16 Abr 2019
PS4

Análise – Apex Legends

Surpresa do ano?

Apex Legends chegou e apanhou a comunidade de videojogos de surpresa.

O jogo foi anunciado no dia 4 de Fevereiro… e lançado no mesmo dia. Sim, parece estranho, mas numa entrevista o produtor executivo da Respawn Entertainment, Drew McCoy, mencionou que o estúdio afastou a EA o mais que pode da produção de Apex Legends. Foi também uma decisão por parte do estúdio não revelar nada sobre o jogo até ao lançamento do mesmo para evitar qualquer tipo de críticas precipitadas. O estúdio estava preocupado que pudesse ficar prejudicado ao haver pessoas que ficassem de pé atrás por ser “mais um Battle Royale” ou “por ser um jogo da EA“.

Dada a polémica toda em torno das decisões da EA nos últimos tempos com os seus jogos e a maneira como monetizam conteúdo, a empresa não tem ficado nas boas graças dos jogadores, e isto pode afastar muitos jogadores de Apex Legends dado que é um jogo free-to-play com micro-transações. No entanto não se devem preocupar pois todas as micro-transações são para se comprar loot boxes, texturas e personagens, coisas que são todas desbloqueáveis sem gastar um cêntimo. Mas se vão optar para serem jogadores free-to-play, terão de ter em conta que terão de jogar muito para conseguirem desbloquear algumas coisas.

A decisão de afastar a EA da produção do jogo acabou por ser benéfica para o estúdio pois acabou por levar a comunidade ao rubro e o jogo quebrou recordes. Nas primeiras 72 horas atingiu os 1 Milhões de jogadores e ao fim de uma semana já conta com mais de 2.5 Milhões de jogadores. O seu primeiro torneio na TwitchTwitch Rivals, teve mais visualizações que o famoso jogo da Epic Games, Fortnite.

Isto tudo graças a um lançamento sem problemas de servidores, uma jogabilidade bem aprimorada, personagens divertidas e fáceis de aprender, e claro, o modo de jogo que está na ribalta.

Apex Legends é um jogo que está inserido no mundo do Titanfall, no entanto não vemos mechas nem temos as habilidades como o wallrun. Mas falando em habilidades, temos aqui um ponto que distingue o Apex Legends dos outros Battle Royales.

O jogo vai buscar inspiração ao Overwatch, aproveitando o sistema combate em equipa onde cada personagem tem as suas habilidades únicas, levando a que os jogadores tenham de conjugar as suas habilidades para terem as melhores hipóteses de vencer. No entanto, em Apex Legends, embora tenhamos oito personagens com habilidades únicas, a complexidade de combinações não é tão extensa como no Overwatch.

As habilidades das personagens funcionam para as forças do estilo de jogo do jogador, sendo que há diferentes tipos de classes – Tanque, Suporte, Rastreador e Ofensiva. Há aqui alguns termos que podem divergir do normal, no entanto a lógica é muito parecida.

Falando especificamente das classes, começamos pelos Tanques, neste caso o Gibraltar e Caustic. Seria de esperar que estas personagens fossem mais lentas e mais resistentes, no entanto já foi confirmado que todas as personagens andam e correm à mesma velocidade, apenas as suas animações é que são mais lentas para criar essa ilusão, e têm a mesma quantidade de vida que as outras personagens.

A única diferença é nas habilidades e na maneira de jogar com eles, sendo que todas as personagens têm uma habilidade passiva, uma tática e uma especial.

O Gibraltar é uma personagem que se enquadra bem na sua classe, pois a sua habilidade passiva e tática são aquelas de esperar num tanque. A sua habilidade passiva ativa um escudo quando fazemos mira protegendo parte da cabeça e a grande maioria do seu tronco. A sua habilidade tática é um escudo que atira para o chão criando uma cúpula de proteção para a equipa. Esta habilidade é conjugada com o seu especial que chama fogo de artilharia para uma localização, o que faz com que a equipa possa ficar protegida enquanto se controla uma área. Uma particularidade do escudo é que não dá para disparar através dele, tanto de fora para dentro, como de dentro para fora.

