06 Nov 2019
PS4

Análise – Call of Duty Modern Warfare

Podemos esperar algo muito diferente da saga de Call of Duty este ano.

Call of Duty: Modern Warfare é um reboot da série por parte do estúdio da Infinity Ward. O estúdio quis voltar ao ambiente de guerra moderno, ao mesmo tempo que davam mais ênfase ao famoso e favorito Captain John Price.

A equipa
A equipa

O jogo foi publicitado como um reboot da série, no entanto, a sua posição na série Modern Warfare é bastante específica, e poderá ser muito interessante para os fãs que queiram pensar no futuro deste reboot. No entanto apenas saberão isto depois de concluírem a campanha.

A campanha leva-nos a Urzequistão, onde uma grande carga de uma arma química é roubada, sendo os principais suspeitos a Al-Qatala, um grupo terrorista liderado pelo “Wolf“, que ameaça a paz no ocidente.

O jogo traz o mesmo formato que os jogos anteriores da série, sendo que neste, o jogador encara o papel do agente da CIA, Alex e o Sargento SAS, Kyle Garrick. Em certas partes ainda iremos encarar outras personagens num flashback, no entanto o Alex e o Kyle Garrick são as principais personagens onde o jogador irá ver a estória desenrola.

Depois de tentarmos defender Londres de um ataque terrorista com a arma quimica roubada, o Kyle Garrick junta-se ao Captain Price, e formam um equipa destacada ao Urzequistão para capturar o Wolf e recuperar a arma química. É aqui que a equipa de Captain Price se encontra e se junta à equipa de Alex, que é formada pela resistência nacional, que tem lutado contra o exército Russo, liderado por Barkov.

Modo Noturno
Muita ênfase em missões noturnas

Os Russos estão no Urzequistão porque acreditam que a Al-Qatala é a responsável pelo roubo dos químicos, logo tratam o país todo como um grupo terrorista. O jogador irá lutar contra esta força, de modo a descobrir quem realmente roubou a arma química, visto que ninguém da resistência tem ideia quem terá sido.

A narrativa aprofunda um pouco mais, embora não seja muito complexa, também não é algo tão linear como Americanos vs Russos vs Terroristas. A única falha da mesma é um falha que tem sido quase recorrente nos últimos jogos da saga que tentam implementar um vilão – Um vilão sem grande interesse em motivos demasiados vagos. Quando estamos atrás do Wolf, a narrativa parece bastante linear e simples, mas quando começamos a perseguir o Barkov, seria o momento ideal para a narrativa nos dar algo diferente, como foi com o caso do Commander Shepherd do Modern Warfare 2, onde havia emoção e sentido para o perseguirmos, enquanto que aqui, apenas perseguimos o Barkov para dar vingança à Farah Karim (líder da resistência).

A meu ver é o ponto mais fraco da narrativa. Perto do fim começamos a perseguir outro inimigo, mas continuamos a tentar impedir um plano que nada tem a ver com esse mesmo e que por sua vez até seria para o derrotar. Quando se vê o plot twist na narrativa, dá para perceber, mas também dá para perceber que houve alguma confusão na linha narrativa e acabou por se juntar tudo. É um defeito que eu chamo de “New Hero Narrative“, que tenho usado para definir certos filmes de super-heróis a amigos e familiares menos conhecedores dos mesmos, sendo que é um filme que passa uma grande parte do tempo a introduzir a personagem, e a desenvolver um pouco mais sobre ela, e depois nos últimos 3/4 há um inimigo, uma batalha, entre outras coisas e a narrativa parece completamente acelerada e com muitas pontas soltas.

Ação
Uma campanha cheia de ação e momentos tensos

No entanto houve imensas partes da campanha que me pareceram quase um tributo a outros títulos da Infinity Ward. Houve missões em que me senti no D-Day do Call of Duty 2, outras em que parecia estar a recriar a missão All Ghilled Up do Modern Warfare de 2007. Não sei se foi propositado mas por várias vezes senti que estava a jogar um tributo a todo o trabalho passado do estúdio.

À parte da narrativa, a campanha introduziu uma série de coisas novas que foram muito agradáveis de se ver.

A primeira coisa a falar é sem dúvida o motor de jogo. O novo motor de jogo dá uma nova sensação ao jogo, parece haver muito mais peso e comportamento nas armas e nos soldados. Os visuais estão espetaculares, tanto nos ambientes de dia, como nos de noite, que por sua vez foram um grande foco neste título. As personagens estão altamente definidas, com todos os pequenos detalhes animados, desde fitas, cabelos ou até mesmo sujidade na cara das personagens.

Wolf
“Wolf” uma ameaça à paz no ocidente

Um dos elementos que mais gostei foi a abordagem mais cinemática da campanha. É-nos removido quase todo o HUD, sendo que o mesmo só aparece em determinadas ações. Já não temos o indicador, que está constantemente no ecrã a dizer para onde temos de ir. Se o jogador quiser uma boa imersão, basta ouvir os comandos dos nossos companheiros, que nos indicarão todos os passos a seguir. Se falharmos um, com um clique num botão o waypoint aparece muito brevemente. As munições e indicador de equipamentos aparecem apenas quando o jogador faz mira. Essencialmente apenas vemos a mira quando estamos apenas a andar. Em dificuldade realista, perde-se todos esses elementos de vez. Em algumas partes da campanha já vemos algumas transições de uma câmera, sem cortes, como foi no God of War, o que nos dava a transição perfeita das nossas ações para os momentos cinemáticos.

