09 Set 2018
PS4

Análise: The Amazing Spider-Man 2

Vamos até Nova Iorque ver em que sarilhos o Fantástico Homem Aranha anda metido.

The Amazing Spider-Man 2 é uma sequela ao título de 2012, The Amazing Spider-Man, e baseado no filme de 2014 com o mesmo nome. O jogo foi produzido pela Beenox, conhecida por ter trabalhado noutros títulos do Homem Aranha, como por exemplo, o Shattered Dimensions, Edge of Time e The Amazing Spider-Man.

Neste jogo continuamos a linha narrativa do primeiro jogo, com um Peter Parker que procura vingança pela morte do seu tio, mas nem tudo corre como previsto quando é introduzido um novo perigo nas ruas de Nova Iorque. Os actos heróicos do Fantástico Homem Aranha têm tido cada vez mais destaque nos media, tanto para bem, como para mal, e é aí que o Kingpin, um magnata que procura terminar com o nosso herói favorito se junta a Harry Osborn, dono da Oscorp, e criam a Task Force, uma força especial destacada a eliminar ameaças fora do alcance de pessoas normais. Harry Osborn procura vingança por o Homem Aranha não lhe dar um pouco do seu sangue, o qual Harry pensa ser a solução para a sua doença degenerativa, e Kingpin procura eliminar o herói para poder gerir os seus negócios ilegais. A campanha do jogo, infelizmente, peca quando tenta ser uma mistura de uma narrativa adaptada para videojogo e a narrativa do filme, chegando a haver momentos em que encontramos cenas semelhantes às do filme, mas a construção narrativa até ao momento não faz sentido. Um exemplo disso é a parte em que enfrentamos o Electro (Max Dillon), personagem essa que salvámos a vida umas missões atrás sem haver razão para ele nos querer eliminar.

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Iremos encontrar muitos problemas pelo caminho

O jogo apresenta-nos um mundo aberto pela cidade de Nova Iorque, e com um novo sistema de web-swing muito melhorado, comparativamente aos jogos anteriores, dando-nos uma maior liberdade de movimentos. Contudo é um sistema confuso ao início pois temos o web swing, web rush e wall run, que podem ser conjugados todos num combo gigante, por vezes fazendo parecer o movimento do Homem Aranha bonito e espetacular. Quem tiver conhecimentos básicos de como funciona um pêndulo, dentro de poucas horas irá optimizar a sua movimentação pela cidade, pois será preciso para acabar algumas missões secundárias e corridas com sucesso. O único problema é quando embatemos num prédio, onde todas as leis da inércia são ignoradas e o jogo atrapalha-se todo e não sabe se há-de fazer wall run ou web swing. Critico também o precisarmos de carregar num botão para nos “colarmos” à parede, o que se torna incomodativo nos piores momentos. Seria uma funcionalidade que poderia ser melhorada se o Homem Aranha se colasse aos prédios quando fossemos contra eles e não tivéssemos a carregar nos botões para web swing, e caso estivéssemos no chão, bastaria saltar contra a parede. Mas isto é uma função à qual o jogador se adapta ao fim de um tempo.

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Web swing muito melhorado

O combate está melhorado, mas está longe de perfeito, havendo alguma inconsistência no mesmo. É muito parecido ao dos jogos do Batman, ou seja, vamos construindo um combo, ficando atentos a ataques de inimigos, os quais podemos fazer counter, e quanto maior for o combo, maior será a oportunidade de fazer um finisher nos inimigos. A parte má disto tudo é que entre cada ataque existe uma pausa demasiado grande, o que quebra a fluidez do combate, temos também dois tipos de counters: para um inimigo ou para múltiplos, e a diferença entre eles é que para o primeiro basta pressionar um botão, para o segundo é o mesmo botão duas vezes. É uma funcionalidade que funciona tão bem como funciona tão mal, sendo inconsistente, principalmente nas piores alturas. Em jogos como o Batman, podemos interromper o nosso combo para podermos fazer um counter, mas neste jogo não o podemos fazer pois temos sempre que carregamos no botão ele vai executar um ataque e fazer uma pausa, sendo o problema a pausa, pois se um inimigo nos começar a atacar ao mesmo tempo que nós atacamos outro, só iremos poder fazer o counter depois da pausa, o que nunca chega a acontecer, pois até lá já nos acertaram.

Para além dos ataques mano-a-mano, o Homem Aranha tem outras opções, como é o caso do web pull, onde puxamos a arma dos inimigos, ou até mesmo eles próprios, temos o web rush, onde nos atiramos ao inimigos e preparamos o inicio de um combo e por fim as teias, que perto do fim têm duas funcionalidades: prender os inimigos, ou juntamente com um produto corroer armadura. Temos também a opção de ir por métodos mais discretos, de modo a que não sejamos vistos pelos inimigos.