O Caustic não tem habilidades defensivas, sendo que o seu estilo de jogo é à base de armadilhas. É uma personagem que funciona mais para o seu próprio estilo de jogo do que em equipa, pois a passiva permite-lhe ver inimigos através do seu gás. A sua habilidade tática lança um recipiente que emite gás tóxico quando um inimigo por perto e a sua habilidade especial atira uma granada que cobre uma grande área com esse mesmo gás. A melhor parte disto é que o Caustic é imune ao gás, incluindo o de Caustics inimigos.

Ambos os tanques servem para controlar áreas e têm habilidades que podem ajudar a equipa a sair de uma situação complicada, mas ao mesmo tempo, podem criar muita pressão numa equipa inimiga.

O único rastreador do jogo, por agora, é o Bloodhound, uma personagem que é ideal para as pessoas que adoram a “caça” ao inimigo. A sua habilidade passiva é capaz de ser das mais interessantes que já vi num shooter, pois ele consegue ver pistas de outros jogadores que ficam marcadas no mapa. Ou seja, tal como uma verdadeira caça, ele consegue olhar para um contentor aberto e ver que foi aberto à pouco tempo, e perceber que passaram inimigos naquela região. A sua habilidade tática faz um rastreamento a uma área à sua frente revelando inimigos, armadilhas e pistas. O seu especial aumenta os seus sensos, tornando-o mais rápido e marcando os inimigos na sua linha de visão.

Nos suportes temos a Lifeline e Pathfinder, que tal como nos tanques, mesmo sendo da mesma classe têm modos de jogar completamente diferentes.

A Lifeline é a curandeira do jogo, pois as suas habilidades funcionam em prol da sobrevivência da equipa. A sua habilidade passiva dá-lhe várias vantagens como ressuscitar membros da equipa mais rápido e ficar protegida por um escudo enquanto o faz, assim como se cura mais rapidamente a usar itens. A sua habilidade tática chama um robô que cura os membros de equipa na proximidade e a especial chama uma supply drop que traz três peças raras ou superiores.

A Lifeline torna-se uma personagem quase essencial para uma equipa que quer jogar mais agressivamente e que procura sempre melhor loot, mesmo no fim do jogo.

O Pathfinder por outro lado também funciona em prol da sobrevivência da equipa mas de uma maneira diferente. Enquanto que com uma Lifeline na equipa, podemos ser agressivos porque temos sempre uma personagem que nos pode ressuscitar num instante, com um Pathfinder procuramos sobreviver a evitar conflitos ou a criar emboscadas pelos lugares mais inesperados. Podemos evitar conflitos ou avançar para o centro do mapa de uma forma ponderada porque a passiva dele permite interagir com uns pontos de postos de sinalização que mostram como o mapa vai fechar. A sua habilidade tática lança um gancho que o projeta nessa direção que pode ser usado ofensivamente ou defensivamente, tal como a sua habilidade especial que em vez de um gancho lança uma tirolesa para a equipa usar.

Por fim, temos as personagens ofensivas – Mirage, Bangalore e Wraith.

O Mirage cria ilusões para enganar os inimigos e é capaz de ser uma personagem bastante imprevisível se o jogador souber o que está a fazer. Até a sua habilidade passiva serve para desnortear os inimigos. Quando o Mirage é abatido ele larga um clone que faz uma dramatização digna de um Óscar enquanto a personagem ganha uma invisibilidade momentânea para se poder afastar do combate. A habilidade tática lança um clone na direção que o jogador apontar e a sua especial lança uma equipa de clones e o jogador ganha invisibilidade por uns momentos.

Chegamos à Wraith e percebemos que é das personagens com mais mobilidade do jogo. A sua habilidade passiva permite tornar-se parcialmente invisível e ganhar um pequeno bónus de velocidade, que deve ser conjugada com a sua passiva que a faz ouvir vozes quando alguém está a fazer mira para ela ou nas proximidades. O seu especial permite abrir um portal entre dois pontos que pode transporta-la e os membros da equipa para outro destino. É uma personagem cujo seu modo de jogo é muito parecido ao da Tracer do Overwatch, sendo que deve ser usada para flanquear inimigos e criar pressão.

