15 Ago 2018
PS3

Análise – The Wolf Among Us

Depois de ter cativado todos os jogadores com a sua aventura gráfica The Walking Dead, a Telltale Games lança-se no mundo dos trillers noir.


Sempre tive uma simpatia especial pelo vilão. É certo que tinha pena da capuchinho vermelho, e não queria que ela fosse comida pelo lobo mau, mas abrir o pobre do bicho e encher-lhe o estômago de pedras? Parece-me excessivo. Coitado do lobo.

Foi por isso que me agradou logo de inicio a banda desenhada Fables, que relata a história dos personagens dos contos-de-fadas, exilados em Nova Iorque depois do seu mundo de fantasia ter sido conquistado por um inimigo misterioso. Desprendia-se do banal, e mostrava-nos as personagens conhecidas sob novas perspectivas.

E o Lobo Mau, agora na forma humana de Bigby Wolf, tinha sido amnistiado, e era o xerife responsável por garantir que as outras fábulas se comportavam de forma a passar despercebidas entre os humanos. É ele que acompanhamos nesta nova aventura gráfica episódica.

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Uma Fábula Nos Tempos Modernos

O universo de Fables não é negro, mas possui um certo nível de cinismo e pragmatismo que se presta a uma estória noir.

Aqui não há a tensão da luta constante pela sobrevivência que caracterizava The Walking Dead, nem a sua sensação de perigo escondido que poderia surpreender a qualquer momento. Não, The Wolf Among Us é uma experiência mais ponderada, que alterna sequências de exploração e diálogo em que o objectivo é recolher informações para tentar resolver o mistério, com sequências de ação intensa, daquelas típicas de um triller policial.

Das primeiras, pouco preciso dizer. A Telltale já se provou perita em diálogos e em criar personagens e situações interessantes, e esta estória não é excepção. Podemos ser tão superficiais quanto desejemos, ou podemos explorar mesmo a fundo todas as opções de diálogo e desbloquear extensas biografias sobre cada personagem. Já as opções em si são muito mais variadas do que em Walking Dead, e por vezes mudam completamente certas sequências do jogo.

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O Regresso Triunfante do Quick Time Event

Já a ação passa quase exclusivamente por lutas e perseguições em que a mecânica de pressionar o botão correcto quando é exibido no ecrã é rainha.

A mim agrada-me.

Este tipo de mecânica ganhou muito má reputação na geração anterior, onde os produtores ainda estavam a aprender a usá-la e acabaram por simplificar em demasia vários jogos de ação.

Hoje temos exemplos onde a mecânica é utilizada de forma a contribuir para o ritmo e fluência do jogo, e The Wolf Among Us junta-se a jogos como Asura’s Wrath, Heavy Rain e Beyond, pois atinge esse patamar. Os botões a pressionar fazem sempre sentido no contexto do que se está a passar, e dão-nos uma maior conexão com a ação e personagens.

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Uns Dentes Afiados, Avózinha

The Wolf Among Us é uma jogada estranha da Telltale. Não vai surpreender, como The Walking Dead, e não vai evocar emoções tão fortes, pois não há nenhum equivalente a Clementine para despertar o nosso instinto de proteção paternal ou maternal.

O que o estúdio conseguiu criar aqui, logo no primeiro episódio, foi um jogo que nos deixa intrigados, que nos incentiva a pensar nos acontecimentos que se vão passando e nos convida a pensar nas personagens envolvidas como pessoas com os seus próprios motivos e ambições, em vez de simples objetos de diálogo.

É um jogo em que fazemos, realmente, o papel de detective, em vez de simplesmente controlar, como é habitual, uma personagem que se diz detective mas que tudo o que faz é agarrar em objetos estranhos e esfregá-los contra outros objetos na esperança de encontrar uma solução.

Será que daqui a 4 episódios nos sentiremos tão próximos de Bigby como nos sentimos de Lee e Clementine? Pago para ver.

The Wolf Among Us foi desenvolvido e publicado pela Telltale Games. Está disponível para PC, Mac, Xbox Live Arcade e PlayStation Network. O jogo para esta análise foi comprado pelo autor para PC.

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