15 Ago 2018
PS3

Análise Mortal Kombat X

Partimos uns ossos, desmembrámos umas pessoas , e enquanto isso aproveitámos para jogar Mortal Kombat X.

Mortal Kombat X, de momento, está disponível para o PC, PlayStation 4 e Xbox One, sendo estas duas últimas versões produzidas pela Netherrealm Studios. A versão PC, e as futuras versões PlayStation 3 e Xbox 360 do jogo estão a cargo da High Voltage Software.

Resta agora saber se o trabalho de Ed Boon e a sua equipa é o suficiente para agradar os fãs.

Resposta curta? Não

Resposta comprida? Sim

Confusos? É normal… Como fã da série Mortal Kombat, já desde o primeiro título, Mortal Kombat X peca em detalhes muito pequenos, mas num todo é um jogo muito agradável, bem construído e apelativo a fãs e não-fãs.

Mas chega de conversa, falemos do jogo em si.

A primeira coisa a que os jogadores são apresentados é às novas Faction Wars, onde o jogador pode escolher entre cinco fações – Lin Kuei, Black Dragon, Brotherhood of Shadow, Special Forces e White Lotus. Diariamente é-nos proposto desafios como, ganhar dois jogos com uma certa personagem, partir uns ossos e fazer verter umas tripas. Estes objetivos ajudam a subir o ranking da nossa fação e como bonus, temos direito a usar cinco Faction Kills, uma Fatality específica e única, dependendo da fação que escolhemos.

Em suma, as Faction Wars são um “clube” que escolhemos para podermos ir às redes sociais, no final da semana, para gozarmos com as fações perdedoras, e como prémio ganhamos cinco maneiras diferentes de matar os nossos oponentes. Para quem acompanha o futebol, basicamente é só trocarem a palavra “Benfica” pelo nome da vossa fação, e já podem ter dois momentos de glória ao domingo.

Tal como no título da geração anterior, temos uma campanha que nos mete a par do lore da série. Os acontecimentos de Mortal Kombat X decorrem vinte e cinco anos depois da derrota de Shao Khan, e somos rapidamente introduzidos aos acontecimentos atuais. Após a morte de Shao Khan, Earthrealm e Outworld criaram um pacto que traria paz entre os dois mundos, mas como temos de ter uma premissa que ajude a desenvolver a estória, os vilões vão estragar a festa e pôr em causa o acordo entre os dois mundos.

A forma de como a estória desenrola segue o mesmo formato que em Mortal Kombat 9, onde temos um capitulo por personagem, com uma série de três a quarto combates por cada uma. Este formato pode parecer útil para ajudar a desenvolver a narrativa, contudo torna-se extremamente limitado, visto que não temos a oportunidade de experienciar a totalidade do jogo neste modo. O que se pode retirar deste modo é que ganhamos umas horas de entretenimento apenas para justificar as novas personagens e a falta das mais antigos.

Pessoalmente, gosto que um jogo de luta tenha o seu lore. Faz com que os fãs da série tenham interesse e ao mesmo tempo justifica a presença de cada personagem nos jogos. Contudo, num jogo como Mortal Kombat, em que no final de cada combate é suposto matarmos o nosso adversário da forma mais criativa possível, começa a ser difícil justificar a presença de várias personagens. Temos o caso de Tekken, onde o produtor limita-se a por cada vez mais personagens por jogo, fazendo o menu de seleção de personagem parecer um simulador de encontrar uma agulha no palheiro, e o caso de Street Fighter onde os produtores só não metem mais personagens para poderem lançar a edição Hiper Mega Super. O mal do modo campanha foi a ideia inteligente de por um jogo de luta que corre a 60 FPS nas lutas, mas que depois reduz para 30 durante as cinemáticas. Cria uma quebra de fluidez na imagem, fazendo parecer que a consola está a dar as últimas.

Em Mortal Kombat X a solução foi aproveitar os poderes de Quan Chi para ressuscitar algumas personagens e a procriação dos sobreviventes do título anterior. Faz com que seja divertido e estranho ao mesmo tempo, ver a Cassie Cage arrebentar a zona testicular ao seu próprio pai.

Por falar em personagens, o jogo conta com vinte e quatro lutadores, tendo cada um três variantes diferentes. A ideia das variantes já tinha sido implementada em Mortal Kombat: Deception (PS2, Xbox e GameCube), onde podíamos trocar de estilo de luta a meio dos combates, diversificando os mesmos. As variantes agora são escolhidas antes do combate, limitando o jogador à sua escolha. Mas atenção, o limitado, neste caso não significa que seja um ponto negativo, apenas que o jogador estará focado num tipo de jogo específico.

Peguemos no exemplo do Ermac. Se escolher a variante Mystic, sei que terei habilidades telecinéticas, o que me ajudará a criar alguma distância do adversário. Na variante Master of Souls temos uma abordagem mais defensiva para evitar projeteis e aguentar pressão. Por fim, a sua variante Spectral permite a habilidade de voar por um determinado tempo, permitindo-nos escapar de alguns ataques, contra atacando com combos aéreos. Tudo acaba por depender da experiência que o jogador tem em cada uma delas, e o quão bem ele conhece o adversário.

