02 Set 2018
PS3

WWE ’13

WWE ’13 é o titulo da série que recebeu mais promoção, tanto pela WWE como pela THQ, merecendo inclusivé referência de destaque inúmeras vezes no conteúdo dos programas semanais Monday Night Raw e Friday Night Smackdown. Será que WWE ’13 terá argumentos suficientes para justificar toda a antecipação e expectativa criada?


O tema atractivo desta edição é ‘Vive a revolução’, uma alusão ao grande protagonismo que a Attitude Era tem em WWE ’13 representada pela visão insurgente do wrestler CM Punk e pela atitude dominante de Steve Austin. O elevado carisma deste último deu origem a uma respectiva edição coleccionador.
Dizer que o tema deste jogo e o seu protagonismo são a Attitude era, é dizer que está presente em WWE ’13 a época mais marcante, radical, singular, e apreciada da história da WWE. Esta era deu origem às rivalidades mais carismáticas e ícones do wrestling americano. A época decorreu de 1995 a 2001 e é referida como ‘era dourada’ tendo alcançado números record de vendas dos eventos em PPV, resultantes da nova abordagem de entretenimento que contradizia com a anterior programação mais ‘inocente’ e familiar. Abordagem que, por sua vez, foi o resultado da rivalidade de audiências com a WCW. E agora, numa espécie de regresso às origens, temos a possibilidade de viver, ou reviver, os momentos dessa épica era.

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WWE ’13 regressa, por isso, cheio de energia e de, claro está, atitude. O modo Attitude Era substitui o modo Road to Wrestlemania das edições anteriores, tendo herdado a sua estrutura de campanha dividida por vários personagens com vários segmentos respectivos. O vídeo introdutório relata, com recurso a sequências reais, o início da referida época e enquadra-nos no ambiente de mudança e de luta pelas audiências. Enquanto navegamos pelos menus, somos permanentemente presenteados com as lines mais famosas de superstars como HBK dos DXAustin, Y2J e The Rock. Frases como “Austin 3:16 says that I just wooped you ass!” e “You made your rules and we are going to break them” transporta-nos para o característico e contagioso ambiente. A estas frases foram acrescentados os igualmente marcantes comentários de Jim Ross e de Jerry ‘The King’ Lawler.
Também à semelhança de Road to Wrestlemania temos combates com objectivos marcados para podermos prosseguir na campanha e os respectivos objectivos bonus, que permitem desbloquear personagens, fatos alternativos, arenas, entre outros. Durante os combates somos incentivados a atingirmos os objectivos da história de forma a representar os acontecimentos como realmente aconteceram, através de interrupções externas, ilegalidades, etc.

A grande relevância da Attitude Era no jogo é ainda mais perceptível quando vemos o roster disponível. Dos mais de 70 wrestlers que podemos escolher, quase 50% pertencem à referida época embora na lista surja versões diferentes do mesmo lutador.

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A renovada tecnologia de Predator 2.0 proporciona uma ligeira melhoria das animações e do impacto visual do jogo. É perceptível também uma pequena redução do tempo de loading o que é sempre útil. Por exemplo, durante a criação do um novo lutador, o tempo de espera pela pré-visualização do item é menos. Embora a duração dos referidos loadings ainda dependam da complexidade do combate que escolhemos, não deixam de ser momentos um pouco incómodos.
As animações dos lutadores são facilmente reconhecíveis, o que demonstra uma considerável atenção aos pormenores e maneirismos dos wrestlers durante a captura de movimentos. O gameplay apresenta-se fluido com os lutadores a interagirem com as cordas ou escadas de acesso ao ringue, continuando a ser possível controlar durante a execução de um golpe a direcção do mesmo, quer seja em cima da mesa de comentadores como noutros objectos expostos como as cadeiras.
Durante os combates, é recorrente o zoom e mudança de ângulo de câmara para aumentar a sensação de que estamos a assistir ao programa na TV. No momento de impacto com o chão do ringue, a câmara estremece para dar mais ênfase ao golpe, nalguns momentos de forma um pouco exagerada. Mas é possível desactivar estas mudanças activas de câmara, no caso de não gostarmos desses efeitos.
O integrado Limb Target System permite atingir partes do corpo específicas como cabeça, tronco, braços e pernas, aquando da ‘pega’ inicial. Este aspecto proporciona um aspecto táctico durante os confrontos.
Em combates de estipulações especiais podemos realizar golpes OMG!, golpes especiais marcantes que infligem bastante dano e accionam um momentâneo replay automático. Como exemplo um superplex da terceira corda para fora do ringue ou um golpe em cima da mesa de comentadores.