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Ágil e sempre atento

A vida no jogo não é regenerada automaticamente, obrigando-nos por vezes a encontrar maneiras de nos escondermos por uns instantes para nos podermos curar, mas infelizmente só o podemos fazer em pé, logo não há a possibilidade de treparmos um pilar e de nos curarmos enquanto estamos agarrados à parede.

Gráficamente temos um Fantástico Homem Aranha que faz jus ao nome, tenho treze fatos diferentes disponíveis e cada um deles com bonus diferentes. Cada fato tem três bonus especiais que podem ser melhorados subindo de nível. Para ganharmos experiência temos vários eventos espalhados pela cidade e vários colecionáveis por encontrar. Os fatos podem dar bonus de dano, resistência, velocidade de swing, resistência a projeteis, velocidade de cura, e muitos outros, tendo cada fato uma funcionalidade específica para um determinado evento. A nível global, o jogo entra em declínio gráfico quando começamos a observar o mundo à nossa volta. Os elementos estruturais do jogo, como os prédios, chão e paredes estão demasiado simples para poder ser considerado uma experiência next-gen, mas o pior é mesmo na importância que foi dada aos inimigos. Houve um claro desinteresse em tornar dos inimigos distintos, ou pelo menos criar uma ilusão de que havia mais do que três modelos diferentes, pois numa das missões secundárias que iniciei (salvar um refém de um carro em fuga), apanhei o mesmo inimigo quatro vezes dentro do mesmo carro. Isto seria disfarçava-se bem se fossem os inimigos com panos a tapar a cara, mas era o que tem a barba, que por sua vez parece um boss que não teve direito a um papel melhor no jogo.

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Um grande detalhe visual no herói, e tão pouco no resto

Quanto a variedade de coisas para se fazer na cidade, temos as missões secundárias que já mencionei, cuja sua função é para equilibrar o barra de Mercenário/Herói do jogador. Essa barra consiste em três sub-divisões para cada lado: para o lado Mercenário, quando maior for o nível, mais Task Forces estarão espalhados pela cidade para nos atrapalhar, e quando maior for o nível para o lado Herói, melhor será os bonus do fato que estamos a usar. As missões podem ser um pouco repetitivas, mas existem muitos locais para o mesmo tipo de missão, permitindo-nos ir vagueando pelas várias zonas da cidade.

Como colecionáveis temos páginas de bandas desenhadas espalhadas pela cidade toda, e a cada x número de páginas desbloqueamos uma BD nova que podemos ir ler à Comic Book Store, que é gerida pelo (surpresa) Stan Lee. Dentro da Loja podemos ver figuras colecionáveis que nos contam um pouco mais sobre as personagens do jogo, bandas desenhadas clássicas completas para ler e uma arcada onde somos submetidos a desafios por rondas, com o objetivo de sobreviver e matar todos os inimigos. Em toda a experiência que tive com o jogo, a arcada é o único sítio onde nos devemos preocupar em usar um fato específico, visto ser uma prova de sobrevivência. Existem também fotografias que temos de tirar a determinados pontos na cidade de modo a decifrar alguns segredos, e também audio logs de algumas personagens onde temos alguns segredos mais obscuros das personagens com que nos andamos a envolver ao longo da campanha.

Pela primeira vez podemos jogar com o Peter Parker, o herói sem a máscara, podendo interagir com a Aunt May e o nosso quarto, que é onde podemos escolher os vários fatos. Infelizmente não foi dado muito conteúdo para o mesmo, mas o que tivemos foi o suficiente para sentirmos uma boa dualidade entre o lado herói e o repórter do Daily Bugle.

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Uma grande variedade de colecionáveis para procurarmos, só resta saber onde os procurar

Em suma, The Amazing Spider-Man 2 traz-nos alguns remendos para problemas que tinham sido criticados noutros títulos do herói, contudo ainda não foi dada a devida atenção ao jogo, o que fez com que tenha um aspecto preguiçoso, desinspirado e desmotivado. Neste tipo de jogos gosto de ver um herói que faz jus à personalidade que lhe foi dada nas BDs originais, especialmente o Homem Aranha, que é conhecido por ter um feitio atrevido e estar sempre pronto a mandar uma piada, e neste caso algumas das piadas parecem forçadas, mas a personalidade em geral não está totalmente lá. Temos um mundo relativamente grande para explorar, mas com pouca variedade de missões, já para não falar de inimigos. É um jogo que pode agradar aos fãs de super-heróis, mas vai deixar o apetite em aberto, pois falta algum conteúdo ao jogo.

[display_label style=success]Pontos Positivos[/display_label]

  • Podermos trocar entre o Peter Parker e o Homem Aranha
  • Escolha de vários fatos, incluindo clássicos
  • Web Swing muito melhorado

[display_label style=negativo]Pontos Negativos[/display_label]

  • Uso repetitivo do mesmo modelo de inimigos
  • Combate inconsistente
  • Campanha confusa

Esta análise foi feita na PlayStation 4 com uma cópia cedida ao autor pela Ecoplay.

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