Last of Us e Uncharted 4, mas desta vez unindo-a a um dos gameplays mais divertidos já vistos num exclusivo para as suas plataformas.

Relativamente ao desenvolvimento da personagem principal, pouco podemos dizer, porque o estúdio deixou isso encarregue ao jogador. Em determinados pontos iremos ter Flashpoints, onde o jogador escolhe o tipo de resposta que a Aloy dá, tendo as opções de ser inteligente, agressiva ou compreensiva. É um elemento interessante que a Guerrilla Games decidiu apresentar, visto que acompanhamos a vida da personagem, praticamente desde o seu nascimento, e tudo o que ela vai ser depende da maneira como o jogador aborda as situações. Contudo, parece não parece afetar a estória. Apenas funciona como uma ferramenta para o jogador criar uma melhor empatia com a Aloy, e devo dizer que funcionou, pois acabei o jogo a adorar a personagem principal, e a acreditar veemente que poderá vir a ser uma nova personagem de referência para a PlayStation, tal como o Kratos, Nathan Drake, Crash Bandicoot, etc…

Uma personagem com muito por contar

Quanto às personagens secundárias, notamos que todas elas são únicas, o que faz com que a nossa interação com a narrativa se torne mais imersiva, pois vemos claramente a diferença entre os clãs, as aldeias e os próprios comportamentos das personagens adequam-se à região onde se encontram.

Em Horizon: Zero Dawn nunca nos é dito onde estamos. Cabe a nós irmos juntando as peças todas para tentarmos descobrir qualquer coisa. O mundo está dividido em diferentes zonas, com situações atmosféricas diferentes, mas tudo com um vasto terreno por explorar entre elas. A exploração do jogo é bastante interessante e fluida, sem grandes tempos de carregamento, isto caso tenham a paciência e a vontade de atravessar tudo de um lado ao outro. Sim, é gigante mesmo.

Segredos ao ar livre e debaixo da terra?

Em cada uma das zonas teremos imensas coisas para explorar e fazer. Algumas atividades incluiem Corrupted Areas, onde teremos de limpar a área das máquinas que estão possuídas. Bandit Camps, onde limpamos os bandidos da zona, para que os seus moradores possam voltar para lá, por vezes desbloqueando novas missões secundárias. Cauldrons, onde entramos numa zona da terra antiga de modo a tentar decifrar novos segredos sobre as máquinas e de como elas se comportam. Hunting Grounds, onde nos é proposto uma diversidade de desafios, para cumprir dentro de um determinado tempo. Tallnecks, que são máquinas gigantescas, onde temos de arranjar uma maneira de as trepar para revelar os segredos de determinada zona do mapa (um pouco ao estilo das torres no Assassin’s Creed). E por fim temos os colecionáveis, onde existe uma grande variedade de coisas para encontrar pelo mundo fora, incluíndo, estatuetas, canecas, paisagens e plantas metálicas. Se quiserem ir mais a fundo no que toca a colecionáveis, poderão usar o vosso tempo para encontrar todos os logs, mensagens e hologramas espalhados pelo mapa e missões, de modo a conseguirem obter todas as informações sobre a terra do passado e dos acontecimentos que nos trouxeram até à data.

Perigos de todos os tamanhos

Se quiserem algo que conecte a narrativa ao mundo, podem fazer as side quests que trazem uma enorme variedade ao gameplay, estando divididas em missões secundárias e tarefas. Nas missões secundárias o jogador ganha mais um pouco de informação sobre o que se passa à sua volta e como a humanidade tem estado a sobreviver, enquanto que nas tarefas, é a típica missão de ir matar uns bichos para recolher determinadas peças. É uma separação lógica e bem pensava para permitir aos jogadores fazerem o que lhes apetecer em determinada altura.

A exploração é muito natural e somos sempre livres de traçar os nossos percursos, mas por vezes temos de escolher bem. No mundo de Horizon: Zero Dawn vamos encontrar muitos perigos, desde bandidos, clãs inimigos e claro, os robôs que dominam o mundo. A grande variedade, nos inimigos, vai-se encontrar nos robôs, que foram construídos de forma a representar vários animais que conhecemos de hoje em dia, desde cabras, veados, crocodilos, tigres, panteras, entre muitos outros, e cabe ao jogador descobrir o porquê disso. Uma boa maneira de evitar esta confusão é com a opção de fast travel, que nos permite navegar para qualquer fogueira ou cidade que tenhamos descoberto no mapa. Em determinados pontos do jogo teremos de trepar para certas zonas. Uma das poucas críticas que tenho ao jogo é por vezes a navegação, enquanto trepamos, ter quebras na sua fluidez e por vezes ter manhas para chegar a certos pontos.

