27 Ago 2018
PS4

Análise – Wolfenstein: The New Order

Wolfenstein: The New Order preenche-nos com nostalgia e leva-nos à origem do que devem ser os jogos FPS (first person shooter). A análise que estão prestes a ler foi escrita por alguém com muitos anos de jogo dentro género e que nos títulos recentes da indústria tem vindo a sentir falta da sensação que Wolfenstein consegue transmitir, com o seu próprio estilo e imagem.

The New Order é o novo título da id Software que nos chega antes do já anunciado Doom. A série Wolfenstein é das mais antigas da id Software e é uma série que nos acompanha já desde 1981. Deixando de lado este pedaço de história da série, vamos à história em The New Order.

O jogo retrata uma sequela directa do jogo de 2009, Wolfenstein, no entanto não precisam de jogar os anteriores para seguir a história em The New Order. O exército Nazi está mais forte que nunca e os aliados estão praticamente reduzidos à brutal força alemã. Na pele de Blazkowicz um militar veterano retratado na perfeição do que é o herói de guerra americano temos que lutar juntamente com a resistência contra Deathshead, o responsável pelo departamento de ciência Nazi, o génio por grande parte da força inimiga ao transformar os seus soldados em super-soldados e criando super-robots. No último ataque aliado, Blazkowicz e o que se pensava ser a última força aliada são esmagados por Deathshead.  Passados mais de 10 anos, Blazkowicz acorda de um coma no meio do pesadelo criado pelos nazis, o mundo já se encontrava rendido e os aliados haviam perdido a guerra.

Wolfenstein

Soldados e cães nazis robóticos, não podemos pedir mais!

O que acontece a seguir já é expectável por vocês, Blazkowicz regressa à luta com um ranger de dentes à medida que atravessa uma faca de cozinha no pescoço de um soldado inimigo que se preparava para o matar e soltando uma frase clássica: “You Nazi scum!”. Neste universo paralelo, a id Software preparou um exército futurista onde a força alemã é muito mais forte que a aliada onde vamos encontrar pelo caminho super-soldados, robots, cães, todo o tipo de inimigos, todos eles transformados por Deathshead.

Os primeiros minutos de jogo não deixam a melhor impressão de Wolfenstein: The New Order. Confesso que os primeiros 10 minutos até me deixaram desiludido com o jogo, estando a jogar numa PlayStation 4 senti que os gráficos eram datados e que podiam estar muito melhores, mesmo em termos de mecânicas senti que o jogo ia deixar a desejar e já me preparava para uma desilusão.

Wolfenstein

O grande vilão, sempre bem acompanhado.

A verdade é que Wolfenstein: The New Order cresce em nós e passados aqueles 10 minutos o jogo mostra-nos o que é o verdadeiro FPS sem explosões em demasia e diálogos épicos com mais explosões à mistura. Os personagens são ricos, o próprio Blazkowicz que tinha tudo para ser um personagem desinteressante consegue conquistar-nos e à medida que jogamos e vamos assistindo aos seus flashback onde Blazkowicz relembra o que havia antes da guerra e imagina onde estaria se não existisse aquela guerra – tudo termina quando de repente acorda.

Não é apenas Blazkowicz que se torna um personagem interessante por ser o ídolo de jogo, mesmo os seus colegas aliados e o próprio Deathshead estão bem caracterizados e no progredir do jogo falam sobre si, contam a sua história e mostram a sua personalidade com o desenrolar da acção.

Wolfenstein

Mesmo neste estado continuam assombrar-nos.

Em termos de história não há muito mais que vos possamos contar, o que devem é mesmo jogar por vocês, vale a pena. Tratando-se de um FPS sem componente online já esperava que a id Software se esforçasse na campanha e a verdade é que conseguiram construir uma boa aventura com uma história sólida, bons diálogos, bons personagens e boa diversidade de ambientes.

Esta diversidade foi um dos aspectos que mais me saltou à vista. Não existe maneira de sentirem que o jogo está a ser repetitivo, cada nível é bastante diferente do outro e o ambiente ao nosso redor está em constante mudança. Sem estar demasiado recheado de momentos épicos à Hollywood, Wolfenstein: The New Order é aquele FPS à antiga onde tanto estamos a escalar um castelo e a matar nazis que espreitam pela janela como estamos no fundo do mar dentro de um submarino ou até mesmo num vaivém a caminho da Lua. Sim…a própria Lua.

