28 Ago 2018
PC e Mac

Darksiders II

Primeiro vem a Guerra, depois vem a Morte. Death, o segundo cavaleiro do apocalipse não acredita no que se está a passar com War que é condenado e enviado para a Terra e assim embarcamos na missão de provar a inocência de War. Darksiders II é maior e mais longo que o seu antecessor, mas será melhor?

Darksiders II já era um jogo muito esperado por mim. Tendo terminado o primeiro Darksiders, ficamos sempre com aquela sensação que a Vigil Games se iria esforçar ao máximo para continuar os jogos dos quatro cavaleiros do apocalipse e trazer os restantes personagens às nossas consolas e PC. Uma bom enredo, bons personagens, uma mistura de elementos bem compostos e uma banda sonora épica foram alguns dos elementos que me agarram ao original Darksiders.

A nova cruzada, controlada por Death passa-se ao mesmo tempo que a de War, sendo que são passadas em sítios diferentes. War é enviado para a terra depois de ser condenado pelo Charred Council por invocar o apocalipse antes do tempo e de seguida os três restantes cavaleiros são avisados deste destino. Death que sabia que War era o cavaleiro mais honroso e impossível de corromper dos quatro, não acreditou nesta decisão e partiu à procura de respostas.

Esta nova aventura preparou-nos um mapa duas vezes maior e uma campanha bastante maior que a original. Mas nem sempre o maior é melhor. Darksiders II mistura os elementos clássicos de um jogo RPG com um jogo de acção aventura. Um dos aspectos mais críticos que se fazem a Darksiders é o facto de ser uma mistura de outros jogos o que na minha opinião se for bem feito não choca de forma alguma. As corridas pelas paredes lembram-nos instantaneamente de Prince of Persia, os puzzles e ambiente ao género de Zelda e o sistema de combate à God of War são os três pontos mais fortes desta mistura que tornam Darksiders uma experiência muito agradável de jogar. Se consegue recriar bem os três elementos e compor um bom jogo, porque não aproveitar? Cada área do jogo que atravessamos cumprimenta-nos no final de uma forma menos amistosa, com um boss para enfrentar e ultrapassar.
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Darksiders II não obriga os jogadores a já terem completado o primeiro jogo pois apesar de haver uma ligação entre as histórias, o jogo vai-nos mostrando aos poucos o que se estava a passar com War e o porquê desta nossa jornada. Se por sua vez jogaram o primeiro jogo e gostaram, então vão manter esse sentimento ao longo de Darksiders II.

A Vigil Games esforçou-se em construir um cenário mais simples e linear de jogar apesar de por vezes pecar por falta de elementos que nos estimulem mais atravessar os mesmos. Ok que é sempre divertido matar os inimigos espalhados pelas terras, explorar novas combinações e apanhar os items que largam mas ao fim de várias horas de jogo este factor torna o jogo uma experiência mais aborrecida e faz com que apenas jogamos no sentido de completar as missões principais e secundárias sem aquela vontade de apreciar o que nos rodeia. Um novo quadro onde podemos consultar as actualizações disponíveis e desbloquear novos poderes é uma das novidades em Darksiders II. Vamos passar muito tempo neste menu a explorar as adições e objectos que vamos apanhando para afinar Death ao máximo ao nosso gosto.
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No tempo de War pouco tempo tivemos para respirar, o apocalipse ocupou-nos em demasia e combate atrás de combate pouco tempo tínhamos para nos habituarmos às novas mecânicas que nos eram impostas. Death está um pouco mais descansado, a história desenrola-se a um passo um pouco mais lento e dá-nos uma oportunidade de nos habituarmos as novas armas e mecânicas que nos são apresentadas antes de sermos novamente bombardeados. Cada área do jogo apresenta-nos um novo puzzle, sempre um pouco mais difíceis que os anterior mas nunca demasiado desafiantes, a Vigil Games procurou não aborrecer demasiado os jogadores e tornar a experiência conclusiva a todos. A curva de aprendizagem e habituação às combinações é suave e não obriga a uma concentração elevada. Alguns jogadores provavelmente nem se vão chatear com as combinações e vão basear o seu sistema de combate mais em button smash. Vai funcionar à mesma. Death possui dois tipos de ataques, um mais fluído e rápido com a sua arma primária e um na sua segunda arma que podemos variar entre martelos pesadíssimos ou umas garras eléctricas. Combinação com combinação podemos ainda finalizar os inimigos com um finishing move que dá logo por terminado o embate. Os bosses não são grande desafio e possuem mecânicas simples para serem derrotados, o tamanho normalmente é elevado mas Death faz com que a queda também o seja e de forma não muito complicada.

Os cenários estão um pouco mais sombrios e os gráficos com o mesmo aspecto que no anterior apesar de um pouco mais detalhados. Os efeitos causados pelas armas continuam no entanto a criar um festival na nossa televisão e a personalização da armadura de Death é um dos elementos que mais nos agarra a Darksiders II. O peso RPG obriga-nos a procurar sempre novas armas e melhores armaduras…não queremos ser surpreendidos de repente com um boss gigante e não ter arsenal para ele certo? O modo de exploração dos cenários pode provocar aborrecimento pela falta de variedade mas aquela vontade de saber o que é que o inimigo X vai largar e se aquele loot serve para nossa evolução ou não é sempre um peso que nos vai fazer ceifar muitos inimigos.
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A banda sonora tem pontos calmos e pontos positivos e está bem composta para o ambiente que estamos atravessar, por vezes são os tambores de guerra que nos fazem lutar, outras partes são apenas sons tranquilizantes mas ao mesmo tempo épicos para as nossas longas cavalgadas. Os diálogo dos personagens está coeso e aquele tom de mauzão que War nos habitou, passou para Death e consegue-nos sempre encher o peito cada vez que o mesmo fala. Está bastante cool. Pena no entanto um bug estranho que por vezes acontece e que consiste no jogo perder o som ambiente e ficarmos apenas a ouvir o nosso personagem. A única solução passou por reiniciar a consola.

O modo história de Darksiders II envolve-nos ainda num bom período de jogo, variando sempre da forma com que jogamos e da vontade que temos de chegar ao final. Um progresso que se desenrola bem para quem gosta do género. O sistema de combate não variou muito para o jogo anterior onde se nota um pouco mais de velocidade e que a juntar ao evoluir do personagem e habilidades que vamos desenvolvendo no decorrer da história, a nossa caminhada será épica e cheia de diversão. Terminando o jogo podem sempre recorrer ao clássico New Game Plus e atravessar de novo a aventura, mantendo armas e armadura. O modo de jogo Crucible é uma das novas adições e consiste numa arena recheada de desafios com vários tipos de inimigos para derrotarmos o que permite ainda mais umas voltas a Darksiders II depois de termos o jogo terminado.
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Death é um personagem sem medo, capaz de levantar exércitos de mortos à sua volta para o apoiarem na sua cruzada e apesar de Darksiders II não ser um jogo revolucionário consegue manter a linha do primeiro jogo falhando apenas em aspectos muito ligeiros e numa história que começa um pouco confusa, não se ligando directamente ao desfecho do primeiro jogo. A viagem é épica e com a história do segundo cavaleiro do apocalipse encerrada falta agora saber por onde andavam os outros dois e esperar que a Vigil Games consiga trazer-nos a conclusão da saga.

Versão analisada: Playstation 3

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