Um mundo por explorar

As animações e os movesets, dos robôs, estão muito bem pensados, dando um bom equilibro no combate, levando a que o jogador planeie todas as suas decisões em antemão. Cada um deles tem maneiras específicas de ser morto, e por norma são sempre mais do que uma, permitindo-nos decidir diferentes tipos de abordagens, até porque podemo-nos cruzar com grupos de um tipo de robô ou grupos mistos.

Como mencionei acima, o combate requer muito pensamento, e honestamente é aqui que Horizon: Zero Dawn se distingue de todos os outros jogos. Enquanto no papel de Aloy, temos de pensar e agir como caçadores. Isto leva a que muitas vezes andemos à volta do terreno para descobrirmos o que temos ao nosso dispor, onde podemos colocar armadilhas e traçar possíveis planos B. Com a ajuda do Focus, já mencionei que podemos fazer scan aos robôs, mas podemos também ver a rota que eles vão fazer, e com esta informação podemos colocar armadilhas pelo seu caminho para desbastar logo um bom bocado de vida deles. Uma das grandes vertentes do combate é o stealth, que é o que nos vai permitir delinear o nosso plano, ao contrário de outros jogos onde corremos imediatamente contra o inimigo. Neste caso, se o fizermos, podemos ser dominados instantaneamente. Ao nosso dispor temos vários tipos de arcos, fisgas e bestas automáticas, cada um com um propósito diferente. Ao contrário de outros jogos do mesmo género, onde vamos avançando na estória e vamos ganhando armas e armaduras novas e melhores, descartando as mais fracas, neste jogo, embora só possamos ter quatro armas ativas no menu de seleção rápida, vamos precisar de trazer toda a variedade de armas existente nas nossas malas, pois estamos constantemente a mudar o nosso plano. Neste caso temos apenas duas ou três melhorias, mas em muitos casos acabamos por comprar logo a melhor que existe.

Dependendo do arco, iremos ter poderes diferentes, consoante o tipo de seta que usamos. Se estivermos à procura de recursos, podemos usar uma seta que tenha maior teor de resource gathering, para fazer saltar uma peça específica, ou se sabemos que o robô tem um ponto fraco exposto, usamos uma seta de impacto que tem um maior teor de dano, mas o foco é causar impacto, podendo fazer blindagens caírem, expondo possíveis pontos fracos novos. Temos também ao nosso dispor a força dos elementos – fogo, eletricidade e gelo, que muitas vezes servirão para pontos fracos específicos. Ainda temos outros tipos de setas como é o caso da ponta sónica, que não dá dano, mas causa um estrondo enorme, sendo eficaz para arrebentar armaduras, vulnerabilidades e por vezes atordoar inimigos, e temos também a Corruption que vai tornar os robôs mais agressivos, fazendo-os atacarem-se uns aos outros (mas a nós também se não tivermos cuidado). Nas fisgas, acabamos por ter bolas, com diferentes tipos de dano elemental, que causam dano na área onde aterram, mas ainda temos sticky bombs e proximity mines que podem ser lançadas a uma distância média, para finalidades mais táticas.

Um exemplo prático disto, seria por exemplo com os Bellowbacks, que têm três pontos fracos – O depósito traseiro, o papo e uns compartimentos por debaixo dele. O depósito traseiro e o papo são vulneráveis a fogo, o que faz com que setas de fogo sejam uma boa opção para ambos, mas com resultados diferentes. O papo será ideal se estivermos a lutar um contra um, fazendo com que o robô fique atordoado uns segundos, mas se estivermos com outros robôs à volta, uma primeira abordagem será mandar umas setas de fogo para o depósito traseiro, porque quando arrebentar vai fazer um dano massivo a todos os que se encontrarem nas redondezas. Os compartimentos por debaixo dele, estão muito bem escondidos, sendo a melhor abordagem uma tripwire explosiva ou uma mina com o mesmo efeito. Muitas abordagens para muitos resultados diferentes, e acreditem que é bem mais fácil fazer tudo se mantivermos sempre uma abordagem mais cautelosa e furtiva, porque quando somos descobertos vamos ter muito pouco tempo para pensar, tendo uma série de robôs extremamente agressivos a cair-nos em cima.

Explorar e conhecer as fraquezas
Explorar e conhecer as fraquezas
O corpo geral
O corpo geral
Os depósitos escondidos
Os depósitos escondidos
O tanque traseiro
O tanque traseiro
O papo
O papo

O combate é o ponto mais forte do jogo, sendo um dos melhores que já joguei nos últimos tempos. Oferece-nos uma enorme variedade em conjunto com um bom desafio e dificilmente se torna repetitivo, devido à maneira como nos podemos cruzar com inimigos no mundo.