O comportamento das armas também é completamente novo, tanto na maneira de dispararem, como na maneira como são personalizadas. Dois elementos que me fascinaram foi as miras de sniper, que agora não metem a vinheta preta à volta, o que nos permite continuar a ver as redondezas. O outro elemento é a possibilidade de recarregar a arma sem parar de fazer mira, o que ajudou bastante em certas situações. O jogador irá encontrar armas bastante familiares, sendo que tendem a representar as da atualidade.

No que toca à narrativa, há muitos elementos técnicos novos, grafismos muito mais apelativos e deslumbrantes, no entanto o conteúdo da mesma é algo mais banal, mas longe de ser das piores narrativas num Call of Duty.

Farah
Iremos descobrir mais a fundo as motivações de Farah

Acabando a campanha, está na altura de irmos para o modo online. Infelizmente, não pegaram na mesma ideia da Sledgehammer Games, no Call of Duty: World War II, onde havia o Headquarters. Temos um misto, sendo que vemos o lobby, e os jogadores que estão presentes nele, e de fundo aparece uma animação dos avatares de cada jogador da nossa equipa a caminharem em direção ao ecrã, mas de forma alguma podemos navegar com os nossos avatares.

Este ano os jogadores poderão ter uma vertente mais detalhada no que toca a escolher uma arma. As personalizações são bastante detalhadas e geram alterações únicas de arma para arma, ao contrário de alguns títulos anteriores que pareciam “padrão” para todas as armas.

O modo online continua muito padrão e com o mesmo pedigree, mas com a introdução de um motor de jogo novo deu para ver que a maneira de abordar cada modo de jogo se tornou um pouco diferente. O modo de jogo mais interessante é o Gunfight, um modo de jogo novo 2v2, onde trabalho de equipa e muita coordenação será necessária para conseguir vencer. É também um modo de jogo que promete trazer uma nova vertente competitiva para a série.

Online
Modo online muito agitado e divertido

O Ground War também sofreu algumas alterações, sendo que agora os mapas não são por fases, como no World War II, mas sim mapas abertos, onde o jogador terá de capturar vários pontos para ganhar pontos para a sua equipa. Pode-se até dizer que é muito equiparável ao modo Conquest da série concorrente, Battlefield. Neste modo também foram introduzidos veículos, tanto de mobilidade como de ataque, para que o jogador possa ter uma navegação mais rápida, cuidada ou ofensiva no campo.

Mas o que despertou mais interesse no modo online, foi o modo realista, em que o jogador fica sem qualquer elemento da interface visível, levando-o a guiar-se puramente pelos seus sentidos (daí o “realista”). Foi bastante divertido porque muitas coisas que mal damos conta delas no ecrã, acabam por realmente fazer muita falta se não estivermos com a devida atenção.

Teamwork
Modos de jogo online que promovem o trabalho em equipa

Se o competitivo não é a vossa praia, têm o modo Co-op, onde temos várias opções de jogo.

O modo Survival é o classico dos jogos da Infinity Ward, onde o jogador terá de sobreviver a ondas infinitas de inimigos, podendo comprar armas, equipamentos e killstreaks nos intervalos. Iremos depender bastante do trabalho de equipa e de alguma economização, porque a contrário dos títulos anteriores, não é tão fácil juntar dinheiro para comprar melhorias.

O outro modo são as Special Ops, que são missões de 4 jogadores. Este modo exige que o jogador puxe todas as cartadas e trabalhe em equipa para conseguir completar os objetivos. De momento só há quatro missões, no entanto as mesmas irão ocupar bastante tempo aos jogadores dado a sua complexidade e dificuldade.

Co-op
Missões cooperativas para desafiarem grupos de amigos nas suas competências como soldados

Em suma, Call of Duty: Modern Warfare é um passo em frente para a série toda, curiosamente vindo do estúdio que começou tudo. O novo motor de jogo dá um aspeto novo, mas familiar ao mesmo tempo, sendo que poderá agradar aos fãs de longa data e ser apelativo para novos jogadores. A campanha é interessante e utiliza uma personagem amada da série para a encaminhar, mas peca pelo problema do costume, onde não somos apresentados a um vilão nem a um objetivo coerente. O modo online segue as normas do costume, apresentando um modo de jogo reestruturado para dar uma experiência nova e outro que se indica ser o futuro do modo competitivo da série. Podem ainda optar por juntar um grupo de amigos e desafiarem-se nas operações especiais e estenderem a vossa experiência da campanha um pouco mais a fundo.

Call of Duty: Modern Warfare está disponível para a PlayStation 4, Xbox One e PC.

Call of Duty Modern Warfare
9 / 10 Pontuação
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Resumo
Um novo ar a uma série que já precisava de ser atualizada no seu aspeto técnico. Uma campanha com uma das personagens favoritas da série, mas que peca por falta de objetivos mais coesos. Um modo online com algumas novidades mas sem mexer muito no core competitivo.
Rating9
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