É habitual a Yukes modificar os controlos para proporcionar uma sensação de gameplay diferente de ano para ano. Neste caso não será preciso tanto tempo de adaptação pois essas alterações foram minimizadas e os controlos mantêm-se intuitivos. Relevante é também o facto de o Hud estar ainda mais simplificado simples, o que mantém o ecrã limpo de informação desnecessária.
IA foi igualmente melhorada. Em certos momentos de combate Tag Team onde o lutador procura sair do ringue quando está sob uma sucessão de investidas, o nosso parceiro tomará a iniciativa de interagir com o nosso adversário e trazê-lo de volta ao ringue. A interacção automática do nosso parceiro estende-se às situações de pin ou submissão, revelando um trabalho de equipa credível.
Como tem vindo a ser habitual, o nível de dificuldade máximo Legend pode ser ‘afinado’ para proporcionar uma experiência ainda mais desafiante para quem já dominar o referido nível de dificuldade. Esta personalização está dividida por vários aspectos como frequência de ataque, frequência de bloqueio, durabilidade, quantidade de dano infligido, etc.

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Entre os modos que se mantêm como o WWE Universe, Highlight Real (modos que a produtora tem vindo a introduzir na série se forma progressiva), temos o I Quit Match e a personalização de cinturões de campeão. Neste último é possível personalizar a cor dos títulos mantendo o template original, o que acaba por não ser tão gratificante e diversificado como o semelhante modo extinto presente em títulos de Smackdown! Vs Raw. Mas não deixa de ser agradável ter alguma personalização de volta aos títulos de campeão.
Em relação ao combate I Quit, este desenrola-se de forma semelhante à estipulação Last Man Standing. O objectivo é fazer o adversário desistir e para isso podemos utilizar qualquer objecto, incluindo os disponibilizados pelo público adjacente ao ringue. Quando acharmos que já o castigámos o suficiente, pedimos ao árbitro que lhe pergunte se quer desistir. Este terá de superar um mini-jogo de barra semelhante à situação de pin.

Os carismáticos combates Royal Rumble e Backstage Brawl estão presentes. No primeiro, lutadores mais icónicos farão a sua entrada no ringue com a respectiva pirotecnia, aumentando a representação fidigna do evento anual real. Ao contrário dos restantes que têm entradas genéricas neste evento. Para a eliminação dos wrestlers é utilizada uma simples QTE ou um finisher. O Backstage Brawl contém uma área ampla que interliga 4 zonas desde o parque de estacionamento aos bastidores e no início do combate podemos escolher a zona inicial.

Em relação à banda sonora, vale a pena mencionar que foram bem implementados os muitos novos comentários específicos criados para serem incluídos nos combates do modo Attitude Era mas, fora desse modo, a grande parte deles são reutilizados e podem-se tornar por vezes repetitivos.
Os temas das superstars predominam o conteúdo áudio presente durante a navegação dos menus. Os cânticos de apoio acompanham apenas os lutadores mais relevantes, com o carismático e actual cântico “Yes! Yes! YEs!“ a marcar presença.