E por fim, a oitava personagem é a Bangalore. Uma personagem com uma abordagem muito mista visto que pode ser muito agressiva, como pode ser muito defensiva. A sua habilidade passiva faz com que ganhe um pequeno boost de velocidade quando está sob fogo inimigo. A ativa tem duas utilizações e lança granadas de fumo para uma região, criando uma nuvem enorme para poder ganhar algum tempo e repensar a sua tática. A sua habilidade especial é fogo de artilharia, tal como a do Gibraltar, no entanto, os mísseis da Bangalore chegam mais rápido ao chão mas só explodem ao fim de um certo tempo.

Como podemos ver neste breve resumo das personagens, todas elas apresentam um visual único e trazem um estilo de jogo variado para os jogadores explorarem e dominarem.

De momento podem ser poucas, no entanto como já foi estabelecido pelo estúdio, ao longo do ano está previsto uma série de conteúdo novo, desde personagens, armas, equipamentos, temporadas, skins e muito mais.

Falando do mapa, sendo o único até à data, não vão encontrar os problemas que outros Battle Royales têm, onde o jogador perde muito tempo a andar só para chegar a um novo local. Todas as zonas estão espaçadas de uma forma de rápido acesso, seja a correr entre zonas ou usando a mobilidade que o jogo nos fornece, mas o que mais me intrigou no mapa é a ligação entre as zonas e como elas são. O mapa leva-nos a acreditar que estamos a lutar numa ilha em que há uma população que faz a sua rotina diária e tem as diferentes zonas para executar as mesmas. Há locais que são muito interessantes de se explorar como é o caso da Skull Town, Artillery e Swamps.

Uma coisa que irá logo distinguir o Apex Legends de outros Battle Royales é a possibilidade de ressuscitarmos um parceiro de equipa. Sim, embora possamos eliminar um inimigo que ainda está enfraquecido, a sua equipa pode recuperar o seu banner para o poderem chamar de volta ao jogo. No entanto ele voltará sem qualquer equipamento, o que leva a que tenham de pensar quando o fazer e estarem preparados para defender o colega.

Quanto mais jogamos, melhor ficamos a conhecer as zonas e ficamos a conhecer quais são as zonas com os melhores equipamentos, no entanto, em todos os jogos há uma Hot Zone que terá chance de ter melhores equipamentos. É também meio caminho andado para encontrarem 50% dos jogadores nos primeiros segundos de jogo. A Hot Zone é uma área onde o jogador poderá encontrar equipamentos e armas melhores, mas tem também a hipótese de encontrar uma arma totalmente artilhada. Esta arma é lendária e tem todos os extras aplicados de raridade lendária.

Mas se preferirem procurar em zonas relativamente mais seguras, ao longo do jogo haverá uma Supply Ship que também poderá ter equipamentos bons, assim como Supply Drops aleatórios ao longo do mapa. Será nestas zonas que poderão ter a chance de encontrar os melhores equipamentos e armas do jogo. E sim, há duas armas lendárias no jogo – Mastiff Shotgun e Kraber .50Cal SR, que só podem ser encontradas em Supply Drops, não podem apanhar munições para elas e não podem adicionar extras. Em contra partida, ambas as armas podem dar mais de 250 de dano com um só tiro na cabeça.

1/2

Uma funcionalidade única do Apex Legends são os balões que permitem o jogador lançar-se para novas zonas. Ao contrário de outros jogos do género em que a tendência é avançar para o centro para evitar que o círculo feche em cima de nós, em Apex Legends podemos manter-nos na zona para tentar encontrar mais equipamento, pois sabemos que temos sempre a hipótese de usar o balão para avançar mais depressa no mapa.

Falando de equipamentos, Apex Legends simplifica de uma forma bastante prática e fácil as armas, munições e equipamentos. As armas estão divididas em quatro classes – Heavy, Light, Energy e Shell. Essas quatro classes também estão divididas por cores bastante distintas para que possam ser facilmente identificáveis, e é isto que vai facilitar a vida do jogador quando estiver à procura de armas e munições. Se o jogador apanhar uma Prowler PDW ou uma M600 Spitfire, as armas estarão identificadas no HUD com um azul claro, logo sempre que vir uma caixa azul clara, sabe que essa munição funcionará para a sua arma.