Graficamente o jogo está muito bem conseguido, muito ao estilo de Killzone: Shadow Fall, mas melhorado em determinados aspectos, como o detalhe das personagens e dos inimigos. No entanto há pequenas falhas de animações, nomeadamente nas expressões faciais, que faz parecer a comunicação entre as personagens um pouco robótica (ao mesmo estilo que se vê em Resident Evil VII, mas menos evidente), e no fim de cada cinemática, as personagens têm uma frame reset, mas não é nada que venha a cortar a experiência do jogo. Relativamente ao mundo, podemos encontrar pequenos detalhes por todo o lado, desde as ervas altas reagirem ao vento e a nós andarmos em cima delas, ao cenário ser destrutível pelas máquinas de maior porte, ou até ao ambiente dinâmico que nos dá ciclo de dia-noite, assim como mudanças atmosféricas.

A banda sonora do jogo está muito boa, encaixando muito bem no tema e criando um ambiente muito bom para o jogador. As musicas são muito bem colocadas durante as cinemáticas, os sons do mundo criam um excelente enquadramento e as próprias vozes estão muito bem trabalhadas, independentemente das falhas na animação das expressões faciais.

Passando aos elementos mais RPG do jogo, contamos com um level-up system, que vai aumentar a nossa resistência (mais especificamente a nossa vida), mas o mais importante são os skill points, que podemos ganhar subindo de nível ou fazendo determinadas missões principais e secundárias. Na nossa skill tree temos três elementos que podemos melhorar, sendo um referente à nossa técnica de combate, outro é para o nosso controlo das armas e o terceiro é alusivo à nossa capacidade de recolher recursos e movimento em geral. Todos os upgrades estão explicados e têm um pequeno vídeo a acompanhar que demonstra as melhorias que o upgrade irá trazer.

Crafting
Crafting
Inventário
Inventário

Na parte de Crafting, podemos criar munições para as nossas armas, contudo é tudo acessível a partir do quick menu que nos permite criar munições sem quebrar o ritmo do combate. Podemos também fazer diversos tipos de upgrades, como por exemplo às armas, onde atribuímos Coils com diferentes bónus para armas e equipamentos. Para nos ajudar mais à frente no jogo, podemos aumentar a capacidade das nossas malas, permitindo-nos carregar mais munições, armas, equipamentos e recursos. Infelizmente estes upgrades têm limites, o que me levou à frustração desde o meio do jogo para a frente, por ter a mala sempre cheia, mas também tem um pouco a ver com a minha mentalidade de sucateiro, onde apanho tudo e não vendo nada. Neste ponto, dava jeito um local onde pudéssemos guardar recursos. Para determinados upgrades temos de caçar animais (sim, verdadeiros animais, que aparentemente sobreviveram), como por exemplo, ratos, raposas (infelizmente), javalis, perus, entre outros por causa de recursos específicos, como peles, ossos ou carnes, sendo este último para a criação de poções.

Se nos sentirmos num aperto em alguma missão ou zona do mapa, podemos recolher certos tipos de plantas para nos dar pequenos boosts de defesa, como resistência a fogo, gelo e até corrupção.

Caso precisemos de recolher materiais, seja para comprar algo ou porque estamos em falta, temos uma funcionalidade, que ainda não tinha visto noutro jogo. Podemos criar uma missão para recolher recursos que tenhamos em falta, fazendo com o que o jogo nos marque checkpoints no podemos arranjar os mesmos, e ainda beneficiamos de um pequenos bónus com isso.

Como já se tem tornado padrão, somos apresentados ao modo photo mode, onde podemos parar o jogo em qualquer momento e tirar uma fotografia, com diferentes filtros e layouts, com uma série de parâmetros fotográficos que podemos manipular. Sem dúvida um espaço onde vão dedicar uma boa série de horas, como podem ver:

#nofilter
#nofilter
#focaldistance
#focaldistance
#bluefilter
#bluefilter

Em suma, Horizon: Zero Dawn veio mesmo para marcar a geração, introduzindo-nos a uma narrativa apelativa, sendo complementado com uma das gameplays mais divertidas nesta geração. As falhas que o jogo tem não são causas para nos estragar a experiência, limitando-se a pequenos erros para os mais perfecionistas julgarem. Uma comparação fiel será com o Witcher 3: The Wild Hunt, onde vemos muitos elementos parecidos presentes em Horizon: Zero Dawn, que acaba por mistura-los com o seu próprio conceito para nos trazer uma experiência nova e diferente. Desde os gráficos, à banda sonora, ao gameplay ficamos extremamente impressionados com este título

Definimos Horizon: Zero Dawn como um jogo obrigatório na coleção de qualquer jogador com uma PlayStation 4.

Horizon: Zero Dawn estará disponível nas lojas a partir do dia 1 de Março, com três tipos de edições: Normal, Limitada e de Colecionador.

Normal
Normal
Limitada
Limitada
Colecionador
Colecionador
Todas as imagens desta análise foram tiradas dentro do jogo, no Photo Mode, numa PlayStation 4 normal.

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