Depois de completarmos a campanha, é nos modos de criação e personalização que vamos passar a grande parte do tempo de jogo e neste aspecto o modo WWE Universe 3.0 assume grande protagonismo. Sendo este um modo que herdou o seu princípio do extinto modo General Manager, podemos criar os alinhamentos dos programas de TV e respectivos PPVs. Aqui temos grande liberdade para personalizarmos combates e rivalidades entre lutadores, mas existiu um grande contributo de Paul Heyman nos enredos apresentados. Automaticamente vão-nos ser apresentados ao longo dos combates e dos programas acontecimentos de onde podemos decidir o rumo das rivalidades. É um modo muito extenso e agora podemos fazer reset às storylines quando quisermos começar do início.

Em toda a importante componente de personalização existem modos para criar uma história, criar uma Arena, criar um vídeo de entrada e criar um superstar. Todos eles com ligeiras melhorias e com maior diversidade de itens para escolher. Entre eles, de destacar o Story Mode, que nos permite partilhar uma experiência semelhante à WWE Universe pela comunidade online, dando o nosso cunho pessoal a storylines com a possibilidade de criarmos cut-scenes, incluir texto às sequências e acrescentar combates. Este modo dá-nos grande liberdade e controlo de opções inclusivé nas condições de progresso dos combates.
Depois disto tudo, chegará a altura em que queremos desafiar os nossos amigos ou qualquer um dos fãs da modalidade em combates online até 6 jogadores. O multiplayer contém Ranked MatchPlayer Match e Community Creations onde podemos fazer o download ou upload de personagens, move sets, arenas etc. Um verdadeiro centro de partilha de conteúdos originais. Existe a estipulação Fair Fight onde são anuladas quaisquer modificações de atributos aos wrestlers oficiais do jogo. Podemos assim competir wrestler contra wrestler sabendo que os respectivos atributos são os originais. A sensibilidade às ligações online é muito grande e, sendo o gameplay do jogo baseado em timing de ataque e bloqueio, alguns combates chegam a ser frustrantes de jogar online. Dos tipos de combate que podemos escolher online fazem parte o Royal Rumble, Hell in the Cell e Championship Scramble

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Em suma, num espírito de volta às origens enquanto conteúdo e tema, WWE ’13 corresponde combinando o espírito dos anos ’90 com a qualidade do roster actual. Consegue recrear a atmosfera da Attitude Era e transportar-nos para a respectiva identidade nostálgica.

A quantidade de mudanças e novidades em WWE ’13 são suficientes para saciar a exigências dos fãs da série e suficientes para ficarmos a jogar até à próxima edição. Tendo em conta que se trata de um jogo de regularidade anual, a sensação de evolução é aceitável. Este título deixa-nos ainda optimistas em relação ao rumo de evolução contínua que a produtora está a levar mas ficamos a questionarmos se chegámos ao limite que a tecnologia/software aplicada ao jogo pode oferecer. Nisto falo concretamente no número máximo de lutadores em simultâneo permanecer num 6 e de certos tipos de combate ainda não incluírem as sequências de entrada dos wrestler, por exemplo no Elimination Chamber.
A referida limitação de tecnologia proporciona ainda a presença de alguns artefactos como a deformação momentânea das sombras dos lutadores, de alguns slowdowns e casuais omissões de efeitos sonoros durante os combates. Sendo de esperar o lançamento de actualizações que corrijam os artefactos mais incómodos por parte da THQ, estes não são graves o suficiente para ofuscar todo o conteúdo positivo que o jogo tem.
O número de pormenores incluídos como a personalização da roupa dos lutadores oficiais, as opções de partilha pela comunidade, os efeitos especiais de luz nos combates de Sin Cara, a cadeira poder ficar manchada de sangue, a possibilidade de criarmos fatos alternativos para os personagens criados e o elevado número de conteúdo para desbloquear deixa-nos com um sentimento de satisfação ao jogarmos este novo WWE, ofusca os pontos menos positivos do jogo e faz com que se preveja que demoremos largos meses até estarmos a desejar o lançamento de WWE ’14.

Versão testada: Playstation 3

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