Mas para facilitar ainda mais a vida ao jogador, se ele tiver uma arma com munição Heavy e outra com munição Light, quando ele apontar ou procurar no inventário por uma caixa de munição de outro tipo, a mesma irá aparecer com um indicador de que não há uma arma para equipar a mesma. Isto facilita muito a gestão de inventário.

Relativamente a equipamentos, há uma série de coisas que o jogador pode encontrar espalhado ao longo do mapa, mas vamos por partes.

Ao contrário das armas, os equipamentos estão divididos por raridades – Comum, Raro, Épico e Lendário. O que varia entre as raridades é o bonus que a peça daria – Uma Extended Magazine comum para a Wingman aumenta as munições de 6 para 8, a rara aumenta para 10 e a épica para 12, mas a rara e a épica aumentam a velocidade de carregamento.

Todas as armas acabam por ter peças que podem ser adicionadas desde miras, cartuchos, pegas e coronhas. No entanto, certas armas têm modificações que podem ser adicionadas a elas, o que muda por completo a maneira como elas podem ser usadas. Temos o exemplo da Precision Choke que pode ser aplicada à Peacemaker (caçadeira) ou à Triple Take (sniper). Com esta modificação, se o jogador ficar a fazer mira durante um certo tempo, as armas irão focar os tiros, fazendo com que o dano seja muito mais concentrado.

O equipamento também está dividido por raridades, sendo que o jogador poderá encontrar capacetes e equipamentos para o peito.

Os equipamentos lendários são peças muito raras de aparecerem e que não trazem melhorias em relação ao equipamento épico, mas dão habilidades novas ao jogador, como é o caso do Knockdown Shield lendário que nos permite ressuscitar por nos próprios.

Todas estas funções juntas acabam por fazer com que Apex Legends já traga uma experiência mais apelativa aos jogadores em comparação a outros jogos do género, no entanto, ainda há uma função que muitos irão aclamar ser a melhor função alguma vez introduzida num Battle Royale – sistema de Ping.

O sistema de Ping permite ao jogador evidenciar inimigos, zonas, ações, equipamentos, armas e muito mais, de modo a facilitar toda a comunicação entre os jogadores. Com um simples click de um botão temos acesso a várias opções de comunicação e o mesmo funciona quando o jogador aponta para um equipamento de modo a chamar à atenção aos colegas de equipa que pode haver algo relevante para eles ali.

Esta funcionalidade funciona muito bem visto que o jogo se baseia muito em trabalho de equipa, logo se estivermos a jogar com desconhecidos temos um meio facilitado para podermos comunicar e chamar à atenção aos outros dois.

Em geral, Apex Legends é um jogo que foi produzido com muito termo comparativo. Casos como o H1Z1, PUBG, Fortnite e outros Battle Royales menos conhecidos foram os pioneiros para poderem cometer todos os erros que a comunidade de videojogos mais detestava. Foi assim que a Respawn Entertainment conseguiu lançar um Battle Royale do dia para a noite, completo, com elementos únicos e com várias funcionalidades interessantes que vão ditar muitas melhorias para o género. Os jogos são rápidos, podendo variar entre 15 a 25 minutos e variados o suficiente para cada um deles parecer que estamos num map cycle como seria de esperar estarmos a jogar uma playlist de outro shooter.

O jogo tem estado muito na ribalta e com bons motivos para tal. Pode não ser um jogo perfeito nem o mais completo do mercado, mas para o que saiu e no formato que saiu, Apex Legends é um jogo muito bem conseguido e uma excelente opção para se jogar com um grupo de amigos. Irá por à prova as vossas capacidades de trabalho de equipa e sobrevivência. É também o único Battle Royale até à data que me deu uma vontade genuína de o continuar a jogar.

Apex Legends
9 / 10 Pontuação
Resumo
Apex Legends surge do inesperado para trazer aos jogadores uma experiência Battle Royale com todas as qualidades de um AAA, introduzindo novas funcionalidades ao género e muita ação em equipa.
Rating9

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