Mortal Kombat X traz-nos novamente as torres de desafios: Living Towers, Traditional Towers e Tower Challenge.

Nas Living Towers temos desafios que estão constantemente a trocar de hora a hora, diariamente e a Premier. Nunca sabemos o que iremos encontrar, visto que de combate para combate iremos ter modifiers escolhidos aleatóriamente. Na Premier é-nos atribuído um lutador específico.

As Traditional Towers são os desafios conhecidos de longa data: Klassic, Test your Might, Test Your Luck, Endless e Survivor. Note-se um pequeno detalhe que meteram na torre de Test Your Might, onde, se falharmos, somos mortos de uma maneira especial. Pequenos detalhes que me metem um sorriso na cara!

Por fim temos a Tower Challenge, onde o objetivo é derrotar uma torre inteira, tentando fazer o máximo de pontos possíveis, para enviarmos como desafio aos nossos amigos.

A Krypt está de volta e ainda maior! Possivelmente devido ao facto de terem morto as personagens quase todas em Mortal Kombat 9 (sim ainda estou chateado por não ter o Bi Han neste jogo). Desta vez temos um cemitério enorme com vários caminhos para explorar, vários segredos para descobrir através do uso de peças que encontramos pelo caminho. Por outras palavras, se quiserem desbloquear tudo, irão passar muitas horas a mutilar inimigos para depois poderem ir dessacralizar campas.

Vocês querem saber como é que são os Fatalities, Brutalities e X-Rays, não é?

Pois estão ainda mais brutais, viscerais, e sangrentas que em Mortal Kombat 9. Tal como tivémos a oportunidade de falar com a equipa na Gamescom 2014, eles prometeram trazer do pior que conseguiam imaginar, e prometido é devido. Os Fatalities estão originais, na sua maioria, os X-Rays ainda nos fazem pousar o comando só de pensar na dor e os Brutalities são a melhor maneira de acabarmos com um oponente a meio de um combo.

A nível de experiência, embora dê um enorme prazer conseguir fazer um Fatality após um combate renhido, nada bate a sensação de fazer um combo e como toque final um Brutality.

Contudo, no meio desta chacina, há pequenos detalhes que me incomodam. Daí a minha resposta curta ser não. É um detalhe tão pequeno, que não interfere com a jogabilidade, nem com o aspeto geral do jogo.

O gore… não faz sentido.

Uma pessoa que gosta de apreciar todos os detalhes dos videojogos, reparei que alguns Fatalities são demasiado… “perfeitos”. Não falo em casos como o de Ferra & Torr que faz um corte perfeito de alto abaixo do adversário (embora o interior do corpo humano tenha ossos, mas isso é outro comichão para coçar), mas sim em casos como o de Johnny Cage, que com as mãos rasga o tronco do oponente, referenciando uma das melhores obras de Stanley Kubrick. Como é que é possível rasgar um ser humano ao meio com as próprias mãos e o corte estar perfeito? Não pode… O mesmo se pode dizer de haver X-Rays que nos garantem que as personagens têm ossos, e depois quando são mutiladas, não vemos osso.

Eu nem critico os Fatalities surreais que levam as personagens a serem mortas de formas improváveis ou impossíveis, pois normalmente são as mais surreais que são as mais apelativas. Só me chateia o pequeno detalhe de não ver ossos no interior dos corpos mutilados. Estarei eu a ser demasiado picuinhas com a minha violência?

Parando de bater na cabeça decapitada, fui para o modo online para ver se conseguia mostrar alguém a minha experiência inigualável. Parece que ninguém percebeu quando eu disse inigualável, pois acabavam todos por me derrotar em segundos, impedindo-me de mostrar o meu potencial.

Fora essas injustiças, os kombates corriam quase na perfeição, sem latência, contudo houve algumas falhas de conexão a meio dos combates. O modo King of the Hill está de volta, onde os jogadores se juntam numa sala e jogam ao roda bota fora (para quem não sabe, o vencedor fica em campo, e entra uma equipa adversária nova, neste caso, lutador). E sim, a palavra “combates” foi escrita com um “k” propositadamente.

Em suma, Mortal Kombat X é um jogo estéticamente apelativo, mostrando um grafismo mais detalhado e complexo, mas no meio dessa cobertura de complexidade, foram deixados para trás alguns pequenos detalhes. O modo campanha entretém-nos um bom bocado, mas limita a experiência total de jogo a uma dúzia de personagens. A longevidade do jogo vem das torres de desafios e do modo online, onde poderemos aperfeiçoar a nossa experiência e ao mesmo tempo mostrar às outras pessoas o quão superiores a elas somos (ou não…). Mortal Kombat X impõe-se como um dos melhores jogos de luta deste ano, mostrando o seu pedigree, o que fará com que as equipas de Tekken 7 (se não for adiado) e Street Fighter V (2016) lutem pelo seu lugar.

Na última ronda, o vencedor é… Mortal Kombat. A Raposa considera o jogo Excelente e uma compra recomendadíssima.

Este jogo foi analisado na PlayStation 4, com cópia cedida pela Upload Distribution.

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