Para além da diversidade nos ambientes o sistema de controlos é outro ponto muito positivo. Com uma rápida habituação, numa questão de minutos conseguem dominar o esquema de controlos e acima de tudo aprendem a dominar algo que muita falta faz aos FPS: o sistema de lean ou inclinar em português. Os jogos mais recentes largaram estas mecânicas e simplificaram a acção, Wolfenstein não. Aqui querem que joguem como um FPS deve ser jogador, a correr, deslizar enquanto disparam com duas metralhadoras nas mãos ou a espreitarem a esquina de uma parede enquanto eliminam um inimigo sem serem vistos. É até possível espreitarem pela ranhura de uma porta ou por debaixo de um tanque e colocar os inimigos numa posição desvantajosa disparando contra os seus pés. Se querem algo mais discreto podem lançar uma faca à distância eliminando logo o inimigo, sem fazer barulho. Por falar em armas, podemos tocar noutro aspecto importante: o arsenal ao nosso dispor.

Wolfenstein

Quase todo o arsenal dá para usar com ambas as mãos, até as facas.

As armas vão surgindo de forma progressiva e vão evoluindo à medida que avançamos na história. Não existem upgrades que podemos “investir” para melhorar as armas, o próprio personagem encontra peças ou novos tipos de munição para adaptar às armas que usa. Outro aspecto em conta é que praticamente todas as armas podem ser usadas em ambas as mãos o que vai criar muitos momentos à John Rambo – vão soltar gritos de guerra à medida que largam dois carregadores de metralhadora ou caçadeira nas tropas inimigas.

Mas como nem tudo é perfeito chegam os pontos negativos que apesar de existirem não abatem o prazer que Wolfenstein: The New Order trouxe ao mundo dos videojogos. O primeiro aspecto já tinha sido referido no início da análise: os visuais datados. Fruto do que tem vindo acontecer com alguns jogos que saem em ambas as gerações de plataformas, The New Order não conseguiu escapar e jogando na PlayStation 4 estamos a jogar como se fosse na PlayStation 3 com pouco ou nenhum toque da nova geração. A nível visual a única coisa que se consegue distinguir é claramente as frames por segundo, o jogo está fluído e bastante rápido e sente-se na perfeição os 60 fps. O outro aspecto negativo é a inteligência artificial dos inimigos que deixa muito a desejar. Estando agachados conseguem aproximar-se sem problema de qualquer inimigo e executar um stealth attack e por vezes mesmo frente a frente com os inimigos se estiverem a uma certa distância ou a espreitar na esquina, eles não vos conseguem ver. Certas secções do jogo em que vos atacam em grupo, sem armas os inimigos parecem não ter qualquer inteligência e andam na nossa direcção a um ritmo lento e atacam de forma estranha, quase sem vontade. Da minha parte tentei colmatar esta falha atravessando o jogo na dificuldade máxima: Über. Foi desta forma que consegui tirar o máximo partido de The New Order, e as cerca de 16 horas que investi na campanha recolhendo pelo caminho coleccionáveis e repetindo várias secções dos níveis enquanto sofria nas mãos inimigas.

Wolfenstein

Um belo passeio pela Lua…

Terminando a campanha, podem ainda optar pelo Chapter Select para recolher coleccionáveis que tenham deixado escapar como cartas, peças de ouro ou melhorias à vida e armadura. Pelo caminho não se esqueçam de dormir uma sesta na cama de Blazkowicz vão ter um pesadelo e acordar em Wolfenstein 3D, o clássico de 1992 está embutido em The New Order.

Apesar das suas falhas reconhecidas nesta análise, Wolfenstein: The New Order consegue conquistar-nos pela sua diversidade e originalidade, um jogo que recria momentos originais do universo de shooters em primeira pessoa com uma história sólida, bons personagens e uma mecânica de jogo fantástica. Para mim está encontrado um sério candidato a FPS do ano, podem parecer palavras pesadas mas fica o conselho…joguem, não se vão arrepender. Os aliados estão a contar convosco!

Pontos Positivos:

– Um FPS à antiga, obrigatório para quem gosta do género

– Mecânicas inovadoras e mecânicas antigas que voltam em grande estilo

– Bons personagens

– Diversidade de ambientes e armas

– Boa campanha

Pontos Negativos:

– Inteligência artificial

– Gráficos podiam estar melhores na nova geração

Esta análise foi feita com a versão digital de Wolfenstein: The New Order cedida pela Info Capital.

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